Carpool Autárquicas com Teresa Leal Coelho. “Nunca aceitei convites para viajar e julgo que nunca aceitarei”

30 Agosto 2017129

Teresa Leal Coelho, candidata do PSD a Lisboa, recusa dizer se fica como vereadora. Promete reverter obra no Marquês, e recusa gafe do IMI a 0%. E garante que nunca aceitou viagens pagas por empresas.

Teresa Leal Coelho entra no Carpool Autárquicas do Observador às quatro horas, preparada para o calor de verão que ia ter pela frente: um leque, uma garrafa de água e a roupa pensada para um percurso de carro numa tarde quentíssima de 16 agosto. Lisboa, apesar das férias não falhou em congestionamento nem em trânsito: “Imagine o que será em setembro”.

A candidata do PSD a Lisboa, que é deputada e vice-presidente de Pedro Passos Coelho na direção do partido, vive no Lumiar, numa casa comprada quando havia isenção de IMI durante os primeiros dez anos. Na entrevista, explica porque é que a proposta do IMI a 0% não foi uma gaffe. Conhecida pela “forma rápida e impetuosa como reage às coisas”, palavras de Passos Coelho ditas na apresentação da sua candidatura a Lisboa, a candidata foi dura e evasiva quando não quis responder às perguntas feitas pelo Observador. Vereadora do PSD em Lisboa desde 2013, recusou-se a dizer se vai ficar como vereadora caso não vença as eleições de 1 de outubro, embora o tenha admitido numa entrevista à TSF, em junho. “Eu estou aqui a dar uma entrevista para falar com as pessoas que me vão ler e me vão ouvir. Porque ninguém lê o programa em papel“, foi tudo quanto disse quando o tema era o dia seguinte ao dia das eleições.

Subiu o tom de voz por várias vezes. Não queria falar da eventual dispersão de votos que haverá à direita — com a sua candidatura e com a de Assunção Cristas, pelo CDS –, que poderá fazer destas eleições um passeio para Fernando Medina, embora tenha recusado qualquer pacto de não agressão com a candidata do CDS. Não quer ser colocada no mesmo barco da ex-ministra da Agricultura do Governo de Passos: “Não me revejo na expressão ‘a direita’”, diz.

O percurso estimado pelo Observador, que começava na Basílica da Estrela e terminaria em Belém, deveria ter durado pouco mais de uma hora, mas uma falha técnica na captação do som da entrevista obrigou-nos a ter de repetir a primeira metade do trajeto, entre a Estrela e o Campo Grande. A candidata do PSD a Lisboa compreendeu a falha e disponibilizou-se para repetir. O que teria sido feito em cerca de uma hora e meia, acabou por ser feito em quase três. Enquanto usava o leque para atenuar o calor e tentava escapar às perguntas mais incómodas atacando as questões do Observador, acabou por comentar a polémica que atingiu algumas figuras do PSD de Lisboa, incluindo um presidente de junta do partido. As viagens pagas à China para visitar a huawei: “Nunca aceitei esse tipo de convites, julgo que não aceitaria, mas muitas vezes servem para promover economia”.

Habitação e isenção de IMI. “Quase tudo o que se faz em Lisboa precisa de alteração legislativa”

A conversa começou descontraída. Falávamos de marchas populares e, à passagem pelo centro histórico de Lisboa — da Estrela ao Bairro Alto, passando a Rua do Poço dos Negros e indo dar à Calçada do Combro — Teresa Leal Coelho aproveitou o mote para falar do boom de especulação imobiliária que a fez dizer há uns meses que qualquer dia as marchas de Alfama e da Mouraria teriam de ir treinar para a Trafaria, já que os moradores estavam a ser expulsos do centro da cidade. O problema é evidente, e é uma das suas batalhas: “A gestão imobiliária deve ser olhada no sentido de dinamizar a economia da cidade e não neste sentido de criar lógicas especulativas que levam a que os preços subam e continuem a subir, tornando-se absolutamente incomportável para a classe média e para os jovens viver em Lisboa”, diz, defendendo que, para isso, devem ser retirados custos de contexto.

Quais? O IMI é um deles; diz que há mais, mas fica-se por “medidas de descriminação positiva” e “subsídios ao arrendamento”. Quanto ao IMI, defende que a lei deve permitir fazer em Lisboa aquilo que é possível fazer noutras cidades em que o preço médio das casas é mais baixo — atualmente a lei permite isenção de IMI em casas até 125 mil euros. É esse teto que quer aumentar. E por isso recusa ter cometido qualquer gaffe quando apresentou esta medida pela primeira vez, em entrevista ao Observador em março. “O que acontece é que temos hoje em dia uma legislação que admite isenção de IMI para frações até 125 mil euros. Naturalmente que esse valor tem de ser aumentado. E, para que não seja feita nenhuma referência a gaffe, tem de ser aumentado por via legislativa”.

