Depois da Procuradoria-Geral da República (PGR) ter desmentido, através de um comunicado, a notícia da revista Sábado, que associa José Sócrates ao caso Monte Branco, a revista Sábado garante que o comunicado da PGR “não desmente” a notícia relacionada com o ex-primeiro-ministro.

“Depois da nota desta tarde (quarta-feira) da Procuradoria-Geral da República que diz que ‘José Sócrates não está a ser investigado nem se encontra entre os arguidos constituídos no Processo Monte Branco’, a Sábado reafirma que o ex-primeiro ministro do PS está a ser investigado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)”, pode-se ler no site da revista.

No artigo publicado na edição da Sábado que já se encontra nas bancas, “é dito claramente que o Ministério Público retirou uma certidão do processo principal Monte Branco onde consta como suspeito José Sócrates. ‘O caso Monte Branco já deu origem a vários processos-crime autónomos, incluindo aquele onde é visado José Sócrates (…)’, é o que se pode ler no artigo”, conclui o comunicado da revista.

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Além de dizer que o Ministério Público estará a investigar José Sócrates, por alegado envolvimento no caso Monte Branco, a revista Sábado escreve ainda que já foi levantado “o sigilo bancário e fiscal” – o que acontecerá pela primeira vez a Sócrates num processo judicial – e acrescenta que o ex-primeiro-ministro “está sob vigilância há vários meses”.

Na edição que hoje chegou às bancas relatam-se as relações do antigo primeiro-ministro com alguns empresários, nomeadamente Carlos Santos Silva, de quem é amigo e que também será suspeito no processo. Foi este empresário, que teve negócios com António José Morais, o professor de Sócrates na Independente, que entre 2011 e 2012 comprou três imóveis à mãe do antigo líder do PS. Um dessas casas foi o apartamento no edifício em que o próprio José Sócrates vive, no centro de Lisboa, uma transação realizada por 600 mil euros (esse apartamento tinha sido comprado em 1998 por um valor declarado de 250 mil euros).

A outra relação que a revista explora é com o primo José Paulo Bernardo, um empresário que hoje terá sobretudo negócios em Angola e que já tinha sido suspeito aquando das investigações em torno do caso Freeport.

Na Sábado escreve-se ainda que “o próximo passo – agora que a primeira fase da investigação está praticamente concluída – deverá ser a constituição de arguido do ex-governante”. Na investigação, assinada pelo jornalista António José Vilela, autor de vários trabalhos premiados e de livros onde revela segredos da Maçonaria e dos negócios de armas, acrescenta-se que “no MP também se pondera, há várias semanas, a possibilidade de deter Sócrates para interrogatório, à semelhança do que aconteceu, na semana passada, com Ricardo Salgado”.

No seu último comentário na RTP, domingo passado, José Sócrates defendeu que “a Justiça ganhava em explicar-nos a todos porque deteve Salgado”