O presidente palestiniano Mahmoud Abbas confirmou esta terça-feira que o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza entrou em vigor às 19:00 locais (17:00 em Lisboa). A notícia sobre um acordo de cessar-fogo por tempo indeterminado com Israel tinha sido avançada por alto funcionário do Hamas. “Os dois lados [palestiniano e israelita] chegaram a um acordo e estamos à espera que o Cairo defina a hora de implementação”, confirmou Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas. Um membro do governo israelita confirmou que “mais uma vez” Israel aceitou a proposta de cessar-fogo do Egito, noticiou a CNN.

O cessar-fogo que se iniciou duas horas depois da proposta egípcia foi antecedido por uma onda de violência. Mais de 100 rockets provenientes de Gaza continuavam a cair sobre Israel mesmo depois das 19 horas locais e provocaram pelo menos três feridos graves. Também a sul da cidade de Gaza, três palestinianos foram mortos por causa de um ataque aéreo israelita. Depois do anúncio do acordo, ouviram-se disparos em Gaza a celebrar o acontecimento e gritos de vitória. “Declaramos a vitória da resistência palestiniana, a vitória de Gaza. Alcançámos algumas das exigências desta batalha”, disse Sami Abu Zuhri numa conferência no Hospital Al Shifa, na cidade de Gaza.

O objetivo do cessar-fogo, conseguido no quinquagésimo dia de conflitos, é aliviar o bloqueio a que a faixa de Gaza está sujeita. Os líderes egípcios esperam ganhar algum reconhecimento internacional depois de conseguirem um acordo entre as partes – o nono cessar-fogo desde o início dos conflitos. Os termos do acordo serão em grande parte semelhantes aos de 2012 com a abertura das fronteiras para fornecer mantimentos e materiais de construção à população e o alargamento da zona de pesca permitida ao largo de Gaza.

As negociações sobre outras exigências do Hamas, como a reabertura do porto marítimo e do aeroporto de Gaza ou a libertação de prisioneiros, podem começar no próximo mês. Do lado israelita a expectativa é que haja um desarmamento das milícias do Hamas e que sejam devolvidos os corpos de dois soldados mortos durante os conflitos.

Quando o Hamas tomou Gaza em 2007, Israel e o Egito bloquearam a entrada e saída de pessoas da região. Neste momento, estes dois países estão preocupados que o Hamas não respeite o acordo de cessar-fogo e continue a aumentar o armamento na zona.

MahmoudAbbas, líder do partido político Fatah – rival político do Hamas -, vive na Cisjordânia, mas congratula-se com o acordo conseguido agradecendo “ao Egito e a todos os que apoiaram os esforços que resultaram neste acordo para acabar com os conflitos.” O presidente palestiniano acrescenta: “Juntos reconstruíremos o nosso país livre”.

Desde o início do conflito morreram mais de dois mil palestinianos e mais de 11 mil estão feridos, segundo as autoridades de saúde palestinianas. As Nações Unidas estimam que mais de 17 mil casas tenham sido destruídas deixando mais de 100 mil pessoas desalojadas. Do lado israelita morreram 68 pessoas, principalmente soldados.