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Viagens à Oracle e Huawei. Os problemas são éticos ou legais? 15 respostas para perceber os casos

Agosto 201731 Agosto 2017
Cátia BrunoJoão Francisco Gomes

Afinal quem pagou as viagens e as estadias?

Pergunta 11 de 15

China

Ao fim de um mês sobre as histórias das viagens à China publicadas pelo Observador, a Huawei resolveu desmentir que tivesse pago deslocações. A empresa chinesa disse-o claramente no que toca às viagens aéreas, não sendo clara no que se refere às estadias. Contudo, diversos testemunhos vão no sentido contrário. Quando o Observador publicou os primeiro artigos desta investigação, os primeiros visados como Sérgio Azevedo, deputado do PSD, Ângelo Pereira, vereador do PSD em Oeiras, Paulo Vistas, presidente da mesma câmara, ou Rodrigo Gonçalves, dirigente do PSD, confirmaram ao Observador que tinham feito a viagem e que todos os custos tinham sido suportados pela Huawei.

Mais tarde, o adjunto do secretário de Estado das Comunidades, Nuno Barreto, que também fez uma viagem paga pela empresa tecnológica, admitiu ao Observador que a Huawei pagou a estadia — hotel e refeições — mas que a viagem de avião foi paga do seu próprio bolso.

Apesar dos vários depoimentos, a Huawei tem insistido que não pagou nenhuma viagem à China. A primeira certeza parece ter chegado com a revelação mais recente — a da deslocação de quadros do Ministério da Saúde à China, em junho de 2015, para visitar um hospital de topo e a sede da Huawei. A NOS, enquanto empresa parceira da Huawei, já veio confirmar que pagou os bilhetes de avião para as deslocações. Quanto às estadias na China, tudo aponta para que tenha sido efetivamente a Huawei, quer diretamente, quer através de empresas parceiras. Até aqui, não houve um desmentido concreto relativamente ao pagamento de estadias em hotéis na China.

São Francisco

No que diz respeito às viagens a São Francisco ao evento anual da Oracle, há três despesas a ter em conta. Sobre uma há certezas: o ingresso no evento Oracle Open World, para o qual as delegações foram convidadas e cujo preço pode chegar aos 2.200 euros, foi pago pela própria Oracle. Já as viagens e estadias terão sido pagas por empresas parceiras da Oracle — pequenas e médias empresas portuguesas que são clientes da Oracle, que lhes fornece materiais e software, e que têm contratos públicos com o Estado português. Terá sido nessa qualidade — de clientes e parceiras — que essas empresas puderam levar ao evento da Oracle vários convidados, em que se incluem cinco altos quadros do Estado e ainda funcionários de empresas públicas e participadas pelo Estado.

Contactadas pelo Observador, as várias empresas portuguesas que convidaram os políticos portugueses para ir a São Francisco não se mostraram disponíveis para prestar esclarecimentos. Na Timestamp, que convidou Carlos Santos (da Autoridade Tributária), Diogo Reis (dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde) e Francisco Baptista (da Secretaria Geral da Administração Interna), a administração está de férias e não havia, esta terça-feira, ninguém disponível para falar sobre o assunto pela empresa.

Já na Normática (que convidou Carlos Oliveira e João Mota Lopes, ligados ao Instituto de Informática da Segurança Social), na IDW (que levou dois quadros da Caixa Geral de Depósitos) e na ITEN Solutions (que levou o diretor de serviços de Tecnologias de Informação da TAP), as administrações e os gabinetes de relações públicas das três empresas não se mostraram disponíveis para responder às questões do Observador.

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