O exército tailandês deteve, na tarde desta sexta-feira, a primeira-ministra deposta Yingluck Shinawatra e vários dos seus familiares. Shinawatra esteve detida por algumas horas e depois foi transportada para paradeiro desconhecido, adianta a BBC. A ex-primeira-ministra havia sido convocada pela junta militar que assumiu o poder na quinta-feira, sem que o motivo desta convocação fosse claro, escrevia esta manhã a BBC.

Já hoje, o chefe do exército tailandês, Prayuth Chan-ocha, depois de se ter autoproclamado primeiro-ministro provisório, reuniu com os principais dirigentes públicos e militares. “Quero que os funcionários públicos ajudem a organizar o país. Temos de ter reformas económicas, sociais e políticas antes das eleições. Se a situação ficar calma, estamos prontos para devolver o poder ao povo”, disse Chan-ocha no fim do encontro.

Esta manhã, o Conselho Nacional para a Paz e Ordem, nome oficial da junta militar liderada por Prayuth Chan-ocha, informou em comunicado que o general assumirá as funções administrativas do cargo até que seja encontrado um novo candidato definitivo.

O secretário de estado norte-americano John Kerry disse que não havia justificação para o golpe e acrescentou que o apoio económico de 10 milhões de dólares pode ser suspenso. Ban Ki-moon, secretário geral da ONU, pediu a restauração imediata da ordem constitucional, civil e democrática.

Segundo a BBC, as principais consequências do golpe são as seguintes:

  • Recolher obrigatório entre as 22h e as 5h
  • Suspensão da Constituição de 2007, com exceção para o capítulo que diz respeito à monarquia
  • As reuniões políticas de mais de cinco pessoas foram proibidas e as penalizações para quem estiver em incumprimento incluem pena de prisão até um ano, e multas de 10 mil baht (cerca de 224 euros)
  • As redes sociais do país podem ser bloqueadas caso tenham conteúdo que seja considerado crítico para os líderes militares ou que incite à violência