Diplomacia

Novo banco dos BRICS é um sinal de falhanço do FMI

Diretor da revista The Banker afirma que a criação do banco "foi também motivada por uma crise mais genérica do multilateralismo e pela continuada ação dos Estados Unidos".

Líderes dos BRICS anunciaram na semana passada a criação do Novo Banco de Desenvolvimento

ALEXANDER JOE/AFP/Getty Images

Autor
  • Agência Lusa

O diretor da revista “The Banker” considera que o novo banco dos países que compõem os BRICS “é o maior sinal até agora da mudança na estrutura mundial de poder e o falhanço das instituições multilaterais como o FMI”. Num artigo publicado nesta terça-feira na edição online, o diretor da publicação do grupo do Financial Times escreve que “ao estabelecerem o Novo Banco do Desenvolvimento, as economias do Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul [BRICS] deram o maior empurrão rumo à redefinição da ordem económica mundial”.

No artigo, Brian Capler acrescenta que a criação do banco “foi também motivada por uma crise mais genérica do multilateralismo e pela continuada ação dos Estados Unidos, que forçam a sua política externa aos outros através da aplicação de sanções”. Juntam-se outras razões, como as preocupações “sobre os efeitos nocivos para os mercados emergentes da política monetária norte-americana”, principalmente no que diz respeito aos efeitos da retirada dos estímulos à economia – ‘quantitative easing’, no original em inglês, acrescentou.

O grupo dos BRICS anunciou na semana passada a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, cuja sede será em Shangai e a primeira presidência, ocupada pela Índia, com o objetivo de mobilizar recursos para projetos de infraestruturas e desenvolvimento sustentável nos BRICS e noutras economias emergentes, tendo sido formalizado na Declaração de Fortaleza, emitida no final da VI Cimeira do grupo. “Com fundamento em princípios bancários sólidos, o Banco fortalecerá a cooperação entre os nossos países e complementará os esforços de instituições financeiras multilaterais e regionais para o desenvolvimento global”, diz a declaração.

O capital inicial autorizado do banco será de 100 mil milhões de dólares (73,7 mil milhões de euros), a que se juntam outros 100 mil milhões de dólares de reserva para serem usados caso algum dos países enfrente problemas de liquidez a curto prazo. O primeiro presidente do Conselho de Governadores será da Rússia e o primeiro presidente do Conselho de Administração, do Brasil.

Os cargos, assim como a presidência indiana, serão alternados entre os países fundadores, havendo ainda um centro regional africano na África do Sul. “Juntos devemos pensar num sistema de medidas que previnam o assédio de países que não concordam com algumas das decisões de política externa feitas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados”, disse o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

O banco “é um sinal dos tempo, que exigem a reforma do FMI”, disse a Presidente brasileira, país que mantém há anos um diferendo com os analistas do FMI relativamente às suas contas públicas.

Um dos pontos a ver, conclui o diretor da revista ‘The Banker’, é perceber se os BRICS conseguem tabalhar juntos de forma melhor que os Estados Unidos e a Europa têm feito – ou melhor, não têm feito – com os poderes emergentes”, dado que são “países completamente diferentes, quer em termos económicos e políticos, e a única coisa que têm em comum é que são grandes e cada vez mais significantes na economia internacional”.

 

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