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Caixa Geral de Depósitos

As contas de Domingues e o administrador que ganhava 6 vezes mais

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Público consultou as declarações de rendimentos dos antigos administradores da CGD e encontrou um ex-gestor da PT que chegou à Caixa Geral de Depósitos com um rendimento superior a 4 milhões de euros.

TIAGO PETINGA/LUSA

Um barco a leasing, dois Porsche 911 e uma conta bancária com 3,7 milhões de euros. António Domingues apresentou as suas declarações de rendimentos, já depois de se demitir precisamente devido a esta obrigação, mas há um administrador com um rendimento quase sete vezes o do ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos e cinco que ainda não as entregaram, avança o jornal Público.

As tão polémicas declarações de rendimentos dos ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos ficaram finalmente disponíveis para consulta no Tribunal Constitucional e, se os rendimentos de António Domingues não apresentam grandes revelações, pelo menos um dos administradores teria um rendimento quase 10 vezes superior ao do ex-presidente da CGD.

De acordo com os elementos avançados pelo Público, António Domingues terá declarado cerca de 540 mil euros de rendimentos como administrador do BPI, do BPA, Allianz Portugal e da NOS, um prédio em Lisboa avaliado em 1,2 milhões de euros pelo qual terá recebido 48 mil euros em rendas no ano de 2015, um veleiro adquirido em regime de leasing, duas viaturas Porsche 911 e várias contas bancárias — a maior delas com 3,7 milhões de euros.

No entanto, a declaração de rendimentos de Pedro Durão Leitão mostra uma realidade um pouco diferente. Ex-administrador de várias empresas da PT, Durão Leitão apresentou rendimentos muito superiores aos de António Domingues, 6,5 vezes mais do que Domingues ganhou em 2015, com um rendimento declarado de trabalho de mais de 4 milhões de euros.

O nome de Durão Leite terá sido aprovado pelo BCE com uma ressalva, de que a CGD teria de acompanhar de perto um processo civil em que Pedro Durão Leitão está envolvido. O processo, segundo o Jornal de Negócios estará relacionado com o cargo de administrador executivo da PT que este exercia por altura do ‘empréstimo’ de 900 milhões de euros do grupo PT ao Grupo Espírito Santo.

Cinco administradores — Angel Corcóstegui Guraya, Herbert Walter, Emídio Pinheiro, Henrique Noronha e Menezes e Paulo Rodrigues da Silva — não apresentaram ainda declarações de rendimentos.

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