Polémica de Loures. "Não houve contradição, só disse que não aceitava generalizações"

Quando o candidato do PSD a Loures, André Ventura, disse que a comunidade cigana vivia de subsídios, Teresa Leal Coelho foi das primeiras vozes internas a repudiar as declarações. Disse na altura que “afirmações que generalizam comportamentos só perpetuam preconceitos e estigmatizam comunidades”. Depois, Pedro Passos Coelho veio dizer que o PSD mantinha o apoio ao candidato.

Sentiu-se desautorizada?
Não há aqui nenhuma contradição. Eu manifesto as minhas posições relativamente a todas as matérias, e à sociedade inclusiva na qual eu acredito, repudio generalizações. O único comentário que me ouviu fazer foi que repudio generalizações. Seja a quem quer que seja.

E falou em estigmatização da comunidade cigana.
Naturalmente, também não quero que a comunidade jornalística esteja estigmatizada com acusações de que todos os jornalistas são isto ou aquilo, ou que todos os políticos são isto ou aquilo.

Uma semana depois de a polémica rebentar, Teresa Leal Coelho visitou, no âmbito de um conjunto de ações de campanha que fez à margem da comunicação social, o bairro Portugal Novo nas Olaias para “contactar de perto com a comunidade cigana que espera há anos intervenções”, segundo se lê no site da candidatura.

Foi uma provocação?
Lamento profundamente, e manifesto indignação por essa pergunta. Eu estou em contacto com todas as pessoas na cidade de Lisboa sem exceção, e não distingo as pessoas por nenhuma característica dessa natureza. Sejam portuguesas, estrangeiras, o que quer que seja. Não acredito numa sociedade em que essas conversas se fazem.

 

Vai avançar com benefícios fiscais? A questão do IMI a 0% foi uma das suas primeiras propostas…
Quando eu comprei a minha casa, comprei-a com isenção de IMI. Tive 10 anos de isenção de IMI, ou seja durante 10 anos não paguei IMI, o que foi um enorme incentivo, porque é um valor que é significativo nos custos de vida na cidade de Lisboa. E nós temos que desenvolver políticas a partir da câmara municipal de Lisboa que vão no sentido de retirar custos de contexto, custos de vida na cidade de Lisboa. É tudo mais caro na cidade de Lisboa: o arrendamento é mais caro, a compra de casa é mais cara, as creches são mais caras, os ATL são mais caros, as escolas são mais caras. Realmente podemos tirar custos de contexto, utilizando aquilo que é o orçamento da Câmara Municipal de Lisboa, como os orçamentos das juntas de freguesia, para, através de medidas de descriminação positiva, permitir que as pessoas tenham condições mais acessíveis de sustentabilidade financeira para aquele que é o padrão de qualidade de vida em Lisboa.

Mas como é que isso se faz? Falava-me do IMI, que é uma das medidas de descriminação positiva, mas como é que a câmara compensa a perda de receita se avançar com a isenção do IMI? Tem uma estimativa dos custos?
Percebo que focalize isso, por isso vou-lhe falar das condições financeiras da câmara. Porque não estamos a falar da árvore, estamos a falar da floresta. A Câmara Municipal de Lisboa, de 2015 para 2016, por aplicação das taxas e das taxinhas que foram criadas por este executivo camarário — como a taxa de proteção civil (que acabo no primeiro dia de mandato), a taxa de resíduos urbanos, estas taxas, tornaram a cidade mais cara para as pessoas em Lisboa. De 2015 para 2016 as pessoas pagam mais cerca de 28,8% de impostos por via dessas taxas criadas pela governação socialista na câmara. Portanto é uma falácia considerar-se que se desceram os impostos e as taxas. Aquilo que está em causa é a canalização dessas receitas. Para mim a prioridade é estabelecer condições de isenção de IMI no que diz respeito à aquisição de fogos para habitação de determinados montantes. A lei em vigor permite que se faça…

É preciso alterar a lei.
Claro que é preciso alterar a lei. Quase tudo o que se faz em Lisboa precisa de alteração legislativa.

Portanto não está só nas suas mãos, está nas mãos do atual Governo e da maioria de esquerda no Parlamento.
Está sobretudo nas mãos do presidente da câmara lutar para que esses objetivos sejam atingidos. A isenção de IMI já existe, o tal IMI a taxa 0%, está previsto na lei mas para fogos para habitação até 125 mil euros.

E não se praticam esses preços em Lisboa…
Se se praticar é de forma muito residual, o que significa que outros presidentes de câmara podem utilizar essa faculdade que a lei permite, mas o presidente da Câmara de Lisboa terá muita dificuldade porque dificilmente se encontra habitação a esses valores. Aquilo que temos de implementar é uma verdadeira política de habitação, e essa política de habitação não reporta isoladamente à questão do IMI. Reporta a um conjunto de medidas, que passam pelo IMI mas também por outros incentivos no que diz respeito ao arrendamento.

