Os dados divulgados nesta quinta-feira pelo INE sobre a economia portuguesa permitem antever que a recuperação “está em curso”, embora a um “ritmo ainda muito ténue”, segundo o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a economia portuguesa cresceu 0,6% no segundo trimestre face ao período anterior e 0,8% face ao mesmo trimestre de 2013. Estes dados surgem depois de no primeiro trimestre a economia ter caído 0,6% face ao último trimestre de 2013 e ter crescido 1,3% face ao primeiro trimestre do ano passado.

“Parece agora mais claro que a recuperação da economia portuguesa está em curso, embora a um ritmo ainda muito ténue”, lê-se no comentário da Universidade Católica que, alerta, no entanto, para o facto de estes dados continuarem com “um comportamento algo errático” e existirem “muitos efeitos pontuais que dificultam a sua interpretação”.

Os efeitos de calendário, as exportações e a reposição do subsídio de férias são alguns dos factos que podem ter influenciado os dados “do segundo trimestre bem como o seu impacto no terceiro”, indica a Católica na mesma nota.

A Universidade Católica sublinha que o crescimento de 0,6% “é o segundo crescimento mais elevado desde o 2º trimestre de 2013, quando se iniciou a recuperação da economia portuguesa”, e é “um dos maiores da zona euro”. Dados que, no entanto, devem “ser relativizados”, lembrando a Universidade que “há ainda um longo caminho a percorrer até se atingirem de novo os níveis do PIB de 2010, anteriores à crise de financiamento da economia portuguesa e ao início do programa de ajustamento”.

Por último, o NECEP da Universidade Católica diz que a crise no Banco Espírito Santo (BES) “não parece ter tido qualquer efeito mensurável nas contas nacionais do 2º trimestre apesar dos elevados prejuízos divulgados”, ainda assim, a Católica não exclui “a possibilidade de que possam vir a notar-se efeitos nos próximos trimestres” embora sem efeitos que possam colocar “em causa o cenário geral de crescimento ligeiro em 2014 projectado pela generalidade das instituições.”