Livros

Aventuras para o adulto-criança que há em nós

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Nunca fomos tão sedentos e nostálgicos de aventuras como na infância quando os verões eram longos e azuis. Para reviver esse prazer e partilhá-lo com os mais novos eis 3 histórias intermináveis.

Herman Melville

Autor
  • Joana Emídio Marques

Moby Dick
Herman Melville
(Relógio D’ Água)

Há quem compare as aventuras do capitão Ahab para caçar a terrível baleia branca, à aventura de Ulisses de Homero, pelo que ambas têm de representação dos instintos mais atávicos da condição humana. Moby Dick não é uma história politicamente correta, é uma história de vingança e de luta entre o homem e uma força da natureza que lhe é muito superior e, ao mesmo tempo, da coragem de enfrentar o desconhecido. O capitão Ahab tem um só desejo na vida: destruir a grande baleia branca, o monstro que destruiu o seu corpo. Sem medo das catástrofes naturais, dos maus presságios ou mesmo da morte, Ahab impele o seu navio em direção ao perigo.

Robinson Crusoé
Daniel Defoe
(Guerra & Paz)

Este que é um dos primeiros romances modernos, tem, desde que foi publicado em 1719, um sucesso que o coloca entre os livros mais lidos de todos os tempos. Parte do seu sucesso deve-se ao facto de entroncar na mais nobre tradição narrativa, fundadora da literatura ocidental. Conta viagens marítimas, naufrágios, batalhas, ataques de piratas, ilhas de canibais. Robinson Crusoe sofre um naufrágio e dá por si sozinho numa ilha (quase) deserta. Aí começa a história de um homem que tem enfrentar um lugar que ele não procurava, um lugar de naufrágio, um lugar selvagem, hostil. Numa prosa seca, sem floreados, a obra revela uma intenção moral: Robinson não se torna selvagem, resiste ao apelo regressivo da natureza hostil e transforma-a num lugar civilizado.

A Quinta dos Animais
George Orwell
(Antígona)

A Quinta dos Animais, publicado pela primeira vez em 1945, e que, infelizmente, muitos ainda leem como se fosse apenas uma metáfora do Comunismo, é o meu Orwell preferido. Uma fábula intemporal sobre o poder, as relações e perversões que em torno dele se estabelecem, mas também uma reflexão sobre a perigosidade da utopias e como elas conduzem tantas vezes àquilo que Hannah Arendt chamou a “banalidade do mal”. Era uma vez a quinta Manor onde os animais se organizam para expulsar os humanos que os exploravam, tomam eles próprios o poder e escolhem os porcos para os comandar.

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