Mas aí está a confiar que o atual Governo e a atual maioria parlamentar mudam essa lei.
Naturalmente, porque é uma medida que vai ao encontro das necessidades da cidade de Lisboa. Enquanto os presidentes de câmara de outras cidades podem fazer uso da atual legislação, em Lisboa essa legislação não se adequa.

Teresa Leal Coelho quer que a lei do Orçamento do Estado permita à câmara de Lisboa aplicar isenções de IMI em determinadas circunstâncias, estritamente para fins de habitação. Mas não especifica patamares nem custos. Nem se a isenção que propõe é mesmo de dez anos. “Terá sempre de haver um escalonamento em função do valor do imobiliário e naturalmente estamos a falar de uma medida de descriminação positiva para habitação, exclusivamente”, diz, negando ter estimativas dos custos. “Não lhe dou uma estimativa porque para fazer uma estimativa tínhamos de saber exatamente quantas pessoas é que iriam ser colocadas nessa situação. Mas quando tomamos uma medida de incentivo para que as pessoas voltem à cidade de Lisboa, mesmo que haja uma diminuição da receita do IMI, há depois um conjunto de outras receitas que revertem para a cidade precisamente porque as pessoas vivem cá. E enquanto esta câmara tem usado o imobiliário sobretudo numa lógica de adquirir receita com venda de casas, entendo que a gestão imobiliária do património da câmara deve ser usada como ativo económico para dinamizar a economia e a vida na cidade de Lisboa”, afirma.

"António Costa foi à boleia das minhas propostas, porque ele é primeiro-ministro há quase dois anos, foi oito anos presidente da câmara, e nunca defendeu a habitação como prioridade. Essa é a minha prioridade"

Mais à frente, candidata do PSD voltaria ao tema da habitação para reforçar a ideia de ser possível alterar as leis relacionadas com a política fiscal de habitação, e sublinhar que a sua candidatura já está a influenciar o Governo nesse sentido. “Em pouco tempo de candidata à Câmara Municipal já mostrei eficiência nessa matéria”, diz, defendendo que o facto de ter estabelecido a habitação como prioridade foi um alarme para António Costa — que até criou recentemente uma secretaria de Estado dedicada inteiramente à habitação.

“Já depois de eu ter defendido essa medida, o primeiro-ministro António Costa defendeu em debate quinzenal no Parlamento precisamente um conjunto de medidas no plano fiscal para incentivar a habitação”, afirma. Questionada sobre se isso quer dizer que António Costa foi atrás das suas propostas, não hesitou na resposta: “Sim, acho que foi à boleia das minhas propostas, porque ele é primeiro-ministro há quase dois anos, foi presidente da câmara durante oito anos, e nunca defendeu isso. Essa não era a prioridade de António Costa, era a minha prioridade”.

“Portanto como vê tenho capacidade de fazer com que o Governo, e depois as maiorias parlamentares, sigam o rumo e o destino que defendo, de acordo com a minha visão estratégica para a cidade de Lisboa. Mas é inegável que este é um problema crucial: em quatro anos, e 2011 a 2015, 38 mil pessoas abandonaram a cidade de Lisboa”, remata.

Não foi a primeira escolha do PSD. “Fui convidada naturalmente antes de março”

Esta primeira metade do percurso foi gravada duas vezes, mas nem por isso as respostas variaram. No segundo take, contudo, Teresa Leal Coelho já sabia qual era a pergunta que inevitavelmente surgiria quando o Smart do Observador fizesse a curva do largo de Camões em direção ao Príncipe Real: é aí que está a sede da Santa Casa da Misericórdia, cujo provedor é Pedro Santana Lopes, primeira escolha assumida do PSD para a corrida a Lisboa. A antecipar a questão, estende o raciocínio que está a ter sobre as formas de financiamento do executivo camarário — impostos e contratação de empréstimos, nomeadamente através do memorando de entendimento que a câmara assinou com o governo de Pedro Passos Coelho por causa dos terrenos do aeroporto, “cujo montante foi usado para pagar dívida a fornecedores” — e temos de a interromper porque, apesar do trânsito estar parado na rua da Escola Politécnica, a Santa Casa já tinha ficado lá atrás…

Acabamos de passar na Santa Casa da Misericórdia. Admitiu que Pedro Santana Lopes foi a primeira escolha do PSD. Se a própria candidata acha que havia outro candidato melhor porque é que os lisboetas hão-de votar em si?
Mal seria se este país só tivesse um candidato que fosse uma boa escolha, e mal seria que o PSD só tivesse uma boa escolha para candidato à câmara de Lisboa. Há muita gente válida no PSD…

Quando é que foi convidada?
…O Pedro Santana Lopes foi um excelente presidente da câmara, foi primeiro-ministro, é um excelente provedor da Santa Casa da Misericórdia, faz o trabalho em Lisboa que a câmara não faz em matéria de ação social.

Quando é que foi convidada por Pedro Passos Coelho?
Aquilo que foi muito cedo anunciado pelo presidente do PSD foi que o candidato seria anunciado em março, e assim foi. Fui anunciada como candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa em março e fui convidada naturalmente antes de março. E é tudo quanto eu respondo a essa pergunta.

