A Organização das Nações Unidas (ONU) quer ver as infeções com VIH (vírus da imunodeficiência adquirida) e as mortes por sida controladas até 2030, isto significa que se evitariam 18 milhões de novas infeções e 11,2 milhões de mortes relacionadas com a sida até lá (2013-2030), revela o comunicado de imprensa do comité de combate à sida (UNAids).

O relatório divulgado esta quarta-feira, intitulado “Gap Report”, mostra que para acabar com a epidemia da sida é preciso colmatar as lacunas, preencher o espaço entre aqueles que têm acesso aos cuidados de saúde necessários para controlar a infeção e os que não têm. “A epidemia pode ter um fim em cada região, cada país, cada localização, cada população e em cada comunidade.” Este é um dos assuntos que estarão em debate 20ª Conferência Internacional sobre Sida, que decorrerá de 20 a 25 de julho, em Melbourne, na Austrália.

Desde o início da epidemia, nos anos 1980, quase 75 milhões de pessoas foram infetadas com o VIH e cerca de metade (36 milhões) morreram da infeção, segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No final de 2012 existiam cerca de 35 milhões de pessoas infetadas, das quais 19 milhões desconhecia o facto, refere a Unaids.

Mesmo com 2,1 milhões de novas infeções em 2013, os números são positivos, representam um decréscimo de 38% em relação a 2001 – que teve 3,4 milhões de novas infeções (números da Unaids). Dos novos casos de 2013, 75% concentrava-se em 15 países, 48% em apenas três países – Nigéria, África do Sul e Uganda.

É na África subsariana que vivem a maior parte dos seropositivos (infetados) – 71% -, refere a OMS. O “Gap report” verificou que nesta região do globo 86% das pessoas que se sabem seropositivas estão a fazer medicação antirretroviral (contra retrovírus, como o VIH). Destes cerca de 76% já conseguiram a remissão do vírus.

Outros dados importantes para a Unaids dizem respeito ao número de crianças infetadas que caiu 58% desde 2002 – de 580 mil (o número mais alto alguma vez atingido) para 240 mil novos casos. A medicação antirretroviral em grávidas seropositivas conseguiu evitar que mais de 900 mil nascessem portadoras do vírus desde 2009.

Estes números são encorajadores para a Unaids, mas é preciso começar a trabalhar imediatamente para atingir o objetivo. “Temos uma janela frágil de cinco anos para trabalhar nos bons resultados alcançados”, alerta Michel Sidibe, diretor da Unaids. Se os bons resultados se tornarem ainda melhores até 2020, será possível cumprir o objetivo em 2030. “Se não, arriscamo-nos a aumentar e muito o tempo que pode demorar – adicionando uma década ou mais.”

Numa altura em que se discute a utilização de medicamentos antirretrovirais para prevenir as infeções por VIH, continuam a faltar medicamentos entre os que já estão infetados. O objetivo assumido pelos membros das Nações Unidas em 2011 era que o tratamento chegasse a 15 milhões de pessoas até 2015. No final de 2012, 9,7 milhões de pessoas de países em vias de desenvolvimento tinham acesso à terapia antirretrovial – mais 1,6 milhões do que no ano anterior – , segundo o relatório “Sida em números”, da Unaids.