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Cuidado galera: pelos vistos, La Pulga ganhou confiança e já não pára de saltitar. Em dois jogos na fase de grupos, os argentinos andaram às costas. Novidade, zero. Foram duas vitórias, um fogacho de inspiração de Lionel Messi em cada partida (dois golos) e um salto para os oitavos de final. A Argentina foi o que o seu capitão conseguiu ser. Mesmo. E frente à Nigéria, foi decisivo. Mais ainda. Desta vez, foram duas a bolas que acomodou nas redes dos outros.

Uma delas fica guardada na história deste Mundial. O golo até foi bonito, veio de um bom remate e o ponto de partida estava a 25 metros da baliza. Mas o importante é que veio de um livre direto — Messi tornou-se no primeiro jogador a marcar assim neste Mundial. Assim como? Coma bola a passar por cima da barreira, à antiga, pois no Suíça-França já Dzemaili o conseguira fazer, mas com a bola a passar por baixo. É importante? Nós achamos que sim, nem que seja pelo facto de, agora, haver a distração de ter um pedaço de espuma ao lado da bola (os árbitros marcam assim o local onde a bola deve ser batida e onde deve ficar a barreira dos jogadores adversários).

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Este foi o segundo golo de Messi, aos 46 minutos. Antes, aos 3’, já marcara o primeiro, cuja festa nem um minuto durou face ao golo de Musa, logo aos 4’. Vais tu, a seguir vou eu, foi assim a conversa da partida. Os argentinos atacavam muito, mais e melhor do que nas pálidas partidas que fizera contra a Bósnia e o Irão. Os nigerianos, porém, respondiam sempre. E até quando nada lhes era questionado. Resultado: o jogo terminou com 30 remates feitos e um 3-2 no marcador. Lionel apanhou os quatro golos que já tinha Neymar e, 32 anos depois, voltou a dar um golo de livre direto à Argentina (não acontecia desde a Copa de 1982).

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Se isto fosse uma fotografia, o resultado ficava no meio, sorridente, entre Argentina e Nigéria. Ambos seguem para os oitavos — os sul-americanos como líderes do grupo –, graças à inoperância do Irão. O de Carlo Queiroz, o que tanto prometera contra os argentinos, que apenas marcou um golo aos bósnios no outro jogo do Grupo F, que também arrancou às 17h.

A seleção dos Balcãs não tinha nada a ganhar (já estava eliminada) e o Irão tudo a perder — ou arrancava três pontos deste jogo, ou também ia para casa. E foi mesmo. Perdeu por 3-1 e, deste modo, a equipa de Queiroz despede-se do Mundial só com um golo marcado e quatro sofridos. O resultado de tudo isto? A Argentina defrontará a Suíça e a Nigéria colidirá com a França nos oitavos de final.

Shaqiri, finalmente

E chegou-se a estes duetos após os resultados da noite. Os do Grupo E. Uns franceses meio poupados, meio a sério, defrontavam o Equador amarelado com esperanças de ainda poder chegar aos oitavos. Precisava, claro está, de uma vitória. E ela teria logo que chegar contra a França, a equipa que tinha um pistoleiro Benzema (três golos) e a mescla entre magia e força bruta de Pogba, a meio campo. Entre habituais titulares e suplentes (jogaram Sissoko, Koscielny, Sakho ou Digne, por exemplo), os gauleses fizeram o suficiente para mandarem uma bola ao poste e verem Dominguez, guardião equatoriano, a multiplicar-se para deter as bolas que era rematadas à sua baliza.

Os sul-americanos foram perigosos. Sim. E rápidos, sobretudo. Jefferson Montero e Enner Valencia foram as balas mais disparadas e, além da expulsão de Antonio Valencia, aos 50′, o problema do Equador foi que apenas teve uma caçadeira de canos duplos. Montero e Enner eram bons, mas os restantes pouco incomodara uma França que, à falta de um golo, conseguiu sempre ir controlando o que se passava no relvado. No final, um 0-0 que garantiu a liderança do grupo aos franceses e a eliminação aos equatorianos.

Algo que as Honduras não conseguirem fazer. A equipa até terminou a batalha frente à Suíça com 62% de posse de bola — a mais elevada percentagem que alguma vez conseguira em Mundiais –, mas foi incapaz de meter o capacete de bombeiro e controlar um fogo. O de Xherdan Shaqiri. E foi este que incendiou o relvado. As faíscas surgiram aos 6′, 31′ e 71 minutos, quando marcou cada um dos três golos que pegaram na equipa helvética ao colo e a vão deixar nos oitavos de final — vai agora defrontar a Argentina.

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Foi o 50.º hattrick que se compôs em Mundiais e logo este para garantir a passagem aos oitavos. E foi o último dos golos que Shaqiri marcou a confirmar a melhor fase de grupos de sempre para os suíços. Falando em golos, claro — superou a prestação de 1954, quando os helvéticos marcaram por seis vezes na primeira ronda.