O Crédito Agrícola teve lucros de 22 milhões de euros até junho, mais 81,5% do que há um ano, segundo o presidente banco, adiantando que o valor incorpora eventuais imparidades com a “pequena exposição” ao Grupo Espírito Santo.

“Os resultados do Crédito Agrícola foram positivos no primeiro semestre de 2014 na ordem dos 22 milhões de euros, o que representa um crescimento de 81,5% face período homólogo”, disse à Lusa o presidente do Grupo Caixa Agrícola, Licínio Pina.

Segundo os dados divulgados pelo banco, “a contribuir para este resultado esteve, essencialmente, o aumento em 17,7% do produto bancário, que somou 279 milhões de euros”, enquanto a margem financeira “subiu 5,8% para os 157 milhões de euros”.

Ainda entre janeiro e junho deste ano, os depósitos do Crédito Agrícola (CA) mantiveram-se estáveis, ao subirem uns ligeiros 0,5% para 10.018 milhões de euros, enquanto o crédito caiu 2,7% para 8.066 milhões de euros.

“O crédito tem sido difícil de fazer crescer, a economia continua com um arrefecimento que se notou durante o período em que a ‘troika’ esteve em Portugal e ainda não recuperou”, disse Licínio Pina, que afirmou que a menor procura é sobretudo visível nas áreas de construção e imobiliário, que “tem sido compensado com algum crescimento nas atividades agrícolas e de turismo, mas não o suficiente para repor os ‘stocks'”.

Quanto ao crédito malparado, Licínio Pina considera que “não haverá muito crescimento além do que já existe” e disse que o grupo está “devidamente provisionado”.

Sobre a exposição do CA ao Grupo Espírito Santo (GES), Licínio Pina disse que a instituição que lidera tem “uma pequena exposição já devidamente provisionada”.

Licínio Pina não quis adiantar os valores da exposição, nem das provisões feitas, mas disse que se trata de “algumas obrigações e crédito a empresas” do GES, sobretudo do setor agrícola.

“Temos conforto suficiente para assumir todas as responsabilidades, o resultado de 22 milhões de euros já reflete todas as imparidades quer de exposição GES, quer de outra qualquer exposição. Não temos preocupações a esse nível”, afirmou, considerando que “almofada de provisionamento que ultrapassa os 100 milhões de euros” do CA é suficiente para o grupo não ter “problemas de refletir imparidades em que momento for”.

Sobre o impacto para o sistema bancário do que se passa no GES e no BES, Licínio Pina disse que não gosta de comentar o que se passa noutras instituições, mas admitiu que “afeta sempre a boa imagem e reputação do sistema financeiro” e fez questão de garantir que o Crédito Agrícola é gerido de “forma sustentada”, com “aplicações prudentes”.

O Crédito Agrícola fechou ainda o primeiro semestre com um rácio de capital ‘Common Equity Tier 1’ de 12%, acima dos 8% exigidos, e destaca que o fez “sem recurso a qualquer tipo de capitalização. Na atividade seguradora, as empresas do Crédito Agrícola tiveram lucros de 4,5 milhões de euros nos primeiros seis meses deste ano.

Sobre fecho de balcões e saída de pessoal, o presidente do CA voltou a afirmar que a instituição não tem nenhum programa de redução de atividade e que, no primeiro semestre, saíram cerca de “uma dezena” de pessoas do grupo.