O presidente da Sefin – Associação Portuguesa dos Utilizadores e Consumidores de Serviços e Produtos Financeiros, Luís Natal Marques, disse hoje que “muitos” pequenos investidores do BES vão recorrer aos tribunais nos próximos meses para defender os seus direitos.

A razão é a solução encontrada pelo Governo para o desfecho do caso BES, através de uma separação em dois bancos, um ‘banco mau’, que fica com os ativos tóxicos, e um ‘banco bom’, denominado Novo Banco, que fica com os ativos bons, como depósitos e créditos bons, e uma capitalização de 4.900 milhões de euros.

“É uma solução que, prevejo, vai ter muitas situações de carater judicial. Muitos investidores apostaram em instrumentos do banco [empréstimos obrigacionistas] que tinham o próprio património do banco como garantia e agora têm as suas aplicações financeiras no banco mau quando a garantia que lhes foi dada para os investimentos fica no banco bom”, explicou o responsável.

Luis Natal Marques ressalva faltar ainda a divulgação do que realmente fica no banco bom e no banco mau, e defende que a solução encontrada para o BES “dá ideia que há aqui alguma arbitrariedade”.

A Sefin lembra que 43,4 % do capital do BES está nas mãos de pequenos investidores e considera que estes vão ser os mais prejudicados, por não terem força institucional.

“É lógico que os investidores têm de saber que as ações são em si instrumentos de risco, mas neste caso tratava-se de ações de uma empresa que é um banco, auditada e regulada, o que pressupõe alguma segurança nesses investimentos”, defendeu

A Sefin já foi contactada por “algumas dezenas” de pequenos investidores do BES, a maioria via internet, a pedir ajuda ou esclarecimentos sobre o caso.

O presidente da Sefin considera que o caso BES foi uma “machadada enorme” dada ao mercado de capitais e à confiança dos investidores na informação e no funcionamento do mercado.

O BES, tal como era conhecido, acabou este fim-de-semana depois do Banco de Portugal ter anunciado a sua separação num ‘banco mau’, que fica com os ativos tóxicos, e num ‘banco bom’, denominado Novo Banco, que fica com os ativos bons como depósitos e créditos bom, e recebe uma capitalização de 4.900 milhões de euros.