IPSS

Ex-tesoureiro lança mais dúvidas sobre a gestão da Raríssimas

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Ricardo Chaves, ex-tesoureiro da Raríssimas, questiona as declarações de Nuno Branco e afirma que era ele o responsável pela aprovação dos salários e despesas do cartão de crédito.

Ricardo Chaves disse à SIC que era preciso perceber se Paula Brito e Costa tinha efetivamente entregue a carta de demissão ao presidente da mesa da Assembleia Geral da Raríssimas

MÁRIO CRUZ/LUSA

Ricardo Chaves, o ex-tesoureiro que ajudou a denunciar a gestão danosa de Paula Brito e Costa à frente da Raríssimas, disse esta quarta-feira que Nuno Branco — o diretor que à tarde afirmou não ter conhecimento das irregularidades reveladas pela investigação da TVI — foi responsável pelos Recursos Humanos da instituição durante vários anos e que era ele, através de um procedimento interno, quem autorizava as despesas do cartão de crédito da presidente e que autorizava o pagamento dos salários.

“O Nuno está na direção da Raríssimas desde 2010 e passou a ser o tesoureiro quando saí. Ele é a pessoa que nos últimos anos foi responsável pelos recursos humanos, que aprovava os salários e as despesas do cartão de crédito da presidente”, afirmou o ex-tesoureiro à SIC.

Nuno Branco disse esta quarta-feira aos jornalistas que não conhecia de perto as situações retratadas na reportagem da TVI e que havia “da parte de todos os elementos da direção um pressuposto de que as coisas eram todas feitas na legalidade”.

Quando uma presidente nos diz que tem uma determinada despesa em serviço, quando uma vice-presidente nos diz que tem uma determinada despesa em serviço, quando temos um tesoureiro que nos assegura e traça esses procedimentos, é claro que a demais direção não vai estar a colocar em causa. Tudo o que foi feito até hoje nos pareceu que foi feito com legalidade e correção”, afirmou Nuno Branco.

Já Ricardo Chaves disse à SIC que era preciso perceber se Paula Brito e Costa tinha efetivamente entregue a carta de demissão ao presidente da mesa da Assembleia Geral da Raríssimas, porque os sócios ainda não tinham sido informados de nada. O ex-tesoureiro também questionou o cargo de Nuno Branco enquanto responsável pela Casa dos Marcos. “Quem é que nomeou o dr. Nuno para ficar à frente? Ele disse que era responsável pela Casa dos Marcos, mas quem é que lhe disse que era ele o responsável? A Segurança Social?”, questionou acrescentando que, por ser advogado, era também ele que defendia a Raríssimas nalguns processos, o que lhe “pareceria não ser muito transparente”.

As dúvidas face às declarações do atual tesoureiro da Raríssimas não se ficam por aqui. Ricardo Chaves questiona ainda se Nuno Branco também subscreveu o comunicado divulgado pela associação no domingo. “A direção da Raríssimas fez um comunicado no domingo. A direção era a Dra. Paula, o Nuno, a cunhada da Dra. Paula, a Marta, responsável pela delegação de Viseu e o marido. A Marta e o marido não subscreveram o comunicado. Queria saber se o Dr. Nuno subscreveu ou se foi só a Dra. Paula”, disse.

O ex-tesoureiro questionou ainda que documentos eram os que apareciam na casa da presidente da Raríssimas (e que ela mostrou na entrevista que deu à RTP), porque era suposto os documentos da contabilidade estarem selados e no escritório da associação. “São coisas que me fazem muita confusão”, disse Ricardo Chaves, que apelou aos sócios da Raríssimas para se mobilizarem e lançarem uma petição. “Caso a D. Paula não se tenha demitido, cabe aos sócios exigir uma assembleia geral extraordinária com carácter de urgência para marcar eleições.

Ricardo Chaves recorda que quando se apercebeu das alegadas irregularidades nas contas da Raríssimas se despediu, fechando a delegação da associação no Algarve. “Não queria estar associado à Raríssimas, não podia estar associado”, afirmou, informando que foram criadas soluções para as crianças que frequentavam aquela delegação e que já estavam noutras instituições.

“A instituição cumpria com aquilo que manda a lei, as contas eram auditadas e aparentemente estava tudo bem. Mas no meu entender não estava tudo bem”, afirmou, explicando que numa IPSS os salários não podem ultrapassar quatro vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS), ou seja, cerca de 1.700 euros. O total do recibo de vencimento de Paula Brito e Cunha, juntando os subsídios de pagamentos de despesas (como quilómetros) ultrapassava os 6 mil euros. “Alertei para isto várias vezes e o que me foi dito é que as pessoas estavam ali para receber como trabalhadores”.

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