Festa de anos, jantar de Natal ou “réveillon”. Saiba que monumentos pode alugar (e quanto custa)

14 Novembro 2017194

Jantar na Sala do Baluarte da Torre de Belém? 7.500 euros. Há dezenas de monumentos disponíveis. Mas o Governo vai restringir "fortemente" o aluguer após o polémico jantar no Panteão.

O evento exclusivo (e polémico) da Web Summit no Corpo Central do Panteão Nacional não foi o primeiro que lá decorreu. Antes, também a Associação de Turismo de Lisboa e a NAV (empresa pública) ali organizaram jantares e eventos. Era possível? Era. Um despacho aprovado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, a 24 de junho de 2014, quando a pasta da Cultura estava nas mãos de Jorge Barreto Xavier, permitia-o.

Mas é provável que nos próximos meses deixe de ser possível. Esta terça-feira, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, disse que a utilização do Panteão Nacional, à semelhança de outros monumentos que “honrem a memória da nação”, será “fortemente restringida”.

Ao todo, há 23 monumentos tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural onde é possível organizar jantares, cocktails ou eventos — sejam eles académicos, culturais ou empresariais. E a procura é muita: segundo o Expresso, desde que Jorge Barreto Xavier aprovou o despacho para tabelar e regulamentar o aluguer de monumentos, a receita do Ministério da Cultura triplicou. Do total dos 2.140 milhões de euros arrecadados pelo Governo nos últimos seis anos, três quartos foram após a aprovação do referido despacho. Só o Governo de António Costa arrecadou 1.050 milhões.

Conheça aqui os monumentos (ainda) disponíveis para aluguer, quem sabe a pensar numa festa de anos, o jantar de Natal ou o réveillon. Quanto custa ? O que lá pode fazer? Em que espaço?

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa)

Não há jantares, só eventos culturais

Fachada da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Direção-Geral do Património Cultural

O edifício, que venceu o Prémio Valmor de arquitetura em 1905, foi durante anos a casa e atelier do pintor José Malhoa. Em 1932, mudar-se-ia para lá o médico e colecionador de arte Anastácio Gonçalves. Após a morte de Anastácio Gonçalves, em 1965, o edifício e a respectiva coleção (cerca de 3.000 obras de arte) foram legados ao Estado. A Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves abriu no começo da década de 1980. Hoje, é possível encontrar na Casa-Museu, por exemplo, pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, nomeadamente um conjunto de desenhos e aguarelas pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

Não é possível organizar um jantar ou cocktail na Casa-Museu. Mas é permitida a organização de eventos culturais ou académicos no atelier e Salão Nobre. Custo? 1.000 euros. Mais dispendiosa é a utilização do espaço para filmagens comerciais: 2.000 euros.

Convento de Cristo (Tomar)

22 salas para alugar, mas nem todas para cocktails

Convento de Cristo

Direção-Geral do Património Cultural

A rodagem de um filme no Claustro Principal do Convento de Cristo, em Tomar, custa 5.000 euros. Em junho deste ano, e depois de Terry Gilliam (um dos fundadores dos Monty Python) lá ter rodado “O Homem que Matou D. Quixote”, um funcionário não identificado do Convento de Cristo denunciou à RTP que o Claustro Principal deste monumento inscrito na lista de Património Mundial da UNESCO ficou com “pedras danificadas e árvores totalmente cortadas pela raiz”. Um outro funcionário, também não identificado, acrescentou que a equipa de filmagens “andou no teto da charola [da igreja]” deixando “telhas partidas por todo o lado”. A Direção-Geral do Património Cultural resolveu abrir um inquérito. Mas explicou na altura que os estragos tinham acontecido “por acidente”. Também a produtora do filme garantiu que todas as modificações feitas no Convento tinham sido autorizadas – algo que a direção do Convento desmentiu.

