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O Presidente da República sentiu-se mal nas comemorações do 10 de Junho enquanto fazia um discurso dirigido aos militares- o primeiro do dia. As comemorações estiveram interrompidas durante meia-hora, mas retomaram entretanto.

“O senhor Presidente da República sentiu uma reação vagal, da qual recuperou rapidamente, nunca tendo perdido a consciência e sempre manifestou intenção de concluir o seu discurso”, declarou à Lusa o major-general médico José Duarte, da Força Aérea, que assistiu esta manhã o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva. Na prática, uma “reação vagal”, significa uma quebra de tensão. O médico em causa é diretor de Saúde da Força Aérea, estava na tribuna e foi o primeiro médico a observar o Presidente e daí ter sido este médico a fazer o diagnótico. Cavaco Silva foi ainda acompanhado pela equipa médica da Presidência.

Durante cerca de meia-hora, Cavaco Silva foi assistido numa ambulância, no local da cerimónia. Quando regressou à tribuna, retomou o discurso precisamente no ponto em que estava, sem qualquer referência à indisposição. O Presidente voltará a falar, na sessão solene nos Paços do Concelho. A intervenção habitual do 10 de junho estava marcada para o meio-dia, agora terá um ligeiro atraso.

o susto

O Presidente da República estava a discursar durante a cerimónia de homenagem aos combatentes da Grande Guerra, no jardim José de Lemos, na Guarda, quando se sentiu mal. O Presidente estava visivelmente em esforço, falando mais alto do que o habitual enquanto que ao fundo se ouviam gritos de protesto. Cavaco Silva foi retirado da tribuna ao colo por quatro pessoas e levado para uma ambulância.

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Por longos minutos, a parada militar continuou no local, assim como as personalidades convidadas. O primeiro-ministro, Passos Coelho, saiu da tribuna por momentos, para saber do estado de saúde do Presidente.

Durante o tempo em que o Presidente esteve a ser assistido, os jornalistas foram afastados pelos seguranças do local onde estavam, perto do sítio onde o chefe de Estado estava a ser assistido.

Largos minutos depois, o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, dirigiu-se aos microfones para anunciar que Cavaco Silva “teve uma indisposição e vai voltar dentro de momentos”, pedindo também a quem estava “a perturbar as cerimónias” que tivesse “respeito por Portugal e pelas Forças Armadas”. Ao anúncio, ouviram-se aplausos da população presente na Guarda.

No local, os protestos contra o Governo – onde se vêem por exemplo os sindicatos de professores – continuaram, mas depois do aviso do CEMGFA acompanharam o resto do discurso do Presidente quase em silêncio.

Já não é a primeira vez que o Presidente da República se sente mal em público. Em 1995, durante a tomada de posse do Governo de António Guterres, Cavaco Silva, que estava a deixar o cargo de primeiro-ministro, sentiu-se mal no Palácio de Belém. Mais tarde, Cavaco Silva justificou o desmaio com as horas difíceis que tinha passado devido à morte do sogro.