Mas antes disso houve muitas dispersão de nomes. Porque é que deixou que se abordassem tantas outras pessoas? Se achava que a sua candidatura era uma solução boa, se tinha essa vontade, porque é que não avançou logo?
Cada um tem a sua perspetiva relativamente a essa questão. Essa dança de nomes é uma coisa que é em grande medida fabricada pela comunicação social. E é absolutamente irrelevante.

Houve confirmações.
Seguramente que não confirmaram convites de Pedro Passos Coelho. Por Pedro Passos Coelho garantidamente que não confirmaram.

O coordenador autárquico Carlos Carreiras chegou a falar noutros nomes e a confirmar que foram sondados. José Eduardo Martins, José Eduardo Moniz…
Garantidamente que não confirmaram convite por Pedro Passos Coelho.

Chegamos ao Largo do Rato e aproveitamos para notar (na primeira parte do trajeto, cujo áudio não ficou gravado) que há muito mais outdoors com o rosto das candidatas do PSD e CDS do que outdoors com o rosto do candidato socialista, atual presidente da câmara. “Não é verdade, a diferença é que Fernando Medina não aparece nos cartazes”, diz, fazendo questão de, daí para a frente, apontar para o cartaz do PS de cada vez que passávamos por um, com o rosto dos candidatos às respetivas juntas. A propósito de cartazes… Então e a polémica do tempo verbal usado nas frases que constam nos seus cartazes? “Por uma cidade onde se pode circular”, é um dos exemplos. Não quer isto dizer que Lisboa é uma cidade onde já se pode, de facto, circular? Não deveria ler-se “Por uma cidade onde se possa circular?”.

Teresa Leal Coelho desdobra-se aqui em explicações sobre os estudos semânticos e auditivos feitos pela equipa de marketing para testar estes cartazes: não nega a interpretação dúbia mas explica como não soaria bem a formulação ‘Por uma cidade onde se possa circular’. “Mas é engraçado que quem criticou essa formulação não criticou a formulação da frase ‘Por uma cidade onde se nasce e vive’, porque já não ficava bem ‘por uma cidade onde nasça e viva'”… Adiante.

Promessas: Reversões no Marquês de Pombal e legalização de bairros ilegais “esquecidos”

Lisboa tem “duas velocidades” e “duas versões”, segundo a candidata do PSD: a Lisboa “bonita”, por onde andamos entre o Saldanha e o Campo Grande, e a Lisboa “esquecida”, por onde Teresa Leal Coelho nos desafia a ir, às portas de Alvalade.

“Há efetivamente alguns bairros de Lisboa que têm tido intervenção, há muitas obras em Lisboa, e até simultâneas, mas há outros bairros na cidade que estão absolutamente esquecidos. E por isso eu lanço-lhe o repto de fazermos aqui um desvio àquele que era o percurso que tinha pensado para irmos visitar o bairro São João de Brito, que é um bairro na freguesia de Alvalade, situado mesmo em frente ao aeroporto e que não teve nenhuma intervenção nos últimos dez anos”.

Fazemos o desvio e — “cuidado com o piso”, diz, porque o carro dá um enorme solavanco num buraco — Teresa Leal Coelho mostra-se conhecedora das ruas e até de alguns moradores. “Temos aqui do lado direito o terminal 2 do aeroporto, o senhor António Fernandes aqui do lado esquerdo, vive cá (já há dois ou três anos que tenho vindo falar com ele), aquelas casas eram terreno camarário, estas estão abandonadas…” Prossegue a visita guiada para reforçar que “Lisboa está bonita em muitos bairros, mas há outros que não tiveram nenhuma intervenção e onde vivem pessoas”.

O Bairro São João de Brito surgiu espontaneamente em 1975, a seguir à descolonização, quando muitas das pessoas que viviam em Angola, sobretudo, foram forçadas a retornar massivamente a Portugal. Algumas instalaram-se de forma precária nos terrenos em frente do aeroporto, com autorização do então autarca de Lisboa, começando a construir casas nesses terrenos. “Estamos a falar de 1975, até hoje este bairro ainda não foi legalizado”, aponta.

"Há várias Lisboas. Se há várias zonas muito bonitas, que tiveram intervenção, há outras que ficaram completamente esquecidas, e onde a intervenção, na minha perspetiva, devia ter sido prioritária"

E o que é que vai fazer concretamente?
Vou fazer a legalização do bairro. E posso dizer-lhe que sinalizei esta questão desde muito cedo, desde que apresentei a minha candidatura, e depois de o ter feito, no dia 6 de junho de 2017, depois de dez anos de executivo socialista que nunca dialogou com os moradores do bairro, vieram dialogar.

