Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Depois de uma semana a seduzir os grupos políticos do Parlamento Europeu e ao mesmo tempo tentar reunir uma equipa equilibrada de novos comissários, Jean-Claude Juncker enfrenta esta terça-feira de manhã a derradeira prova de fogo em Estrasburgo. O luxemburguês precisa da aprovação de 376 eurodeputados para suceder a Durão Barroso, mas com os inimigos que tem feito para chegar a presidente da Comissão não é impossível que alguma coisa falhe. O voto é secreto e a vitória não é ainda certa.

Para se tornar presidente da Comisão, Juncker não precisa só de ser apontado pelo Conselho Europeu, tem de ser aprovado em plenário pelos eurodeputados e conseguir a maioria dos votos (acompanhe aqui o debate em direto). O Partido Popular Europeu – grupo político integrado pelo PSD e pelo CDS – apoia-o formalmente, mas nem todos os partidos do centro-direita europeu perdoaram a maneira como Juncker foi eleito. Victor Orbán, primeiro-ministro húngaro, opõe-se desde o primeiro momento à escolha de Juncker e deve instruir os seus 12 eurodeputados que estão no PPE para votarem contra. Na CDU, partido de Merkel, especialmente no afiliado político na Baviera, a CSU, também pode haver algumas dissidências.

O grupo do PPE tem 221 eurodeputados e é o maior do Parlamento Europeu, mas não consegue assegurar sozinho a eleição de Juncker, especialmente se não puder contar com todos os seus votos favoráveis. A esperança do ex-primeiro-ministro luxemburguês é que os Sociais e Democratas (grupo integrado pelo PS) cumpram o acordo de cavalheiros firmado no início de junho para formar um centrão com o PPE nas questões vitais para o funcionamento da União – neutralizando assim os efeitos da votação muito fragmentada das últimas europeias que fortaleceram as forças de extrema-direita e de outros movimentos eurocéticos.

No entanto, Gianni Pittella, líder dos socialistas no Parlamento Europeu, disse no final da reunião na semana passada entre os eurodeputados deste grupo e Juncker – o candidato reuniu-se com todos os grupos para angariar apoio e fazer promessas de maior entendimento político entre Comissão e Parlamento – que o encontro tinha sido “positivo e útil, mas não completamente satisfatório”. “As negociações estão longe de estar terminadas” sublinhou Pittella, deixando claro que o possível apoio a Juncker requer contrapartidas nos próximos cinco anos de governação da Comissão Europeia por parte de Juncker.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Os socialistas têm uma delegação de 191 eurodeputados, o que garantiria uma vitória segura a Juncker, mas nem todos pretendem dar o seu voto de confiança ao luxemburguês. Os 20 eurodeputados do Partido Trabalhista britânico neste grupo podem não alinhar neste entendimento – tendo em conta a fraca imagem e reputação de Juncker junto da opinião pública do Reino Unido e a disputa entre Cameron e este candidato.

A ajuda final para eleger Juncker pode mesmo vir dos Liberais (grupo integrado pelos deputado eleitos pelo MPT). Apesar de alguns desentendimentos, o grupo encabeçado por Guy Verhofstadt disse em comunicado após a audição de Juncker também na semana passada que o seu grupo “vai participar numa maioria pró-europeia“. “Esta maioria é essencial para promover uma agenda progressista em vez do populismo e dos grupos anti-europeus” escreveram no comunicado.

O debate sobre a eleição de Juncker começa às 10h em Estrasburgo (9h em Lisboa) e a votação secreta acontece às 12:30 (11:30 em Portugal).