A Direção-Geral do Património Cultural disponibiliza no Convento de Cristo 22 espaços distintos para aluguer. Na maioria deles, é certo, não são permitidos jantares ou cocktails, eventos culturais, académicos ou comerciais. Olhando aos preços, é mais “económico” (1.000 euros) jantar na Sala das Talhas, com uma lotação para 80 pessoas, do que organizar um evento cultural na Horta dos Frades, o espaço (com uma lotação máxima de 1.000 pessoas) mais dispendioso de todos: 7.500 euros.

Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha)

250 euros para festa ao lado de túmulos de D. João I e D. Filipa

Mosteiro da Batalha

Direção-Geral do Património Cultural

Este monumento gótico memorial da batalha de Aljubarrota e panteão régio (estão lá os túmulos de D. João I e D. Filipa de Lencastre) tem somente três espaços disponíveis para aluguer: o auditório, o Claustro Real e as Capelas Imperfeitas. É possível organizar nestas últimas um cocktail por somente 250 euros, por exemplo. Mais avultada é a despesa em caso de evento social (5.000 euros) ou jantar (1.000 euros) no Claustro Real.

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória (cuja construção teve início em finais do século XIV e prolongou-se por mais de 150 anos) é Património da Humanidade definida pela UNESCO desde 1983. Foi até à das ordens religiosas, em 1834, a “casa” da ordem de S. Domingos.

Mosteiro de Alcobaça (Alcobaça)

Mil pessoas podem jantar no dormitório

Mosteiro de Alcobaça

Direção-Geral do Património Cultural

Eventos sociais, infantis ou comerciais são proibidos nas dependências medievais do Mosteiro de Alcobaça, mas aceites no Mosteiro de Alcobaça os académicos ou culturais. Mas é possível fazer um jantar para cerca mil pessoas no dormitório por 3.000 euros e um cocktail por metado do preço nos claustros (da Hospedaria ou da Portaria, onde podem conviver entre 100 e 200 pessoas).

O Mosteiro de Alcobaça foi erguido, em meados do século XVII, por monges da Ordem de Cister. Os terrenos tinham sido oferecidos, em cumprimento de uma promessa, à Ordem por D. Afonso Henriques aquando da conquista de Santarém. O Mosteiro de Alcobaça é considerado um dos primeiros edifícios de arquitetura gótica em Portugal, e foi inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO em 1983.

Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa)

Aqui é preciso puxar da carteira: mínimo, 10 mil euros

Vista da fachada sul

Direção-Geral do Património Cultural

O Mosteiro dos Jerónimos — ou Real Mosteiro de Santa Maria de Belém — foi fundado pelo rei D. Manuel I no início do século XVI. E seria habitado por monges Jerónimos até ao segundo quartel do século XIX. Este é um dos monumentos sob a alçada Direção-Geral do Património Cultural onde é mais caro organizar, por exemplo, um jantar (ou um casamento) como o que decorreu no Panteão.

No antigo Refeitório Régio, o preço chega aos 20.000 euros, e o preço duplica nos Claustros. Um cocktail no Jardim Interior custa 10.000 euros. São igualmente permitas filmagens (para cinema, televisão ou publicidade) nestes três espaços, assim como eventos culturais. Proibidos são todos e quaisquer eventos de cariz infantil, social ou comercial neste monumento de estilo manuelino listado como Património Mundial da UNESCO desde a década de 1980. Que tem os túmulos de Camões e Vasco da Gama.

Museu da Música (Lisboa)

Muitas restrições e só eventos culturais

Entrada do Museu

Direção-Geral do Património Cultural

No Museu Nacional de Música, onde a entrada se faz discretamente pela estação de Metro do Alto dos Moinhos, é proibida a organização de jantares ou cocktails, talvez por o espaço ser um dos mais exíguos desta lista tutelada pela Direção-Geral do Património Cultural. Antes, o museu teve sucessivas sedes: o Conservatório Nacional, o Palácio Pimenta, a Biblioteca Nacional ou o Palácio Nacional de Mafra.

O museu possui uma das coleções mais ricas de instrumentos musicais de toda a Europa, sobretudo dos séculos XVI a XX: instrumentos de tradição erudita e popular — alguns deles classificados como Tesouros Nacionais. O que é que é permitido alugar no Museu Nacional de Música? A Sala Polivalente e o Átrio. Mas somente para eventos culturais ou académicos.

