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Amílcar Morais Pires poderá suceder a Ricardo Salgado como CEO do Banco Espírito Santo. Segundo o comunicado do enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o Espírito Santo Financial Group, (ESFG), que detém 25,1% do capital social do BES, anuncia a convocação de uma assembleia geral, a 31 de Julho, onde vai propor o nome de Morais Pires para a presidência executiva. Informações recolhidas pelo Observador indicam, no entanto, que ao contrário do que tem sido noticiado nas últimas horas, não é claro que o Banco de Portugal aceite o nome, que é tido como sendo demasiado próximo de Ricardo Salgado.

Além da indicação no novo líder da instituição, a ESFG indicou o nome de Paulo Mota Pinto para presidência do Conselho de Administração, ou seja, presidente não executivo. Mota Pinto, de 47 anos, é jurista, foi juiz do Tribunal Constitucional, e atualmente é deputado do PSD. É filho do fundador e antigo líder daquele partido, Carlos Alberto Mota Pinto. E foi mandatário da candidatura de Manuela Ferreira Leite à presidência do PSD. Preside ainda ao Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações, desde março de 2013, e ao Conselho Fiscal da Zon Optimus, onde é também administrador não executivo, segundo a declaração de interesses entregue na Assembleia da República.

Já Rita Barosa e Isabel Almeida são indicadas para o cargo de administradoras executivas. São ambas altos quadros do BES. Rita Barosa foi também secretária de Estado da Administração Local, no ministério então dirigido por Miguel Relvas. Sucedeu a Paulo Júlio e esteve apenas dois meses no cargo. São dois nomes tido como da confiança de Morais Pires.

O comunicado do Espírito Santo Financial Group diz ainda que vai ser propor a criação de um Conselho Estratégico que irá ajudar o Conselho de Administração na definição da estratégia do banco, e do qual passarão a fazer parte os antigos administradores da família Espírito Santo.

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A ESFG propõe que, para o novo órgão, sejam eleitos Ricardo Salgado, como presidente, José Manuel Espírito Santo Silva, José Maria Ricciardi, Ricardo Abecassis e Pedro Mosqueiro do Amaral. Todos estes responsáveis integram atualmente o conselho de administração do BES e vão manter-se em funções até à data da assembleia geral. Este conselho terá poderes apenas consultivos e entre as suas competências estará pronunciar-se sobre a utilização do nome Espírito Santo.

Além da aprovação dos acionistas, os nomes agora propostos têm de ser validados pelo Banco de Portugal.

Esta manhã, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) suspendeu a negociação das ações do Banco Espírito Santo e do Espírito Santo Financial Group até à divulgação de informação relevante sobre a saída de Ricardo Salgado da liderança do banco.

(Atualizado às 15h45)

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