É esta mais uma forma de “imitação” do executivo socialista das suas ideias? Talvez. Mas Teresa Leal Coelho diz que não se importa, e diz-se “feliz” por ter contribuído para isso. “Já é um passo em frente e eu estou muito satisfeita por ter levado a alguma ação, vamos ver se essa ação vai chegar a bom porto porque as negociações estão entretanto interrompidas. Há várias Lisboas. Se há várias zonas muito bonitas, que tiveram intervenção, há outras que ficaram completamente esquecidas, e onde a intervenção, na minha perspetiva, devia ter sido prioritária. Porque o que está em causa são condições de vida das pessoas, não podemos continuar a viver numa cidade a várias velocidades”.

Promessa feita e prioridade estabelecida. Outra das promessas tem a ver com o Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, uma obra muito demorada e polémica ainda do tempo de António Costa como presidente da câmara.

Vai reverter esta obra do Marquês de Pombal?
Vou, vou. Vou intervir no Marques de Pombal, vou intervir na Avenida da Liberdade. Vou colocar outra vez a Avenida da Liberdade para descer e para subir na íntegra. Porque é isso que serve a cidade de Lisboa.

Tem ideia dos custos associados?
No que diz respeito a descer e a subir a Avenida da Liberdade os custos são sobretudo retirar sinais de trânsito. E no Marquês de Pombal os custos são alterar passeios. Há recursos financeiros na câmara que têm de ser melhor geridos, no sentido de criar melhores condições de circulação na cidade de Lisboa. Circular na cidade de Lisboa é absolutamente insuportável, estamos aqui hoje num dia de semana, no mês de agosto, e já apanhámos hoje bastante trânsito, imagine o que será em setembro.

Se perder fica como vereadora? “Não estou disponível para falar de coisas que não têm interesse nenhum”

A vice-presidente do PSD vira a cara de cada vez que o tema da conversa foge do seu programa eleitoral (que ainda não foi apresentado). Às vezes pega no leque, o calor é cada vez mais dentro do carro (o ar condicionado funciona mal), muitas vezes interrompe a pergunta mesmo antes de ter sido formulada, outras recusa-se a responder às questões, invocando que a função dos jornalistas é dar a conhecer os programas dos candidatos. Um dos momentos mais tensos aconteceu quando lhe questionamos sobre se admitia ficar como vereadora — cargo que assumo desde 2013 — na hipótese de não ser eleita. Numa entrevista à TSF, há apenas dois meses, tinha deixado claro que cumpriria o seu mandato de vereadora se não conseguisse ser eleita para a presidência da câmara. Vereadora com pelouro? “Isso seria especular”, disse na altura aos microfones da TSF.

Agora a resposta não foi a mesma. Aliás, não houve qualquer resposta, mesmo perante a insistência para tentarmos clarificar se a falta de resposta queria dizer que equacionava não ficar na câmara como vereadora. Ouvimos apenas críticas às perguntas feitas pela comunicação social.

O que é para si uma vitória? Se não ganhar, se não for eleita, fica como vereadora?
Bom, eu vou voltar ao meu programa, porque não posso desperdiçar, por respeito a quem vai ler, a quem vai ouvir esta entrevista, eu não posso desperdiçar tempo necessário para transmitir aos cidadãos…

Então não me vai responder a esta pergunta.
O que é relevante é a campanha, alias é a função da informação.

E também fazer perguntas.
Claro, mas não condicionando apresentar os programas que cada um de nós tem.

Mas terá o seu momento para apresentar o programa, ainda não o apresentou.
Está-me a falar do programa em papel, sabe que ninguém lê o programa em papel. Mas eu estou aqui a dar uma entrevista para falar com as pessoas que me vão ler e me vão ouvir. E no âmbito desta entrevista, o que tenho de transmitir às pessoas, por respeito a elas, é aquilo que é a minha visão para Lisboa.

Mas esta é uma questão que suscita dúvidas aos leitores. E outra questão é o facto de duas ex-parceiras de coligação estarem agora a concorrer uma contra a outra, isso é factual. Pergunto se não teria sido mais vantajoso para a direita, PSD e CDS unirem esforços contra o PS?
Não tenho essa perspetiva, não me revejo nessa expressão “a direita”, acho que o mais importante é que eu sou candidata à cidade de Lisboa, tenho um programa.

Não teme que haja dispersão de votos em benefício do PS?
Há cinco ou seis candidaturas, naturalmente as pessoas escolherão aquele que é o candidato em que confiam.

Então deixe-me repetir para ficar esclarecido, fica como vereadora se não ganhar as eleições? Actualmente é vereadora, desde 2013, foi eleita…
Estive disponível para retomar este circuito não é para falar de coisas que não têm rigorosamente nenhum interesse… Respeito o trabalho dos jornalistas mas os jornalistas muitas vezes centram-se noutras coisas, considerando que o que interessa às pessoas são determinadas questões… não concordo. Vamos falar de programa, de projetos para a cidade de Lisboa. Daquilo que eu defendo para a cidade de Lisboa.

Então posso assumir que está a equacionar que não ficar como vereadora.
Não pode assumir coisa nenhuma. Pode assumir que eu estou disponível para falar do meu projeto para a cidade de Lisboa.

