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Manuais de geografia

José Manuel Fernandes sugere três análises: uma ao Portugal distantes dos grandes centros, outra sobre a ciência na União Soviética e uma terceira que reflete sobre a geografia da política.

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Portugal, Paisagem Rural
Henrique Pereira dos Santos
(Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos)

Arquiteto paisagista, Henrique Pereira dos Santos tem sido uma das vozes mais presentes no corrente debate sobre a floresta e os incêndios. Só essa referência bastaria para recomendar a leitura deste livrinho, mesmo que ele pouco fale de floresta e mal chegue aos dias de hoje, sendo sobretudo uma história e uma abordagem geográfica às transformações do nosso mundo rural desde o final do século XIX. Mas o seu interesse é muito maior pois ajuda a compreender a atual desertificação humana, a surpreendente recuperação de algumas paisagens naturais e os fracassos de certas políticas agrícolas. Um livro que ajuda a conhecer melhor um Portugal demasiado desconhecido – e esquecido.

Estaline e os Cientistas – Uma História de Triunfo e Tragédia (1905-1953)
Simon Ings
(Temas e Debates)

O comunismo soviético afirmava-se como um regime diferente de todos os outros porque se julgava “científico”, isto é, não representava apenas uma proposta política diferente, antes via-se como uma consequência inevitável das leis da História. Contudo acabou por ser a Ciência, com maiúscula, que foi sacrificada à política e à ideologia, não hesitando Estaline em escolher as teorias que preferia e em perseguir aquelas que não encaixavam na sua visão do mundo. A principal vítima deste processo foi a genética, sacrificada no altar de um charlatão, Trofim Lysenko. É esta história que este livro nos conta, com abundância de detalhes que permitem perceber como nada, nem mesmo o destino das moscas do vinagre, escapavam à longa mão do senhor do Kremlin.

Prisioneiros da Geografia
Tim Marshall
(Desassossego – Livros para Pensar)

Porque é que Vladimir Putin não hesita no seu apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad? Se olharmos para o mapa da Rússia e virmos como aquele grande país não possui nenhum porto de águas quentes com acesso direto ao Mediterrâneo talvez compreendamos melhor o porquê dessa escolha de Moscovo. Este é apenas um dos exemplos de como não faz sentido pensar a geopolítica sem olhar para o mapa-mundo, algo que neste livro se faz de forma especialmente interessante, partindo de dez mapas das várias regiões do planeta para explicar como a geografia condicionou e condiciona as grandes escolhas estratégicas, o que é válido tanto para as grandes potências como para os pequenos países. Se é verdade que hoje já não procuramos explicar tudo através de diferentes alinhamentos ideológicos ou religiosos, esta obra de Tim Marshall ajuda-nos a perceber porque é que montanhas e rios, planícies e linhas de costa, estreitos e golfos, continuam a obcecar todos os que determinam o movimento das peças no imenso xadrez formado pelos nossos cinco continentes e quase 200 países independentes. É este ângulo de abordagem que torna este livro especialmente estimulante.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

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Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

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