A agenda europeia foi pouco discutida nesta segunda-feira de campanha eleitoral. Os principais candidatos, que muitas vezes se queixam que ninguém quer debater a sério os desafios da Europa, tocaram de raspão na questão da futuras responsabilidades do Banco Central Europeu ou na necessidade de captar mais milhões de Bruxelas.

O candidato do PS, Francisco Assis, até começa por falar dos temas europeus. Lembra que o PS (e os socialistas europeus) estão do lado de uma alteração dos poderes do BCE, que querem uma nova estratégia para o emprego, – na qual, lembra, Martin Schulz, o candidato à Comissão Europeia, se tem focado -, mas é quando passa para os temas nacionais que cria mais furor na campanha. “Mas se precisamos de uma mudança na Europa, também precisamos de uma mudança em Portugal e precisamos de uma mudança em Portugal porque este Governo começou numa mentira e acaba num estrondoso falhanço”, disse esta segunda-feira.

E o discurso do candidato alinha-se com o discurso do líder, que até preferiu salientar essa dimensão indissociável entre a realidade europeia e nacional. O lema do primeiro dia da última semana de campanha para as europeias podia resumir-se a uma frase de António José Seguro: “Não entende [Passos Coelho] que a política europeia e a política nacional exigem a mesma resposta para as mesmas prioridades”.

Se nos discursos o ritmo é semelhante, a ação na rua é diferente. Seguro até começou o dia antes de Francisco Assis. Uma falha na comunicação entre as duas equipa levou a que os secretário-geral do partido começasse a visita à lota da Figueira da Foz antes do candidato. Se o candidato é Francisco Assis, é Seguro quem mais fala com as pessoas, numa espécie de ensaio de campanha para as legislativas.

As europeias acabam assim por ser um pré-teste para as legislativas, pelo menos para Seguro: “É preciso derrotar o Governo e o único voto que derrota o Governo é o voto no PS”.

A discussão da Europa, na campanha do PSD-CDS, fez-se através dos fundos comunitários. Em Vila Real, após uma conversa com o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e breve visita aos novos laboratórios de solos inaugurados em Dezembro do ano passado, Paulo Rangel disse que este estabelecimento de ensino superior é uma referência ao ter conseguido, através de fundos comunitários, incrementar a sua oferta educativa e investir em recursos.

“Os institutos do interior não têm de viver no estigma do interior. Esta universidade tem 10 mil pedidos de análise de solos por anos e até a China lhes faz pedidos”, apontou. O eurodeputado garantiu que “há oportunidades no próximo quadro anual” e a Aliança Portugal quer “ser solução e não contestação”.

Na Adega Cooperativa de Valpaços, que tem uma capacidade de recepção diária de 300 mil quilos de uvas, Nuno Melo relembrou a mostra de vinhos Vinhos de Trás-os-Montes e Alto Douro que realizou em 2012 em Bruxelas e que suscitou surpresa junto de eurodeputados e funcionários do Parlamento Europeu pela elevada qualidade e variedade dos vinhos apresentados. Prometeu continuar a promover os interesses dos vinhos portugueses na União.

‘Pequenos’ questionam metas orçamentais da UE

Em campanha também estiveram os cabeças de lista do Bloco de Esquerda, da CDU e do Partido Livre. Marisa Matias esteve na feira de Espinho, uma das mais importantes da região norte do país, onde criticou o Contrato de Confiança apresentado pelo PS no sábado. “Não se pode defender o conjunto de compromissos que o PS definiu e, ao mesmo tempo, apoiar o Tratado Orçamental”. “É estar a enganar as pessoas”, insistiu.

João Ferreira, candidato da CDU, fez um apelo ao voto em Santarém contra os “partidos da troika”. “O voto útil para romper com o caminho das troikas nunca pode ser nos partidos da troika”. E aos indecisos pediu que não engrossem “o rio inconsequente da abstenção”.

O Partido Livre, por sua vez, inaugurou o único outdoor no país, no centro da praça do Saldanha, com o apoio do vereador José Sá Fernandes, da câmara de Lisboa. O cartaz, cujo custo foi 1.200 euros, destaca o que o candidato Rui Tavares tem repetido como slogan: “Para fazer diferente”.

Para o cabeça de lista, o “grande combate” nos próximos dias é “dar a conhecer o partido”. Rui Tavares aproveitou e deixou uma promessa para o dia seguinte às eleições europeias. “Dia 26 estaremos a falar com outros partidos e movimentos de esquerda para um memorando de desenvolvimento” para o país, o rascunho do programa eleitoral para as legislativas. Estão todos com os olhos postos em São Bento.