Museu de Arte Popular (Lisboa)

1750 euros para jantar, 750 para cocktails

Fachada principal do Museu de Arte Popular

Direção-Geral do Património Cultural

Inaugurado em 1948, o Museu de Arte Popular nasceu da reformulação do antigo pavilhão da “Secção da Vida Popular”, criado para a Exposição do Mundo Português de 1940. Durante décadas, as cinco salas da exposição permanente (“Entre Douro e Minho”, “Trás-os-Montes”, “Algarve”, “Beiras”, “Estremadura e Alentejo”) recriaram as várias regiões do País. As diferentes coleções de arte popular que constituem a totalidade do acervo do museu foram, contudo, transferidas para o Museu Nacional de Etnologia e apenas é possível visitar as pinturas murais (de Carlos Botelho, Eduardo Anahory, Estrela Faria, Manuel Lapa, Paulo Ferreira e Tomás de Mello) que se encontram na receção.

Três das salas (“Beiras”, “Estremadura e Alentejo” e “Algarve”) estão disponíveis para aluguer e organização de jantares e cocktails, por exemplo. Preço? 1.750 euros um jantar; 750 um cocktail. A lotação máxima dos espaços não é divulgada no despacho da Direção-Geral do Património Cultural.

Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (Lisboa)

Eventos académicos ou culturais entre 300 a 500 euros

Fachada do Museu do Chiado

Direção-Geral do Património Cultural

Organizar um jantar no Jardim de Escultura (o único espaço do Museu do Chiado onde tal é permitido) custa 1.250 euros. Um cocktail naquele espaço ou no hall sairá mais em conta: 750 euros. A organização de um evento académico ou cultural neste espaço que possui uma importante coleção (de pintura, escultura, desenho ou fotografia) de arte contemporânea portuguesa — de 1850 à atualidade — custa entre 300 e 500 euros. Tudo o mais, como eventos infanis, sociais ou comerciais, por exemplo, são proibidos pela Direção-Geral do Património Cultural.

Museu de Grão Vasco (Viseu)

Aqui a regra é ver os eventos caso a caso

Fachada do Museu Grão Vasco

Direção-Geral do Património Cultural

Ao contrário da maioria dos museus tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural, o Grão Vasco não se encontra em Lisboa mas em Viseu. O acervo do Museu de Grão Vasco contém maioritariamente pinturas de retábulo — provenientes da catedral da cidade ou de igrejas da região –, mas inclui ainda peças de arqueologia, exemplares de faiança portuguesa, porcelana oriental e mobiliário.

Jantar no Museu de Grão Vasco não é possível. E organizar um cocktail só mesmo no claustro ou no pátio: 1.000 euros é o custo do aluguer do primeiro, 750 o do segundo. Organizar eventos culturais nestes espaços está dependente de uma “análise casuística” por parte da Direção-Geral do Património Cultural.

Museu Monográfico de Conímbriga (Condeixa-a-Velha)

Ruínas estão obviamente interditas. Mas há um auditório

Casa de Cantaber

Direção-Geral do Património Cultural

Não é possível organizar um jantar ou cocktail nas ruínas romanas (há registos de o local ter sido habitado ainda no século IX a.C) descobertas em Conimbriga. Aliás, não é possível organizá-los em nenhum dos espaços (maioritariamente auditórios) disponíveis para aluguer no Museu Monográfico de Conimbriga.

O que é possível alugar então? Eventos académicos e culturais. O alugar do Auditório das Termas do Aqueduto, por exemplo, faz-se por 250 euros. Conimbriga está consagrada como monumento nacional desde 1910.

Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa)

Preços a partir de 100 euros

Sala do Tesouro

Direção-Geral do Património Cultural

Fundado em 1893, o Museu Nacional de Arqueologia (outrora Museu Ethnográfico Português) está instalado desde 1903 no antigo dormitório do Mosteiro dos Jerónimos. José Leite de Vasconcelos, o fundador e primeiro diretor, queria que aquele fosse um “Museu do Homem Português”. O acervo do museu possui núcleos de arqueologia dos períodos pré e proto-histórico, romano, árabe e medieval, etnografia, ourivesaria, epigrafia pré-latina e latina, escultura ou mosaicos.

