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Das horas que um adulto passa acordado a maior parte delas é dedicada ao trabalho. Apesar de a grande parte dos trabalhadores terem mais contacto com o patrão e colegas do que com a família e amigos durante um dia de trabalho, quatro em cada dez não tem nenhum amigo chegado no trabalho, revela um estudo sobre as relações no Reino Unido – The way we are now – elaborado pela Relate. Pare de ler um minuto e olhe à sua volta. Será que encaixa nesta média britânica?

Dos 58% que têm pelo menos um amigo próximo no local de trabalho, 22% tem três ou mais. O estudo acrescenta que 59% afirma manter boas relações com a entidade patronal e 70% com os colegas em geral. Dados importantes uma vez que as fracas relações no local de trabalho podem contribuir para o stress do trabalhador, quebra de produtividade e redução do bem-estar.

Quantas vezes um trabalhador é acusado de não conseguir separar a vida pessoal e familiar do trabalho? Dar prioridade ao trabalho em relação à família é uma qualidade que muitos patrões privilegiam. A pressão parece recair sobretudo entre aquelas pessoas que estão simultaneamente a iniciar uma carreira e a construir uma família, entre os 25 e os 34 anos. Porém, o estudo revela que as pessoas mais felizes são as que conseguem um bom equílibrio entre a vida profissional e a manutenção de relações próximas com os companheiros, familiares e amigos. Mas para conseguir isso deixe de ver os emails na cama antes de adormecer ou de fazer videoconferências quando está com os filhos na praia.

Sem tempo para a família e amigos

Como se não chegasse passar a maior parte do tempo útil de um dia a trabalhar, os pais britânicos estão tão ocupados que um terço não chega a ver ou a falar com os filhos diariamente. O contacto com os família e amigos é ainda menor: apenas um quarto dos inquiridos contacta com um dos pais diariamente e um em cada sete tem contacto diário com os amigos.

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Na verdade, no Reino Unido, uma em cada dez pessoas, dos 5.778 inquiridos, não tem amigos, o que equivale a 4,7 milhões de adultos no país. “Como é que numa era de elevada conectividade permitimos que 10% da população se sinta, para todos os efeitos, sozinha?”, interroga-se Stuart Valentine, diretor executivo da Relationships Scotland, parceira do estudo.

O problema parece ser a troca da qualidade pela quantidade. As redes sociais permitem adicionar amigos a cada minuto, contudo, o que o estudo mostra é que não é a quantidade de amigos que influencia a felicidade, mas a qualidade das relações que mantemos com eles. A pesquisa revelou, no entanto, que as pessoas com mais amigos também têm tendência a ter amigos chegados com os quais mantêm muito boas relações.

Os responsáveis pelo estudo congratulam-se que quatro em cada cinco pessoas (85%) mantém uma boa relação com o parceiro e que 81% das mulheres e 73% dos homens dizem ter boas, ou muito boas, relações com os amigos. Os homens tendem a ter mais amigos formando grupos, enquanto as mulheres têm relações melhores e mais individualizadas.

Numa perspectiva menos feliz, um quarto das pessoas diz não ter uma vida sexual satisfatória e uma em cada cinco não se sentiu amada (ou poucas vezes) nas duas semanas que antecederam o estudo. “Os relacionamentos fortes são a melhor forma de lidar com os desafios que a vida moderna nos apresenta”, conclui Cary Cooper, presidente da Relate.