Verão é sinónimo de férias em família e família é sinónimo de pais, filhos, tios, avós e… animais de estimação. Cães, gatos, pássaros ou répteis – os bichos fazem parte da vida familiar de muitos portugueses e não é preciso escolher entre o descanso ou os animais de companhia. Para conseguir o melhor dos dois mundos, o Observador consultou uma médica veterinária e várias clínicas da área. Eis o guia para umas férias felizes para todos:

– Se viajar de carro, “deve fazer paragens de duas em duas horas”, sugere o Hospital Veterinário do Atlântico. A temperatura dentro do carro deve estar sensivelmente nos 21º graus. O cão nunca deve ir solto dentro do carro porque, “por algum motivo, pode assustar-se e saltar para o colo de quem está a conduzir, ou morder alguém”, sugere uma médica veterinária consultada pelo Observador. O cão deve ir numa transportadora, tal como o gato. A transportadora tem de ir presa com o cinto de segurança porque, numa travagem, “pode abrir-se e o animal pode sair projetado”.

– Se viajar de avião, deve consultar antes as normas da companhia aérea que escolheu, nomeadamente o “peso até ao qual pode ser transportado ao colo”, esclarece a Associação de amigos de animais, de Almada. Deve ter também em atenção os pré-requisitos para que o animal possa entrar no país.

– Colocar as vacinas e a medicação em dia, para o animal estar completamente desparasitado, é uma preocupação não só das férias, mas de todo o ano. “Não se pode interromper a medicação só porque o dono vai de férias”, adverte a médica veterinária. Caso note que é necessário um tranquilizante para controlar a ansiedade do animal, deve consultar o veterinário. Se viajar para países fora da Europa, é preciso que esteja atento porque há doenças que pode não ter conhecimento e, deve por isso informar-se antes. O ideal será visitar primeiro o sítio para onde vai levar o animal.

– Quando se chega à casa que vai ser o lar da família durante semanas, é preciso deixar que o animal reconheça o espaço. “Há animais que estão muito habituados a mudar de sítio, outros não”, avisam os especialistas. Deve deixar o animal passear pelo espaço, explorá-lo e conhecê-lo para que comece a habituar-se.

– O animal deve sentir-se em casa. A manta preferida ou o sítio onde o seu companheiro costuma dormir deve viajar com ele. Se possível, leve um objeto que tenha o cheiro do lar para que não estranhe a casa nova. Os ossos, os bonecos e os objetos de brincadeira a que esteja habituado também devem constar da lista. Deve levar também a alimentação a que o animal está habituado, para evitar problemas digestivos e para o animal não estranhar a comida.

– No caso de ter um cão, depois da praia, convém chegar a uma hora que ainda dê para o levar passear. O animal não deve passar longos períodos sozinho e as rotinas, como o passeio, devem ser mantidas o mais possível.

– Se tiver um gato e se o deixar em casa enquanto vai desfrutar do sol e do mar, convém manter as portas e janelas fechadas para não fugir. Não deixe objetos perigosos perto do animal.

– Na verdade, se tiver um gato, deve ponderar em primeiro lugar se deve levá-lo consigo de férias. “Às vezes é preferível deixar o gato no seu ambiente com água, comida e caixas de areia do que estar a levá-lo para um sítio estranho”, reconhece a veterinária. O gato é um animal mais independente do que o cão e a habituação a um novo ambiente é mais difícil. Tolera mais a ausência do dono e, por vezes, é mais difícil de gerir a saída do seu ambiente.

– Os amantes de répteis não estão esquecidos. Estes bichos “não têm grande ligação aos donos”, não sofrem tanto com a sua ausência pelo que, idealmente, devem ficar em casa. “São animais que não controlam a temperatura, a alimentação deles nem sempre é fácil”, explicam os especialistas, e têm um comportamento mais imprevisível.

O maior conselho surge como um apelo em uníssono: “Não abandonar os animais“. Se não tiver condições de deixar os seus animais em casa ou no sítio onde vai passar férias, há várias soluções, como alojamentos especiais para animais e hotéis para cães.