Jantares e cocktails apenas são permitidos no Salão Nobre do museu, com um preço de 2.000 e 750 euros, respetivamente. Os eventos académicos e culturais também são permitidos, tanto no Salão Nobre como no Pequeno Auditório – variando os preços entre os 100 e os 500 euros.

Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa)

Os jardins estão à disposição

Painéis de São Vicente

Direção-Geral do Património Cultural

Organizar um jantar por 2.500 euros no Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga? É possível. Um cocktail no Átrio das Janelas Verdes por 2.000? Também é. Por sua vez, um evento cultural no auditório custa 2.500 euros a quem o pretender organizar .

Fundado em 1884, o Museu Nacional de Arte Antiga alberga a mais completa coleção pública do país: pintura, escultura, artes decorativas – portuguesas, europeias e da Expansão –, desde a Idade Média até ao século XIX. Entre elas, destacam-se os Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV, os Biombos Namban, do final do século XVI, onde se regista a presença dos portugueses no Japão, as Tentações de Santo Antão, de Bosch, exemplo máximo da pintura flamenga do início do século XVI, assim como importantes obras de Memling, Rafael, Cranach ou Piero della Francesca.

Museu Nacional de Etnologia (Lisboa)

Comer ou beber não, seminários sim

Fachada do Museu Nacional de Etnologia

Direção-Geral do Património Cultural

Sentar-se à mesa para comer ou “bebericar” no Museu Nacional de Etnologia? Não é possível. Só são autorizados eventos culturais nas salas de seminário e do auditório a preços que variam entre 120 e 750 euros.

Mas valerá sempre a pena visitar a coleção permanente do museu, constituída por sete núcleos: o teatro de sombras de Bali; as bonecas do sudoeste de Angola; as tampas de panelas com provérbios de Cabinda; máscaras e marionetas do Mali; instrumentos musicais populares Portugueses; as talas de Rio de Onor e a escultura de Franklim.

Museu Nacional do Azulejo (Lisboa)

E que tal experimentar o Jardim de Inverno? São só 500 euros

Claustro D. João III

Direção-Geral do Património Cultural

Organizar um jantar no Claustro D. João III do Museu Nacional do Azulejo custa 3.000 euros. Mais económico é organizá-lo no Jardim de Inverno: 500 euros. Caso queira mesmo, mesmo desfrutar do claustro, saiba que um cocktail se pode organizar por 1.000 euros — podendo o espaço acolher até 250 pessoas.

Fundado em 1965, a coleção deste museu abrange a produção de azulejos da segunda metade do século XV até à atualidade. Além do azulejo, a coleção integra peças de cerâmica, porcelana e faiança dos séculos XIX a XX. O Museu Nacional do Azulejo está instalado no antigo Convento da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor.

Museu Nacional do Teatro (Lisboa)

Proíbidos os eventos sociais

Fachada do Museu Nacional do Teatro

Direção-Geral do Património Cultural

O Museu Nacional do Teatro e Dança até pode acolher eventos culturais – quem sabe teatro, quem sabe dança – e académicos. Disponíveis estão o auditório, por 500 euros, e o átrio exterior do palácio, por 750. Jantar ou organizar um cocktail não é permitido. Tal como não são permitidos eventos “sociais”.

A exposição permanente do Museu Nacional do Teatro e Dança inclui peças das mais diversas origens: trajes de cena desenhados por artistas como Almada Negreiros ou Paula Rego; figurinos originais desenhados por Maria Keil, Bernardo Marques, Mário Cesariny ou Pedro Calapez; maquetas de cenário concebidas por Carlos Botelho, Jorge Barradas ou José Pacheco; retratos e esculturas originais de gente do teatro pintados ou esculpidos por Columbano, Tagarro ou Soares dos Reis e muitos outros objetos e documentos que representam uma parte significativa da História do Teatro e das Artes do Espetáculo em Portugal. Existe desde 1982 e está hoje instalado no Palácio do Monteiro-Mor, um edifício do século XVIII.