PSD e CDS são adversários nesta campanha a Lisboa. Tem algum pacto de não-agressão com Assunção Cristas?
Aplaudo todos os candidatos tenham eles a visão que tiverem. Temos é visões diferentes. Essa é a questão fundamental. A minha forma de estar na vida e na política não necessita de pactos de não-agressão. Porque não atuo em circunstância alguma com agressão, apenas defendo as minhas ideias estratégicas. É isso que quero para a cidade de Lisboa neste período de campanha autárquica, para que as pessoas possam escolher em consciência conhecendo os projetos de cada um. O importante é saberem o que é que me distingue de Fernando Medina.

Mas também têm de a distinguir de Assunção Cristas, porque senão votavam numa ou noutra.
Sou a candidata do maior partido português, que tem o maior grupo parlamentar português. Mas sobretudo tenho um projeto para a cidade de Lisboa e tenho uma visão estratégica para a cidade de Lisboa, que é distinta da visão de Fernando Medina. E é importante que eu apresente as linhas de orientação da minha candidatura.

Quando, em março, foi anunciado que seria Teresa Leal Coelho a candidata do PSD a Lisboa, o Observador noticiou que enquanto vereadora, não esteve em 91 das 153 reuniões de câmara do atual mandato, e o facto de voltarmos a este tema irrita a candidata. Explica que a questão das faltas — que não são faltas, mas sim substituições continua a alegar, é uma “falsa questão”. A vereadora explica que as reuniões camarárias, por os deputados municipais serem eleitos em lista, ao contrário das reuniões parlamentares na Assembleia da República (onde é presidente de uma das comissões mais relevantes, do Orçamento e Finanças) permitem que quando um não pode ir, se faça substituir pelo nome que lhe segue na lista. “Os vereadores da oposição não têm pelouro. Aquilo que se vai discutir e decidir na reunião da câmara pode ser preparado fora da reunião da câmara. Quando me faço substituir muitas vezes dou instruções relativamente à posição e ao sentido de voto“, diz.

Alguma vez optou por não ir ao Parlamento e ir a reunião de câmara quando eram em simultâneo?
Optei, optei quando foi o orçamento da câmara. Não falto a esse momento fulcral. Faltei à reunião do Parlamento e nessas não me posso fazer substituir, ao contrário do que acontece nas reuniões de câmara em que somos eleitos em lista, o que significa que aqui há uma equipa concertada. Mas sim, cheguei a faltar a trabalhos parlamentares para ir discutir e votar o orçamento da câmara. Tudo o resto é uma falsa questão.

De resto, Teresa Leal Coelho repete por diversas vezes as suas capacidades e competências enquanto pessoa que está na política de forma meramente “transitória”.

"Deixei muitas marcas na sociedade que mudaram a vida das pessoas. E tenho capacidade de fazer com que o Governo siga o rumo que defendo para Lisboa"

Huaweigate. “Nunca aceitei esse tipo de convites, julgo que não aceitaria, mas muitas vezes servem para promover economia”

Em maio, Teresa Leal Coelho tinha anunciado que todos os candidatos do PSD na capital (sejam das listas às juntas, à câmara ou à Assembleia Municipal) teriam de assinar uma “carta de compromisso ético e de transparência” para garantir que todos os lisboetas venham a saber onde é gasto “cada tostão”. À passagem do Smart pela Avenida Fontes Pereira de Melo, onde fica o Hotel Sana, onde o PSD — e o PSD Lisboa, em particular — organiza a maior parte dos seus eventos, perguntamos a opinião de Teresa Leal Coelho sobre os ajustes diretos que três presidentes de junta do PSD fizeram recentemente a militantes ou empresas militantes do partido. Teresa Leal Coelho garante que a tal carta de compromisso será assinada e todos os que não a cumprirem serão “responsabilizados”.

Quanto aos ajustes diretos, prefere falar do recente ajuste direto feito pelo executivo de Fernando Medina no valor de 5,8 milhões e euros para a obra do miradouro de São Pedro de Alcântara — “a três meses das eleições”. Acaba por dizer, contudo, que “todos os casos que porventura suscitem dúvidas devem ser investigados”. “E isso vale para todos”.

Ex-administradora da SAD do Benfica/Vale e Azevedo. "Se me tivesse apercebido tinha denunciado"

Teresa Leal Coelho foi administradora da SAD do Benfica, com Vale e Azevedo, no início dos anos 2000. Foi selecionada por um headhunter (caça-talentos) e reitera que se orgulha muito do trabalho que desenvolveu no Benfica no plano dos recursos humanos. “Nunca estive nos assuntos jurídicos como dizem”. Vale e Azevedo foi detido e condenado a seis anos de prisão em 2001 por se ter apropriado de 640 mil euros da transferência de Ovchinnikov, a que se seguiu o caso da venda dos terrenos sul do Benfica à empresa Euroárea, que permitiu que o antigo presidente se apropriasse de cinco milhões de euros.

