O Santander, o BBVA e o Sabadell são alguns dos principais bancos espanhóis que estão a avaliar a possibilidade de adquirir o Novo Banco, o “banco bom”, liderado pelo economista Vítor Bento, que reúne os ativos bons do BES, avança o jornal espanhol El Confidencial. “Alguns dos principais bancos espanhóis estão a estudar a possibilidade de puxar pelo ‘banco bom’ do Banco Espírito Santo (BES)”, refere o jornal espanhol, que cita fonte próximas da operação.

“O mais interessado é o Santander, que já tem equipas a estudar a instituição portuguesa, apesar de o BBVA e do Sabadell também estarem a avaliar a possibilidade de participar neste processo” de aquisição do Novo banco, refere o jornal. “É uma grande oportunidade para crescer em Portugal com o líder desse país a um preço mínimo e depois de estar completamente saneado, é lógico que os bancos espanhóis tenham interesse”, refere uma das fontes consultadas, citadas pelo El Confidencial.

O diário espanhol lembra que as três instituições espanholas já têm uma presença relevante em Portugal: “o Santander é dono do Santander Totta e a fusão com o BES [Novo Banco] daria uma posição de liderança indiscutível no mercado nacional”. Já quanto ao BBVA, que também tem presença em Portugal, a recente aquisição do Catalunya Banc complica uma nova operação do género a curto prazo.

O Banco de Portugal tomou controlo do Banco Espírito Santo (BES) e anunciou no domingo à noite a separação do BES num banco mau (bad bank), que vai concentrar os ativos e passivos tóxicos da instituição, e num ‘banco bom’, o chamado Novo Banco, que vai reunir os ativos e passivos não problemáticos, como será o caso dos depósitos.

O regulador bancário determinou a injeção de 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco, que vai ser feita através do Fundo de Resolução bancária. Deste montante, 500 milhões de euros provêm da contribuição dos mais de 80 bancos que operam em Portugal e que fazem parte do Fundo, e os restantes 4,4 mil milhões virão do dinheiro da ‘troika’.

O resgate internacional que Portugal contraiu em 2011 incluía uma verba de 12 mil milhões de euros que estava consignada ao setor bancário, sendo que 6,4 mil milhões deste montante continuavam até agora por utilizar nos cofres dos Estado.

Será a este dinheiro que o Fundo de Resolução irá buscar a maior parte da injeção de capital do Novo Banco (4,4 mil milhões de euros) e sobre o qual pagará uma taxa de juro que começará nos 2,95% no primeiro trimestre e que sofrerá um agravamento de cinco pontos percentuais a cada três meses.

O Conselho de Ministros alterou, no domingo, o regime aplicável aos bancos de transição para promover uma gestão “eficiente” e facilitar “a procura de soluções de mercado”, segundo um decreto-lei publicado na segunda-feira no Diário da República.

O Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF) determina que o banco de transição tenha uma duração limitada a dois anos, que pode ser prolongada até um máximo de cinco “se permanecerem riscos para a estabilidade financeira ou estiverem pendentes negociações com vista à alienação” de ativos.

Com o novo diploma, o Banco de Portugal (BdP), que antes tinha de definir apenas as regras aplicáveis à criação e funcionamento dos bancos de transição passa a ser responsável pelo desenvolvimento de todas as regras e pode promover a sua alienação. Esta venda pode ser também promovida pelo próprio banco de transição, sob autorização do Banco de Portugal.

O BBVA, recorde-se, suspendeu a decisão de vender a filial portuguesa quando os problemas no BES começaram a ser conhecidos. O banco espanhol anunciou a saída de Portugal em maio, sobretudo devido aos 133 milhões de euros de prejuízo que acumulou nos três anos anteriores a setembro de 2013.