Museu Nacional do Traje (Lisboa)

Até o pinhal é possível alugar, mas não para moda

Fachada do Museu Nacional do Traje

Direção-Geral do Património Cultural

O Museu Nacional do Traje possui 12 espaços para alugar, desde salas de reuniões, e até um pinhal. Curiosamente, alugar um destes espaços para organizar um desfile de moda — que a Direção-Geral do Património Cultural inclui na categoria “eventos especiais” — só é possível após “análise casuística”. O mesmo para festas infantis. Mas, no exterior do museu é possível organizar um cocktail no Patamar do Repuxo por 250 euros. Um jantar na Sala Polivalente (que fica no edifício principal, o Palácio Angeja-Palmela) custa 400 euros. Mas a Direção-Geral do Património Cultural deixa um alerta em rodapé: “preços diferenciados entre sábados e domingos”.

O Museu Nacional do Traje reúne uma coleção de indumentária histórica desde o séc. XVIII até à atualidade. O jardim exterior tem 11 hectares.

Museu Nacional dos Coches (Lisboa)

Só no antigo Picadeiro e por preços reais

Novo Museu dos Coches

Direção-Geral do Património Cultural

Cocktails? Não. Eventos? Nem pensar. Nem culturais? E académicos? Nada. O Museu Nacional dos Coches apenas disponibiliza um espaço para aluguer: o Salão Nobre – situado no antigo Picadeiro Real –, e apenas o disponibiliza para jantares. Preço: 10.000 euros.

O novo Museu dos Coches custou mais de 35 milhões de euros e reúne uma coleção única no mundo de viaturas de gala e de passeio dos Séculos XVI a XIX, na sua maioria provenientes da Casa Real portuguesa. Foi fundado há mais de um século pela rainha D. Amélia.

Museu Nacional Machado de Castro (Coimbra)

Jantares só no pátio exterior

Fachada do Museu Nacional Machado de Castro

Direção-Geral do Património Cultural

Nos espaços mais emblemáticos — a Sala Hodart ou a Capela do Tesoureiro — do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, não é possível organizar jantares ou cocktails, apenas eventos académicos ou culturais, e os preços variam entre os 500 e os 2500 euros, respetivamente. Jantar é possível no pátio exterior. Custo: 2.500 euros. Cocktails? Por 500 euros é possível fazer um na sala polivalente.

O Museu Nacional de Machado de Castro deve a sua designação ao conimbricense (o mais notável representante da escultura portuguesa do século XVIII) que foi escultor régio nos reinados de D. José, D. Maria I e D. João VI: Joaquim Machado de Castro.

Museu Nacional de Soares dos Reis

Tem entre dez locais para fazer o seu jantar

Fachada do Museu Nacional Soares dos Reis

Direção-Geral do Património Cultural

O Museu Nacional de Soares dos Reis é o mais antigo museu público de arte do país: foi o próprio D. Pedro IV que o fundou em 1833 durante o Cerco do Porto. Tem uma dezena de espaços para alugar e em quase todos é permitido organizar um jantar ou cocktail. Os mais dispendiosos são o Jardim das Camélias e o Átrio da Cerca, onde um jantar (para uma média de 40 convidados) custa 1.000 euros. Um cocktail pode fazer-se por 250 euros na Sala Quadrada ou 700 na Sala do Picadeiro.

O Museu apresenta, na exposição permanente, pintura e escultura portuguesas do século XIX e da primeira metade do XX, sendo de destacar as obras do escultor Soares dos Reis e do pintor Henrique Pousão.

Palácio Nacional da Ajuda

Só não é possível alugar a capela

Fachada do Palácio Nacional da Ajuda

Direção-Geral do Património Cultural

Sala D. Luís? Sala D. João VI? Sala dos Archeiros? É escolher… Até porque no Palácio Nacional da Ajuda só a antiga capela é que não está disponível para aluguer. Organizar um jantar na Sala D. Luís custa 7.500 euros e um cocktail na Sala D. João VI é mais “económico”: 2.500 euros.

