A Rússia voltou a reforçar a presença das suas forças na fronteira com a Ucrânia, duplicando o número de tropas presentes por toda a fronteira com este país. Nos próximos dias a Força Aérea e o Exército russos vão participar em exercícios de combate e voo a 800 quilómetros da fronteira. A NATO alertou que as forças russas junto da fronteira possuem “um espetro” de armamento que incluiu muita artilharia e defesa aérea e EUA sublinham que se quisesse, Putin podia invadir o país de um momento para o outro.

A queda do MH17 parece não ter apaziguado a fronteira entre a Rússia e a Ucrânia e Putin voltou a reforçar nas últimas semanas a posição de força do seu país. A NATO estima que entre 19 mil a 21 mil soldados russos estejam atualmente colocados ao longo de toda a fronteira, quase o dobro de há um mês atrás. No pico da crise entre Moscovo e Kiev em maio, Putin chegou a mobilizar 40 mil operacionais para a fronteira, tendo reduzido o contingente gradualmente nos meses seguintes.

Segundo o The New York Times, o Departamento de Defesa (equivalente ao Ministério da Defesa) aponta que a possibilidade de invasão russa, é “uma opção muito real”. “Se Putin decidir atacar, ele pode fazê-lo sem grande alarido. Nós não temos ideia do que é que ele está a pensar”, avançou fonte deste órgão ao jornal. Os russos possuem 17 batalhões de infantaria no terreno e defesa aérea pronta para combater. Putin está ainda a organizar um grande exercício da Força Aérea na região de Astrakhan, a 800 quilómetros da fronteira para treinar tiro e reconhecimento de alvos em território desconhecido. O exercício vai envolver 100 aviões.

Uma das causas deste reforço pode ser o avanço do exército ucraniano sobre o território ocupado pelos rebeldes e isto pode ainda ser usado por Putin como uma desculpa para entrar diretamente no conflito alegando que as suas tropas ajudariam a manter a paz na região. As forças ucranianas estarão mesmo a preparar um “ataque em massa” ao reduto dos rebeldes pró-russos em Donentsk e os conflitos continuam não só nessa região, como na região de Luhansk.

Estes conflitos constantes já levaram a que 730 mil ucranianos abandonassem as suas casas e procurassem refúgio na Rússia ao abrigo de um programa que lhes permite entrar no país sem visto. Os números foram divulgados esta terça-feira pela agência da ONU para os refugiados.