É uma nova suspeita sobre Morais Pires, o homem indicado por Ricardo Salgado para lhe suceder à frente do BES. No centro da investigação do Ministério Público, que o jornal Expresso diz ter sido lançada na sequência do processo Monte Branco, estão doze transferências feitas pelo Banco Espírito Santo Angola (BESA), entre o final de 2009 e julho de 2011, para duas contas no Crédit Suisse, totalizando 27,3 milhões de dólares. Os beneficiários? Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires.

Os documentos, a que o semanário diz ter tido acesso, revelam que as transferências foram feitas para contas localizadas em duas empresas offshore do Panamá: a Savoices (ligada a Salgado) e a Allanite (em que Morais Pires será um dos beneficiários). Ambas estão na lista de clientes da Akoya – que faz gestão de fortunas na Suíça e que acabou no centro da investigação sobre possível fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Morais Pires foi cliente da Akoya e recorreu ao processo de perdão fiscal aberto pelo Governo em 2012 para declarar os seus rendimentos depositados na Suíça. Nunca se soube quanto declarou na altura.

Morais Pires não responde e pressiona Banco de Portugal

Não respondendo às perguntas enviadas pelo Expresso sobre estas transferências, Morais Pires enviou um comunicado ao jornal, onde fala de uma “campanha de insinuações e rumores” visando a sua “reputação e bom nome” — que “uma decisão judicial” futura pode não repor “integralmente”. Sobre o caso específico, diz ter as suas obrigações fiscais em ordem e diz desconhecer a “veracidade” das informações sobre as transferências financeiras. Garante, porém, estar “seguro” dos seus atos e da sua “competência”.

Morais Pires aproveita para deixar dois ‘recados’: um para dizer estar “desconfiado” de quem deu as informações ao Expresso; outra tem como destinatário indireto o Banco de Portugal, entidade que tem ainda o poder de aceitar o não a sua designação para a chefia do BES: “Tenho um desafio pela frente e conto levá-lo por diante, assim todos os intervenientes saibam assumir as suas responsabilidades”.