Santana Lopes quer ser Presidente da República? A resposta será dada daqui a um ano pelo PSD, mas na cabeça do ex-primeiro-ministro isso não está fora de questão, até porque acha que os portugueses sabem que ele “amadureceu”. Quem não cumpre os requisitos para a função, segundo o presidente da Santa Casa é mesmo Marcelo Rebelo de Sousa: “Não chega dizer: olha que simpático e que bem fala o Marcelo”.

Em entrevista ao Expresso, 10 anos depois de se ter tornado primeiro-ministro – sairia cinco meses depois – Santana Lopes parece ter feito as pazes com o passado e admite que até já se ri com Jorge Sampaio. Mas o entendimento sobre os acontecimentos do seu mandato não mudaram muito: “Os países mais desenvolvidos são aqueles em que o presidente não discute em público com o chefe de Governo”.

Hoje diz que os portugueses olham para ele como alguém que “amadureceu” e ele próprio diz estar bem consigo próprio. Isto é suficiente para se candidatar a Belém? “Sei o meu percurso de vida, o que conheço do meu país, a experiência de áreas e funções ao longo da minha carreira e acho que um Presidente da República tem que ter provas dadas nos diferentes setores a sociedade”, sublinha Santana Lopes, acrescentando que este é um cargo que não deve ser “uma estreia” para que o venha a ocupar.

Uma achega a Marcelo? O Observador sabe que Santana tem sido aconselhado a “marcar terreno” por aqueles que lhe são mais chegados e que o apoiam para suceder a Cavaco Silva. “Não chega dizer: olha que simpático e que bem fala o Marcelo na TVI” arrisca Santana, deixando para trás o ex-líder do PSD. Outra candidatura deitada por terra é Rui Rio: “Ele tem mais perfil de ministro do que de chefe de Estado”.

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Quanto ao possível apoio do CDS para as presidenciais – manifestado por Pires de Lima, ministro da Economia, especialmente se o candidato fosse Marcelo -, Santana também dispensa: “PSD e CDS terem mesmo candidato não faz sentido”.

Mas os candidatos da oposição também não foram poupados. Guterres seria um candidato “altamente estimulante para quem for o candidato de centro-direita”, mas “não é imbatível” e pertence ao lote de políticos – juntamente com Durão Barroso” que disse aos portugueses: “Vou-me embora porque em aí o pântano”.