Desde 1948 que não falha: de dois em dois anos decorre a feira de tecnologia de Farnborough (Farnborough International Airshow – FIA), a sul de Londres. É um dos certames mais importantes da indústria aerospacial, palco privilegiado para a apresentação de novos produtos e uma oportunidade para novos negócios. Aqui é divulgada tecnologia de ponta em desenvolvimento e novas soluções já disponíveis comercialmente, hardware e software com aplicação aerospacial mas que são também um balão de ensaio importante e uma mira de desenvolvimento futuro para outros suportes e indústrias.

Este ano a feira reúne mais de 1200 expositores, de gigantes como a Airbus a empresas de conceção de software como a Thales, é uma montra de topo e há entre elas algumas empresas portuguesas. Organizadas pela PMAS (associação portuguesa da indústria aeroespacial), apresentam-se em Farnborough ao longo de uma semana que inclui exposições, demonstrações e o principal atrativo para o público: um festival aéreo.

O ministro da defesa, José Pedro Aguiar-Branco, representou o governo português neste primeiro dia do certame que inclui visitas aos stands da OGMA, da PMAS e da Tekever, empresa que apresentou esta manhã um novo “drone”. A Tekever é especializada no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Não-Tripulados, e tem já alguns dos seus equipamentos em cenários reais tais como o Kosovo.

O ministro afirma que o principal objetivo desta visita é “dar visibilidade à tecnologia de ponta feita por pequenas e médias empresas em Portugal, desenvolver uma área com interesse estratégico para a política europeia nas indústrias de defesa”. As indústrias portuguesas já movimentam 1,72 mil milhões de euros e empregam 20 mil pessoas, e que por isso é uma área de relevo para a economia e para a capacidade exportadora nacional.

Na reunião com o responsável das OGMA realçou a importância do programa KC390 (que avalia a substituição dos C130 em processo), pela sua capacidade de fornecimento de material para a força aérea portuguesa – algum é já produzido em Portugal – e que integra precisamente muitas das empresas aqui representadas. Até ao final do ano será tomada uma decisão decorrente da revisão da lei da programação militar.

Nesta visita, José Pedro Aguiar-Branco destacou a OGMA pelo seu papel histórico e visibilidade, que a tornam “um porta estandarte da capacidade portuguesa nesta área, e também da congregação de pequenas e médias empresas na AED (que representa 50 entidades), produtoras e fornecedoras de vários componentes para a indústria aeronáutica, provando existir convergência estratégica”.

Na reunião com Rodriguez Barberan, vice presidente da Airbus Military Defense, a comitiva portuguesa considerou o estudo da adaptação dos atuais C295 no sentido de estender o atual papel da força aérea na prevenção e na vigilância ao combate efetivo aos incêndios. Esta adaptação da atual frota é estruturalmente positiva, pois permitirá maximizar o número de horas de voo e respetiva qualificação dos pilotos da força aérea portuguesa.

Uma das empresas portuguesas mais destacadas e que mereceu uma visita à exposição estática (ou seja, no solo) foi a Tekever, produtora de aviões não tripulados. Nesta edição da feira apresentou o novo AR5, um drone com 12 horas de autonomia especialmente vocacionado para missões de longo curso, otimizado para a vigilância marítima e costeira. Numa declaração à imprensa, Ricardo Mendes, presidente da Tekever, sublinha o caráter multifunção do aparelho capaz de transportar o seu peso em carga. Pode ser equipado com radares, câmaras, rádios e outros sensores, orientados para busca e salvamento, detenção de navios, proteção da costa, derramamentos, funções e perfis configuráveis pelo cliente e que no seu total podem ter um custo superior ao do próprio drone (aproximadamente 1 milhão de euros).

Está ainda em fase de testes de voo, e estará operacional em meados do próximo ano. A tecnologia e o desenvolvimento (no qual colaboram as Forças Armadas e de Segurança) são totalmente portugueses, mas o foco comercial é o estrangeiro, com quem já estão a negociar contratos. “Portugal tem uma zona marítima gigantesca”, afirma, “e por isso faz todo o sentido para o pais apostar neste tipo de tecnologia”, mas não estão firmados contratos com o governo português.