Situado no alto da colina da Ajuda, o Palácio integra importantes coleções de artes decorativas dos séculos XVIII e XIX: ourivesaria, tapeçaria, mobiliário, cerâmica, pintura ou escultura. Mais recentemente, acolheu (e acolherá até 8 de janeiro) uma exposição com as obras de Joan Miró, propriedade do Estado português. O Palácio Nacional da Ajuda foi residência oficial da família real portuguesa desde o reinado de D. Luís I (1861-1889) até ao final da Monarquia, em 1910. Foi aberto ao público como museu em 1968.

Palácio Nacional de Mafra

É possível comer e beber onde a realeza outrora o fez

Terreiro do Palácio Nacional de Mafra

Direção-Geral do Património Cultural

Na Capela do Campo Santo não há jantares nem cocktails, ponto final. Eventos culturais? Sim, é possível. 2.000 euros é o custo. Mas no claustro, nas salas de Diana, do Trono, de Caça e dos Frades é possível comer e beber onde a realeza outrora o fez. O mais dispendioso (6.000 euros) é jantar na Sala do Trono; o mais “em conta” é preparar um cocktail para 300 convidados por 1.000 na Sala de Caça.

Mandado construir por D. João V para cumprir um voto de sucessão, o Palácio de Mafra é o mais importante monumento do barroco em Portugal. Tem 1.200 divisões, 4.700 portas e janelas e 156 escadas. Hoje, podem ser visitadas as coleções de escultura italiana, de pintura, a biblioteca, bem como os dois carrilhões, seis órgãos históricos na Basílica e um hospital do século XVIII.

Panteão Nacional

Jantar ao lado dos túmulos (ou cenotáfios) dos maiores da nação

Exterior da Igreja de Santa Engrácia

Direção-Geral do Património Cultural

O jantar exclusivo da Web Summit não foi o primeiro no Corpo Central do Panteão. Mas pode muito ser sido o derradeiro a ser lá realizado. Enquanto o Governo não revê o despacho que permite o aluguer do espaço, saiba que um jantar ao lado dos túmulos dos maiores da nação — ou cenotáfios, que são túmulos honorários, sem corpo — custa 3.000 euros e um cocktail fica pela metade a quem o preparar. Estão igualmente disponíveis para aluguer o Coro Alto, a Sala Sul, o Terraço e o Adro. Eventos culturais (a partir de 700 euros e até 1.500) são à vontade do freguês. Eventos académicos é que, curiosamente, só com “análise casuística” por parte da Direção-Geral do Património Cultural.

Fundado na segunda metade do século XVI, o Panteão Nacional está situado na zona histórica de Santa Clara, em Lisboa, e ocupa o edifício originalmente destinado para igreja de Santa Engrácia. Acolhe os túmulos de grandes vultos da história portuguesa.

Torre de Belém

Pode lá jantar sim: cabem 50 sentados, 250 de pé

Vista geral

Direção-Geral do Património Cultural

De todos os monumentos sob a tutela da Direção-Geral do Património Cultural, a Torre de Belém é certamente aquele que possui uma vista mais privilegiada. E é mesmo possível jantar com vista sobre o Tejo, na Sala do Baluarte. Custo do aluguer? 7.500 euros. Convidados? Até 80 sentados — e 250 de pé. Um cocktail no terraço do Baluarte custa 4.000 euros a quem o organizar – mas o espaço pode acolher até 400 pessoas.

Construída em homenagem ao patrono de Lisboa, S. Vicente, a Torre de Belém fazia parte de um sistema de defesa tripartida entre o baluarte de Cascais e a fortaleza de S. Sebastião da Caparica. Construída estrategicamente na margem norte do rio Tejo entre 1514 e 1520, a Torre de Belém é uma das joias da arquitetura do reinado de D. Manuel I. Nos quatro pisos da torre, mantêm-se ainda a Sala do Governador, a Sala dos Reis, a Sala de Audiências e, finalmente, a Capela com as suas características abóbadas quinhentistas.

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