Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Todos os anos, em meados de Agosto, ocorre um fenómeno astronómico conhecido por “chuva de Perseidas”. Esta chuva de meteoros resulta do pó e rocha deixados pela passagem do cometa Swift-Tuttle — que se repete a cada 133 anos. De cada vez que a Terra atravessa o rasto gigantesco deixado pelo cometa, é possível observar a olho nu centenas de estrelas cadentes. Chama-se “chuva de Perseidas” porque é essa a constelação em fundo a cada passagem da Terra por esse rasto de pó.

Nos melhores anos, é possível observar 100 aerólitos por hora, num céu limpo e sem poluição luminosa (a luz ambiente gerada pela iluminação pública); quanto mais luminoso for o ponto de observação, menor a quantidade total de visionamentos. Os locais privilegiados são as zonas mais interiores, elevadas e remotas. Nas cidades apenas é possível ver os objetos mais brilhantes, resultado da entrada na atmosfera de partículas de maior dimensão. Geralmente são do tamanho de grãos de areia, e quase nunca maiores que um berlinde. São raras as que atingem o solo, porque são partículas pequenas e entram na atmosfera terrestre a 60 quilómetros por segundo, destruindo-se rapidamente.

O cometa Swift-Tuttle é uma rocha com quase 10 quilómetros de diâmetro e terá o tamanho idêntico ao do meteoro que terá causado a extinção dos dinossauros. Já se previu que, no futuro, este cometa iria colidir com a terra, mas cálculos posteriores determinaram que apenas irá fazer “uma razia” ao nosso planeta em 3044.

A última observação distante, não visível a olho nu, foi em 1992, mas o ano mais espetacular foi o da sua “descoberta” pelos astrónomos norte-americanos Lewis Swift e Horace Tuttle, em 1862. A próxima passagem será em 2126, e prevê-se que seja uma ocorrência tão extraordinária como a do Hale-Bopp em 1997.

Como nos relembra o Observatório Astronómico de Lisboa, este ano temos azar: a coincidência com a “Super Lua” vai dificultar a observação do fenómeno. Ainda assim, a melhor hora para ver a chuva de Perseidas é ao final da noite, imediatamente antes do amanhecer, a essa hora o brilho da Lua já será menos intenso. Por isso aproveite a alvorada amena de agosto e acorde cedo, até porque logo a seguir ocorre outro acontecimento magnífico: o “nascer” do Sol.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR