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Histórias com gente dentro

As sugestões de Sara Otto Coelho para as férias vão para o passado de Trevor Noah na África do Sul, a anos-luz do Daily Show, para os traumas que nos comandam a vida e a mais pura história de amor.

Trevor Noah teve uma educação ultra religiosa e chegou a estar preso. Hoje, é um dos ídolos do humor mundial

Getty Images for Comedy Central

Autor
  • Sara Otto Coelho

Born a Crime
Trevor Noah
John Murray

Não podia ser qualquer um a substituir Jon Stewart no programa “The Daily Show”. Trevor Noah prova que não é qualquer um todos os dias na televisão, e nas 288 páginas de Born a Crime. O crime é ele mesmo, filho de mãe negra e pai branco numa África do Sul sob lei do apartheid.

Noah abre o livro de memórias da infância e adolescência através de uma escrita cativante e bem-humorada. Se nos rimos do adolescente que só conhecia músicas católicas, do jovem adulto que teve uma arma apontada à cabeça, que chegou a estar preso e que foi expulso de uma escola judaica por estar a gritar pelo nome do seu melhor bailarino — que por acaso se chamava Hitler, e que, por acaso, não era um nome tão incomum na África do Sul — a culpa é toda dele.

Born a Crime é também um retrato do que era a África do Sul nos anos 80 e 90. Mas é, sobretudo, uma radiografia aos elementos que formaram um dos comediantes e apresentadores mais seguidos da atualidade. O livro foi lançado em novembro e não está disponível em português. É uma pena.

Debaixo da Pele
David Machado
Dom Quixote

Entre os vários livros que já lançou, muitos deles infantis, há um que aparece sempre associado a David Machado. Índice Médio de Felicidade valeu-lhe o Prémio da União Europeia para a Literatura e vai chegar aos cinemas este verão, com assinatura do realizador Joaquim Leitão. No meio da notícia cinematográfica, é importante não ignorar Debaixo da Pele, o novo romance do escritor de 38 anos, lançado em maio.

Debaixo de Pele segue três histórias diferentes de crianças e adolescentes que passaram por um historial de violência e permite-nos ver como alguns traumas ficam gravados na pele, mesmo que debaixo dela e não visíveis à primeira vista. Mas eles estão lá, crescem junto com a vítima e deixam marcas.

Outono
Ali Smith
Elsinore

Sim, dei-me conta da ironia de sugerir como leitura para este verão um livro que se chama Outono. Que, já agora, foi publicado em Portugal em maio, mês de primavera. Escrito pela escocesa Ali Smith, Outono foi recebido pela crítica inglesa como o primeiro romance pós-Brexit. Os sentimentos de incerteza e de grande cisão entre os que votaram “sim” e os que votaram “não” à saída da União Europeia pintam todo o romance, onde não faltam referências atuais à situação precária dos jovens, por exemplo.

Mas este livro não é uma crítica social nem política. Este é um livro sobre o amor puro entre Elisabeth Demand e Daniel Gluck, ele com 101 anos e ela com 32. Um amor perfeito ao qual só falta a atração e a ligação física para ser um amor romântico. A ligação de Elisabeth e Daniel começou quando ela tinha 8 anos. À cautela, a mãe avisa-a de que não a quer por perto do vizinho idoso, mas Elizabeth desobedece.

O reencontro dá-se em 2016, já Daniel vive num lar, sozinho, sem família, à espera do fim. Os dois passam a ser a melhor companhia um para o outro e as conversas dos dois sobre tudo, das artes à própria vida, dão-nos algumas das narrativas mais ricas da história. Outono é o primeiro livro de uma tetralogia que deverá correr as quatro estações. Oportunidade para usar a frase “Winter is coming”: o próximo, Inverno, sai no Reino Unido em novembro deste ano.

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