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Raríssimas. Sónia Laygue é a nova presidente

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A nova presidente da Raríssimas é mãe de uma menina de três anos com uma doença rara. Sónia Laygue foi eleita esta quarta-feira na assembleia geral da associação.

Sónia Margarida Laygue é formada em Sociologia do Trabalho. Deixou de trabalhar há três anos para acompanhar a filha

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Os associados da Raríssimas elegeram Sónia Margarida Laygue, mãe de uma menina de três anos com uma doença rara, para presidir à direção. A votação foi feita esta quarta-feira em assembleia geral extraordinária, no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários da Moita, depois da anterior presidente, Paula Brito e Costa, ter renunciado ao cargo depois de suspeitas de uso indevido dos dinheiros da instituição.

Paulo Brito e Costa, que criou a Raríssimas – Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras não compareceu na reunião, apesar de ser ainda associada. Está também suspensa do cargo de diretora geral que ocupava na Casa dos Marcos depois de aberto um inquérito interno para apurar se usou indevidamente dinheiros da instituição. Paralelamente, corre um inquérito no Ministério Público, em que a responsável foi já constituída arguida pelos crimes de recebimento indevido de vantagem, peculato (desvio de bens ou fundos públicos) e falsificação de documento.

Na votação participaram 22 associados, com 18 a favor e quatro em branco. Atém de Sónia Laygue, foram ainda eleitos: Mafalda Sofia Costa, funcionária da Casa dos Marcos, para vice-presidente. Rui Pedro Alves Ramos, fisioterapeuta da Raríssimas, como tesoureiro. Para secretário, o psicólogo da Casa dos Marcos, António Veiga e como vogal Fernando Alves, pai de uma criança “rara”. Rosalina Alves dos Santos, também mãe de uma criança com doença rara, será vogal suplente.

Sónia Laygue é formada em Sociologia do Trabalho. “Tenho-me dedicado de corpo e alma à causa”, disse na apresentação da candidatura perante os associados. “Fazemos tudo para salvar esta associação”, acrescentou. Já depois de eleita, emocionada e rodeada de jornalistas, a nova presidente disse que tinha deixado a sua profissão há três anos para se dedicar à filha — que faz tratamentos diários na Casa dos Marcos. Disse ainda que era importante mostrar a todos a importância da instituição e, junto com o Governo, criar um projeto. “Podemos não ter formação técnica, mas vamos à procura de ajuda. Temos perfeita noção que vai ser uma luta”, disse Sónia Margarida Laygue.

Sónia Laygue, que afirmou ser mais conhecida por Margarida, disse ainda que nunca se apercebeu de qualquer problema na gestão da associação Raríssimas. Ainda assim, enquanto decorre o inquérito, seria “imoral” deixar regressar a sua antecessora à instituição.

Os novos membros da direção tomam posse esta sexta-feira, numa cerimónia na Casa dos Marcos, pelas 10h00. A estes novos membros juntam-se os elementos que já integravam a direção de Paula Brito e Costa — que permanece pelo menos até ao final do mandato, que termina em 2019: os vogais Nuno Branco,(que renunciou nesta AG ao cargo de tesoureiro), Marta Balula e Salomé Gomes, assim como o vogal suplente Vasco Santos.

Para o Conselho Fiscal foram eleitos Lisete Amaro como presidente, Ana Paula Soares como vogal e Anabela Azinhais como suplente. Juntam-se a José Gomes, que se manteve como vogal do Conselho Fiscal.

Sónia Laygue a entregar a lista com a candidatura à direção da Raríssimas

Lista feita numa manhã

A assembleia geral extraordinária, convocada depois de Paula Brito e Costa ter renunciado ao cargo de presidente, devia ter começado às 10h00, mas por falta de associados suficientes começou já pelas 10h40. A Associação conta com cerca de 1200 associados, mas só 566 estão há mais de um ano na instituição e com quotas pagas e podiam votar. Ou seja, para começar a AGE às 10h00, teriam que estar presentes metade destes, não estando os estatutos ditam que a reunião comece meia hora depois com os associados presentes. E foi o que aconteceu, com apenas 27 sócios presentes (incluindo os da mesa da AG e os membros dos órgãos sociais que se mantêm da anterior direção).

Esta é uma assembleia muito importante para a vida da instituição”, começou por dizer o presidente da Assembleia Geral, Paulo Olavo e Cunha, que excecionalmente permitiu a presença dos jornalistas.

Quando começou a sessão, Paulo Olavo e Cunha percebeu que havia uma lista de candidatos. No entanto, esta lista previa que os cinco membros dos órgãos sociais que ainda permaneciam na Associação renunciassem ao cargo, o que não aconteceu. Assim, o presidente da AG suspendeu os trabalhos durante duas horas para que os elementos da direção que se mantêm e os candidatos reunissem.

Duas horas depois, a sessão foi retomada com uma proposta de cinco membros para a direção e um suplente. Foram ainda propostos três nomes para o Conselho Fiscal. Todos foram aprovados (embora com quatro votos em branco em cada uma das votações).

Assembleia Geral, presidida por Paulo Olavo e Cunha, decorre no Salão Nobre dos Bombeiros da Moita

Houve familiares de associados à porta que quiseram entrar para participar, mas que não puderam porque não são associados. Quatro dos cerca de 30 associados presentes opuseram-se à presença dos jornalistas na sessão. Venceu a maioria.

Mecenas podem voltar a ajudar a instituição

Uma fonte da direção admitiu ao Observador que depois da reportagem da TVI, no início do mês de dezembro, muitas empresas que apoiavam a instituição recuaram e que avisaram só voltar a financiar a Raríssimas depois de ser eleita uma nova direção. Houve ainda duas colónias de férias que não se realizaram, porque os familiares das crianças inscritas desistiram das inscrições depois de denunciado o escândalo que envolvia a presidente da associação, Paula Brito e Costa.

Ainda assim, garante a mesma fonte, os ordenados e as faturas aos fornecedores foram pagas e manteve-se o funcionamento da instituição.

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