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Bastaram três meses de existência para o Podemos, partido político espanhol lançado a 11 de Março de 2014, ganhar cinco assentos no parlamento europeu e converter-se na “grande surpresa” da jornada eleitoral do passado domingo.

Vários partidos emergentes em Espanha ambicionavam ter o factor surpresa nas eleições do dia 25 de Maio. Contudo, foi o partido de Pablo Iglesias, 35 anos, que conseguiu ao obter 7,96% dos votos (1,2 milhões).

Tal como o fenómeno Marinho e Pinto, em Portugal, com o Partido pela Terra (MPT), em que o candidato eleito admitiu ter mais “protagonismo do que o próprio partido”, Iglesias seguiu a mesma tendência. Quem tenha ido votar, ontem, em Espanha, terá tido uma surpresa ao encontrar a cara do líder partidário no boletim de voto, em vez do logótipo do partido. “Incomoda-me que a minha cara apareça nos boletins de voto? Não”, afirmou o candidato ao El País.

Apesar dos resultados positivos, Pablo Iglesias fez uma leitura muito pessimista. Para o novo eurodeputado, o vencedor da noite foi o PP. “Não há razões para estarmos contentes. Haverá mais desempregados e mais despejos e Merkel continuará a tomar medidas contra os cidadãos”, afirmou no discurso da vitória. E anunciou que, a partir desta segunda feira, iria trabalhar com outros partidos políticos do sul da Europa para dizer que “não quer ser uma colónia da Alemanha.”

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Entre os 14 e os 21 anos, Pablo Iglesias foi membro ativo da juventude comunista. Actualmente, é professor na Universidade Complutense de Madrid, local onde estudou Ciências Políticas e Direito. Dirige, também, o programa de opinião política na televisão Fort Apache, Política de Resistência, onde se “procuram novas fórmulas de comunicação política”.

As principais redes de televisão espanholas costumam dar destaque às opiniões do professor universitário e esta é uma das suas facetas mais criticadas. “São críticas justas. Eu também não gosto de pessoas que só aparecem na televisão para serem famosas”, admitiu ao El País. Iglesias justifica o uso desses espaços de comentário como soluções para colmatar a falta de financiamento do recém-nascido partido em comparação com o PSOE e o PP.

Com um orçamento limitado em comparação com outros partidos, um plano de campanha baseado nas redes sociais e a passagem da mensagem boca a boca, os três partidos minoritários de Espanha conseguiram colocar no parlamento todos os cabeças de lista.

Pablo Iglesias partiu os esquemas políticos da esquerda e direita espanhola. Num espaço de tempo muito reduzido, o partido recebeu mais de 1,2 milhões de votos no país. Tudo isto com uma mensagem clara: a crítica ao bipartidarismo.

Pablo Iglesias começou a corrida para o Parlamento Europeu com um comício em Berlim, dirigido aos “expatriados”. O El País refere que, apesar dos discursos e propostas muito focadas no socialismo, o líder partidário do Podemos evita ser ligado ao movimento 15-M, nascido num acampamento na praça da Puerta del Sol, em Madrid, em 2011.

Os resultados das europeias podem vir a abrir um novo cenário para as eleições municipais, regionais e nacionais que vão ocorrer em Espanha, em 2015.