Escravatura

CNN denuncia venda de escravos na Líbia

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Muitos migrantes que chegam à Líbia com o sonho de atravessarem o Mediterrâneo acabam por ser vendidos como escravos. A CNN esteve num leilão e falou com um jovem que foi vendido como escravo.

A CNN denunciou vendas de escravos na Líbia, depois de receber um vídeo onde se vêem vários homens a serem leiloados. As autoridades locais prometeram investigar a situação.

O canal de notícias norte-americano disse ter passado vários meses a tentar verificar a autenticidade das imagens. Um dos homens, um nigeriano, surge de camisa branca e está a ser vendido como “um dos rapazes fortes para trabalho agrícola”. “900… 1.000… 1.100 …”, ouve-se no vídeo. Um dos homens acaba por ser vendido por 1.200 dinares líbios — 75 euros. O homem que está a fazer a venda não aparece no vídeo de pouca qualidade — apenas se vê a sua mão, em cima do ombro do escravo.

A CNN decidiu depois enviar uma equipa, no final do mês passado, ao país para investigar o caso. Já na Líbia, o contacto local levou-os até um leilão numa localidade a cerca de 30 minutos de Tripoli, explicando que estes ocorrem entre uma a duas vezes por mês em diversas cidades.

“Alguém quer um cavador? Este é um cavador, um homem grande forte, ele cava”, diz o vendedor. Aos poucos, vão aumentando as ofertas: “500, 550, 600, 650, 700…”. Em poucos minutos, o homem é vendido e entregue ao novo “dono”. O leilão em questão não durou mais de seis a sete minutos e, nesse espaço de tempo, foram leiloados 12 homens, a quem se referem como “mercadoria”.

A maioria destes homens são migrantes, que fugiram dos seus países devido aos conflitos e à pobreza. Chegam até à Líbia na esperança de atravessarem o Mediterrâneo e chegarem à Europa. Com o aumento da fiscalização por parte da guarda costeira, porém, há cada vez menos embarcações a aventurarem-se pelo mar, levando a que haja cada vez mais pessoas retidas em terra. Isso levou os contrabandistas a começarem a vender estes eventuais passageiros.

“Levem-nos para casa”, pede Victory, uma das muitas pessoas no centro de detenção em Tripoli à espera de ser reenviado para casa. Depois de chegar ao país, ficou retido numa casa, juntamente com outros migrantes, onde passou fome e foi maltratado. Quando ficou sem dinheiro, os contrabandistas venderam-no como escravo.

“A pessoa que me comprou deu-lhes dinheiro e depois levaram-me para casa”, explica Victory à CNN. Os contrabandistas disseram-lhe que o valor que ganhariam pela venda serviria para reduzir a sua dívida e passou várias semanas a fazer trabalho forçado. Pouco depois, foi devolvido aos contrabandistas, tendo sido revendido novamente. Situação que se repetiu por diversas vezes.

“Se olharem para a maioria de nós, se virem os nossos corpos, veem as marcas”, afirmou Victory, referindo que, durante esse tempo, os contrabandistas ainda exigiram um resgate à sua família.

O responsável pelo centro de detenção assumiu que já ouviu rumores de vendas de escravos, mas nunca assistiu a nada. “Não acontece à nossa frente, não há provas”, afirmou. Também o tenente Naser Hazam, da Agência Anti-Imigração Ilegal, disse à CNN nunca ter assistido a um leilão de escravos, mas confirmou que existem gangues que fazem contrabando de pessoas no país.

“Alguns relatos são verdadeiramente terríveis e os mais recentes relatos de ‘mercados de escravos’ para migrantes podem-se acrescentar à longa lista de horrores”, referiu, num comunicado, Mohammed Abdiker, diretor de operações da Organização Internacional para a Migração.

De acordo com a mesma organização, a violência da viagem pelo norte de África levou mais de 8.800 migrantes a optarem por regressar a casa.

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História

Não tenho culpa da escravatura. E não pago.

Maria João Marques
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Nada tenho contra debates sobre a escravatura, nem investigação histórica sobre o tema. Mas vou já avisando que não tenho culpa nenhuma do que se escravizou e comerciou até ao século XIX.

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