Nunca se apercebeu dos negócios de Vale e Azevedo?
Nem de negócios de Vale e Azevedo, nem de Ricardo Salgado nem de Sócrates. Se me tivesse apercebido tinha denunciado, naturalmente, não é? Alias, muitas medidas foram adotadas no âmbito do meu desempenho no Benfica por exigência minha, como o facto de as eleições em que Manuel Vilarinho ganhou terem sido monitorizadas por uma entidade externa. Fiz muitas outras denúncias quando estive no Benfica, e muitas outras faria se tivesse tomado conhecimento delas.

Hoje temos conhecimento que algumas pessoas exerceram funções seja na política, futebol, economia, finanças, banca, apropriando-se de recursos que não eram seus, e isso é absolutamente lamentável. Agora, para que fique absolutamente claro, julgo que as pessoas depois de começarem a ser revelados vários casos de fraude, corrupção e branqueamento de capitais, ficaram surpreendidas porque tal como eu achavam que a maior parte das pessoas eram sérias.

Sobre o caso da viagem à China para visitar a Huawei oferecida a Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Teresa Leal Coelho prefere remeter o caso para a Justiça, que está a investigar. Mas questiona sobre se aceitaria este tipo de ofertas, é perentória: “Nunca aceitei, e julgo que nunca aceitarei, mas muitas vezes esses convites servem efetivamente para promover economia e dinamizar economia”.

Há três atuais presidentes de juntas de Lisboa, e também recandidatos, Luis Newton, Vasco Morgado e Fernando Braamcamp, que fizeram ajustes diretos de mais de 1 milhão de euros a militantes ou empresas militantes do PSD. Não vê isto como uma falta desse tal compromisso ético, como uma incompatibilidade?
De que eu tenha conhecimento os processos que refere, são processos que estão em investigação. E vamos aguardar pelas conclusões desses processos, até para o apuramento da verdade porque eu não conheço esses factos, portanto vamos esperar…

Pensou em afastá-los? Ou em função da investigação pensa em afastá-los? Equaciona?
Não me vou pronunciar sobre essa matéria. São processos que estão em investigação, e relativamente aos quais os esclarecimentos terão de ser dados, se é que aconteceram.

Os próprios confirmam os ajustes diretos. A questão aqui é saber se há uma incompatibilidade, se isto é normal, se faria o mesmo, ou se vê algum problema ético.
Ainda bem que me fala em ajustes diretos, sabe porquê? Porque há três meses este executivo camarário fez um ajuste direto de 5.800.000 euros para uma intervenção numa obra ali na colina de São Pedro de Alcântara. O que é que isto significa? Significa que as pessoas que votarem neste executivo, vão votar num executivo que a três ou quatro meses de eleições autárquicas faz um ajuste direto para realização de uma obra que os relatórios do LNEC (seja de 2006, 2010 ou 2015) considera necessária mas não urgente, não estava em risco de poder ruir ou o que quer que seja. A lei a permitir, quando permite, é por razões de necessidade urgente.

Se critica este ajuste direto na câmara também critica a prática feita por estes atuais presidentes de junta.
Mas vamos falar da câmara porque eu sou candidata à Câmara Municipal de Lisboa.

Mas as juntas de freguesia também estão incluídas na Câmara de Lisboa.
Mas esta questão é absolutamente fundamental e espelha o meu pensamento. A empresa [Teixeira Duarte] a quem foi feito este ajuste direto, um mês depois de o ter assinado dirigiu à câmara um pedido de reforço de despesa por obras extra-contratuais. A Câmara Municipal de Lisboa optou, escolheu, e fez um ajuste direto para uma intervenção para obras não urgentes. Para quantas isenções de IMI isto daria? Mas para dizer que não respondo à sua pergunta, no que diz respeito à minha perspetiva do que é o exercício de ação política, é uma perspetiva claramente de acordo com a lei, com a transparência, pelo que considero que todos os casos que porventura suscitem dúvidas devem ser investigados. E isso vale para todos.

Um destes presidentes de junta, e candidato, Luís Newton, assim como colegas seus deputados, e presidentes de câmara, foram a viagens à China pagas pela Huawei. Condena essa atitude? Esse tipo de ofertas a políticos?
Não conheço os processos, vamos aguardar. Pode é fazer-me outra pergunta: se eu aceito esse tipo de convites.

Aceita? Aceitaria?
Nunca aceitei, e julgo que nunca aceitarei, mas muitas vezes esses convites servem efetivamente para promover economia e dinamizar economia. O que posso dizer é que no passado nunca aceitei, e julgo que nunca aceitarei, mas há investimentos que se fazem para promover economia.

