Em Portugal, os preços dos bilhetes de comboio subiram mais do que os dos combustíveis, em 5,1 por cento. Os dados foram revelados esta quinta-feira pela Comissão Europeia no relatório bienal sobre a evolução do mercado ferroviário europeu e dizem respeito à informação recolhida entre 2005 e 2012.

Desde 2005, o preço do combustível aumentou mais 12% do que as tarifas ferroviárias. Na maioria dos países da União Europeia, as empresas de transportes praticaram subidas inferiores àquelas que se registavam no setor dos combustíveis, como na Suécia, Bélgica, Reino Unido ou Polónia. Nos dois primeiros países, o aumento do preço dos bilhetes foi inferior em cerca de 30% ao dos combustíveis.

Portugal integrou a listagem dos nove Estados-membros cujo aumento das tarifas ferroviárias foi superior ao do verificado nos combustíveis. A subida na Letónia chegou mesmo a superar os 50%, enquanto a portuguesa atingiu os 5,1 por cento.

Desde 2007 que o tráfico nos comboios tem vindo a crescer em Portugal, avançou a União Europeia. O índice de insatisfação dos portugueses face à pontualidade dos comboios ronda os 20%, apesar de os comboios regionais portugueses serem os segundos mais pontuais do ranking, com 98%  registar atrasos inferiores a três minutos. No índice de pontualidade dos comboios de longo curso, Portugal ocupa a penúltima posição, com 77% a registar um atraso superior a cinco minutos.

Tanto de apoios públicos como de receitas

Os caminhos de ferro europeus recebem anualmente 36 mil milhões de euros de apoios públicos, quase o mesmo valor que obtêm com a venda dos bilhetes. No geral, a atividade do setor tem vindo a crescer, mas a eficiência e a qualidade dos serviços ainda podem aumentar.

Apesar do “grande potencial” do caminho de ferro como modo de transporte ecológico e sustentável, Siim Kallas, Vice-Presidente da Comissão e responsável pela pasta dos transportes, considera que ainda são precisas “medidas arrojadas” para que o setor entre “em pleno no século XXI”.

Agilizar os procedimentos, aumentar os investimentos nas infraestruturas, impulsionar a investigação e a inovação, abrir à concorrência os mercados nacionais dos serviços interurbanos e generalizar os concursos públicos para a adjudicação dos contratos de serviços públicos são algumas das sugestões de Siim Kallas.

Mais passageiros internacionais, mais europeus a viajar de comboio, maior adesão à alta velocidade e a internacionalização de alguns grupos europeus estão a marcar a tendência na Europa.

Desde os anos 90, que há mais europeus a viajar de comboio, sobretudo no Reino Unido, onde se registou um crescimento de 70%, e na Suécia, que teve um acréscimo de 42%. Os serviços de alta velocidade já representam um quarto do tráfego total na UE, tendo em conta que o número de passageiros internacionais está a crescer e os principais grupos ferroviários europeus estão a internacionalizar-se.

A abertura à concorrência e a realização de concursos públicos podem aumentar a qualidade dos serviços e diminuir os custos, conclui o relatório, acrescentando que e os preços são mais baixos se houver concorrência entre empresas ferroviárias. Na linha Roma-Milão, em que operam duas empresas, os preços são inferiores entre 25% a 45% aos da linha Madrid-Barcelona, que ainda não foi aberta à concorrência.

Outro aspecto que é preciso melhorar, segundo o relatório, é a questão da mobilidade reduzida, porque 19% dos europeus não viajam de comboio por causa da acessibilidade. O quarto pacote ferroviário está atualmente em discussão na UE e a Comissão vai exigir um maior recurso aos concursos públicos.