Quem não gosta de futebol, ou quem gosta e despreza megalomanias, tem na FIFA um alvo perfeito. A organização que gere o futebol mundial tem um imenso poder que está cada vez mais exposto. Aqui fica o roteiro de sete temas muito polémicos.

 

1. Corrupção

A história recente da FIFA tem sido ensombrada por escândalos de corrupção. Já João Havelange, histórico presidente da organização suprema de futebol, foi acusado pelo programa Panorama da BBC de aceitar subornos de um milhão de dólares em 1997. Com a eleição de Joseph Blatter, no ano seguinte, a situação não mudou: em 2002, o suíço foi acusado de pagar cem mil dólares por cada voto a seu favor e um extenso trabalho de investigação de um jornalista britânico detalhou vários escândalos recentes na casa do futebol. Sem consequências conhecidas.

2. Anfitriões

As opções recentes da FIFA têm sido criticadas. A escolha da Rússia como organizador do campeonato do mundo de 2018 foi contestada, mas muito pior foi a escolha do anfitrião de 2022, que recaiu no Qatar. As histórias de subornos a diretores e responsáveis federativos não pára de crescer, e a controvérsia aumenta com as condições oferecidas pelo país: 48.ºC à sombra, um regime islâmico intolerante e a utilização constante de trabalho escravo têm sido os principais pontos referidos por quem contesta esta escolha.

3. Sexismo

Muitas atletas têm-se queixado da falta de investimento do organismo central do futebol na promoção da modalidade feminina, apesar de esta variante estar a crescer no mundo. E num momento particularmente infeliz,  Joseph Blatter decidiu sugerir que as atletas usem trajes menores como forma de promover o espetáculo e aumentar audiências a nível global.

4. CR7

Joseph Blatter detesta Cristiano Ronaldo. Há pouco mais de seis meses, quando lhe foi perguntado se preferia Messi ou Ronaldo, o presidente da FIFA não se poupou e explicou que prefere o astro argentino, por este ser “um bom rapaz”. Mas foi mais longe ao imitar a atitude de Ronaldo e ao compará-lo a um comandante em campo, além de dizer que o português “gasta mais dinheiro no cabeleireiro” que o argentino.

5. Homofobia

Quando decidiu atribuir o Mundial ao Qatar, a FIFA foi confrontada com a atitude do país árabe sobre a homossexualidade. A resposta do seu presidente: aconselhar quaisquer fãs homossexuais que queiram visitar o país a praticar a abstinência durante a prova. Naturalmente, e mais uma vez, a condenação das suas palavras foi global.

6. Racismo

A FIFA tem sido incapaz de lidar com o racismo, cuja expressão pública tem vindo a aumentar. Várias claques têm tido comportamentos racistas, muitos jogadores têm-se queixado das pressões e, mesmo no Mundial do Brasil, o problema não foi devidamente abordado. Em 2011, numa entrevista à CNN, Blatter negou que exista racismo no futebol — e se o problema não existe, ele não precisa de ser combatido.

7. Excesso de dinheiro

A FIFA é oficialmente uma organização não-governamental que está isenta de impostos. Isso não a impede de explorar comercialmente todos os centímetros quadrados à volta da relva para aumentar o seu pecúlio. E o fausto é de tal forma que chega até para encomendar um filme sobre a história da FIFA, Paixões Unidas, que vai estrear esta semana em Portugal. Provavelmente sem grande noção do ridículo, Joseph Blatter fez a encomenda ele mesmo e decidiu que queria ser representado por Tim Roth. Diz quem já viu que o filme é muito mau, o que não espanta porque as encomendas raramente funcionam no seu valor artístico. Há exceções, é certo, mas nos tempos que correm são raras.