Um grupo armado com facas atacou na região de Xinjiang, no nordeste da China, e a polícia respondeu com disparos, acabando por vitimar dezenas de civis, avança a agência noticiosa estatal Xinhua, que não soube precisar o número de vítimas.

A investida terá começado em Elixku, com ataques à esquadra da polícia e a gabinetes governamentais, mas continuou para uma cidade vizinha, onde se reportaram ataques a civis e destruição de veículos. A agência noticiosa estatal garantiu que dezenas de pessoas foram mortas ou feridas. “A investigação inicial demonstra que este foi um ataque terrorista premeditado. A investigação está em curso”, garantiu a Xinhua.

A região de Xinjiang, na qual atuam grupos independentistas, é regularmente agitada por incidentes motivados pela tensão entre os han, etnia maioritária na China, e os uigures, uma minoria de muçulmanos turcófonos com intentos independentistas. E são estes últimos que se acredita estarem na origem dos conflitos com a polícia nesta terça-feira.

O Governo chinês diz que o gang tem ligações externas a grupos terroristas islâmicos. O Huffington Post relata que a tensão tem aumentado na região nos últimos meses, e que o grupo independentista tem aprimorado a forma como atua. As armas têm sofrido também uma evolução: agora têm acesso a espadas, bombas e explosivos caseiros.

Os ativistas uigures, que se assumem cultural e etnicamente mais próximos dos países da Ásia Central, dizem que a repressão cultural e religiosa por parte das políticas chinesas estão a incendiar o ressentimento entre a minoria. A isso juntam-se as acusações de que o crescimento económico da região tem sido direcionado apenas para a maioria han.

Em maio passado, trinta e uma pessoas morreram e mais de noventa ficaram feridas na sequência de uma série de explosões num mercado ao ar livre de Urumqi. O ministro da Segurança Pública disse na altura que se tratava de “um violento ataque terrorista” e prometeu encontrar os responsáveis. Também o Presidente chinês, Xi Jinping, prometeu que os terroristas serão “severamente punidos”.

Um artigo do Público de abril de 2013 traçou uma cronologia e permite perceber a evolução da tensão na região. Em fevereiro de 2012, por exemplo, morreram 20 pessoas numa batalha entre uigures e polícia; no final de julho e agosto de 2011 já haviam sido registadas 20 vítimas mortais. Mas nada se compara com o que aconteceu em julho de 2009, quando Xinjiang se transformou numa verdadeira poça de sangue: 200 mortos e 1600 feridos em Urumqi, a capital da Região Autónoma Uigur.

A região de Xinjiang é uma das mais ricas em recursos da China, o que provocou uma migração de vários milhões de chineses