O Banco Espírito Santo (BES) financiou a atividade de várias empresas com a condição de estas contraírem outros empréstimos destinados a cobrir dívidas e a investir em ações da Espírito Santo Internacional (ESI), noticia esta quarta-feira o Jornal de Negócios. No total foram emprestadas centenas de milhares de euros a empresas clientes do BES com este propósito – intermediar o financiamento do Grupo Espírito Santo (GES).

Na sequência da crise financeira e do encerramento dos mercados, especialmente entre 2009 e 2010, várias foram as empresas clientes do BES que tentaram convencer o banco a dar-lhes os empréstimos que queriam para financiar as suas atividades. Mas assim que conseguiam luz verde do BES era-lhes perguntado se queriam contrair um novo crédito de valor semelhante, destinado apenas a investir no GES, nomeadamente em títulos de dívida e ações da ESI.

Ou seja, o BES acedia-lhes o crédito para os seus negócios ao mesmo tempo que lhes pedia financiamento para as suas dívidas. O cliente contraía portanto dois empréstimos. Segundo o Negócios, estas situações podem representar violações às regras da concessão de crédito.

Assim, vários terão sido os clientes do banco que investiram em dívida da ESI, da Rioforte e do Espírito Santo Financial Group. Como exemplifica o Negócios, os investidores de retalho tinham aplicações de 917 milhões no universo Espírito Santo, montante que o BES deve reembolsar. E só em financiamentos diretos do BES ao grupo eram 1.480 milhões de euros.

BES desiste de criar conselho estratégico

Entretanto, o BES desistiu da criação de um conselho estratégico, depois de ter sido desconvocada a assembleia-geral e adiada a eleição de Mota Pinto, acrescenta o Diário Económico. A criação do conselho estratégico, que seria um órgão consultivo dentro do grupo, fazia parte da agenda de trabalhos da assembleia-geral prevista para ontem, mas caiu por terra.

Ricardo Salgado e outros representantes dos principais acionistas do banco, como José Manuel Espírito Santo, Ricardo Abecassis Espírito Santo e outros elementos da família descendentes do fundador do BES, deviam fazer parte daquele órgão consultivo.

A Assembleia-geral acabou por ser adiada na terça-feira a pedido do Espírito Santo Financial Group devido à situação de insolvência daquela ‘holding’.