"A Emel é uma bolsa de receitas para sustentar a Carris"

Transportes. “Presidente da câmara deve bater o pé em relação ao Metro”

A candidata do CDS a Lisboa, Assunção Cristas, saltou para as páginas dos jornais quando propôs, em pleno debate quinzenal no Parlamento, que o Metro de Lisboa fosse alargado em 20 novas estações até 2030. Teresa Leal Coelho nunca apoiou a proposta, e agora acrescenta um indicador para o justificar: a gestão do Metro cabe ao Governo, por isso cabe ao presidente da câmara de Lisboa “bater-se” primeiro junto do Governo pela melhoria do serviço. Alargamento só depois. Por esta ordem. Mas a sua proposta é clara: concessionar, tanto o Metro como a Carris, para desonerar os contribuintes desse peso e para evitar que a “Emel funcione como bolsa de receitas para sustentar a Carris”.

CCB. "Administração socialista recebeu ordens para correr com todas as pessoas ligadas a Santana Lopes"

Em 2006, quando era Fraústo da Silva o presidente da Fundação do Centro Cultural de Belém, Teresa Leal Coelho era responsável pela área comercial do CCB. Veio a ser despedida pela administração que se seguiu e envolvida num processo judicial cuja acusação apontava para “abuso de funções e utilização abusiva do nome da instituição”, alegadamente por querer favorecer a SIC de Emídio Rangel. Foi considerada culpada num processo que diz “ridículo” e que justifica como “saneamento político”.

O CCB traz-lhe boas recordações?
Excelentes. Tenho muito orgulho no trabalho que desenvolvi aqui no CCB. Isto era um elefante branco quando eu entrei, quando saí os resultados de exploração das atividades comerciais, que era o pelouro que eu tinha, sustentavam 52% do orçamento de funcionamento do CCB.

Houve depois um processo judicial, foi acusada de favorecimento a amigos.
Aquilo de que fui acusada pela administração socialista do CCB — que recebeu instruções do então ministro da Cultura para “correr”, expressão dele, “com todas as pessoas que estivessem ligadas a Santana Lopes” –, foi de ter favorecido a SIC e a direção de programas da SIC. Mas é ridículo considerar-se que como diretora de atividades comerciais eu favoreci a SIC, apenas porque estabeleci um protocolo em que a SIC nos dava espaço de publicidade para os nossos eventos e nós davamos-lhes espaço físico para os eventos deles. Sabe quanto custa um minuto de televisão e sabe quanto custa uma sala no CCB? Francisco Pinto Balsemão foi minha testemunha nesse processo e levou precisamente essas contas, mostrando que aquilo em que o CCB tinha sido beneficiado em termos económicos era extraordinário em relação àquilo em que a SIC tinha sido beneficiada.

A sua ideia é melhorar o serviço e não alargá-lo como quer Assunção Cristas?
Eu fui claríssima, a minha prioridade é melhorar o serviço de Metro e da Carris, naturalmente. Embora o melhoramento do metro dependa do Governo, mas vou bater-me pelo melhoramento do serviço. Quanto ao alargamento das estações temos de ter razoabilidade e ter condições de sustentabilidade. Onde é que vamos buscar o dinheiro para o alargamento das estações de metro?

Então consigo o metro não vai às Amoreiras e a Campo de Ourique, por exemplo?
Comigo, a primeira prioridade é melhorar os serviços do Metro e da Carris, e depois promover o alargamento. Aliás, como bem sabe aquilo que defendo é a concessão tanto do Metro como da Carris para libertar os cidadãos em Lisboa desse encargo megalómano que depois leva a angariação de receitas por via da Emel, que financia a Carris.

O Presidente da República fez um favor ao PSD ao travar a proposta de alteração à lei que impedia a possibilidade da câmara de vir a concessionar a Carris a privados? Consigo a Carris será concessionada.
Não concordo com o enquadramento. O Presidente da República é um cargo institucional, que exerce com sentido de Estado as suas funções e eu não posso interpretar as suas ações como um favor a A ou B. No que diz respeito ao metro e à Carris o que defendo é a concessão. Não só defendemos como chegámos a concretizar a concessão, a conseguir parceiros em condições muito vantajosas para as pessoas que usam transportes públicos em Lisboa e sobretudo para os contribuintes, porque os desonerava de encargos. Porque evitava-se que se utilizasse a Emel como bolsa de receitas para sustentar a Carris.

Chegámos ao fim de uma viagem atribulada. Atribulada no tom, atribulada no tempo, atribulada no calor. Mas não resistimos a uma última pergunta.

Preferia que tivesse ido aqui sentado Pedro Santana Lopes?
Não, estou totalmente empenhada nesta candidatura a Lisboa. Estou convencida de que muitos eleitores em Lisboa, conhecendo o meu programa e o meu perfil tenderão a votar em mim como alternativa a Fernando Medina. Quero também acordar muitos dos abstencionistas que estão adormecidos, porque veem que uma parte da cidade de Lisboa está esquecida e que as pessoas não foram a prioridade deste executivo. Foram dez anos de executivo socialista que ignorou a ação social, e comigo isso será muito diferente. Estou convencida de que irei conseguir colocar muita gente a votar, não só em mim mas a a votar saindo desse patamar da abstenção para o patamar da participação pública.

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