Alice Brooks e Bettina Chen conheceram-se em 2010, quando estavam a tirar o mestrado em engenharia na Universidade de Stanford. Mecânica e elétrica, respetivamente. Na altura, ambas as estudantes se questionaram sobre o porquê de existirem tão poucas raparigas a estudar engenharia. E chegaram a uma conclusão, explica o Wall Street Journal.

Alice e Bettina cresceram rodeadas de brinquedos que as encorajavam a construir e criar coisas novas, em vez de os tradicionais brinquedos associados às raparigas. Alice, de 26 anos, lembra-se de ter recebido uma serra pelo Natal quando tinha 8 anos, o que lhe permitiu “construir bonecas com madeira, pregos, pude pintá-las, aprendi com os meus erros e pude criar bonecos melhores”.

As amigas partiram deste princípio para darem forma a um objetivo comum: a criação de brinquedos destinados a raparigas para as fazer pensar e criar novas coisas e, eventualmente, fazer com que ganhem o gosto e acabem por estudar engenharia. Em maio de 2012 lançaram uma campanha no site de financiamento Kickstarter, para conseguirem dinheiro suficiente para a criação dos brinquedos, que seriam compostos por um conjunto de peças em tons pastel que, depois de serem montadas, vão dar origem a um edifício. Essa estrutura pode, depois, ser decorada com os enfeites incluídos no pacote, e usar o motor igualmente incluído para adicionar componentes elétricos.

brinquedos arquitectura

A ideia foi de tal forma bem recebida que, ao fim de cinco dias, já tinham o triplo do dinheiro que precisavam e a sua empresa, a Maykah Inc., recebeu inclusive donativos de business angels, investidores, que, a nível individual, decidiram participar na campanha. A empresa já planeia lançar novos produtos, denominados Roominate, em superfícies de grande distribuição, como é o caso da multinacional Toys R Us.

O feedback, dizem, não podia ser melhor. Recebem vários emails de raparigas com fotografias das suas construções. “Queremos que as meninas vejam o kit, fiquem animadas com a perspetiva de construir alguma coisa e que, no final, consigam construir algo superior ao exemplo que vem na caixa”, concluiu Alice.