O novo presidente da Comissão Europeia vai começar já esta terça-feira a entrevistar os candidatos a comissários europeus, nomeados nos últimos meses pelos Estados-membros. Tanto Pierre Moscovici, candidato francês, como Kristalina Georgieva, candidata búlgara, já terão certezas em relação às suas pastas, mas pouco mais se sabe sobre as negociações entre Juncker e os governos europeus. À última da hora, alguns países ainda estão a mudar as indicações e a escolher mulheres para enviar para Bruxelas.

Segundo o “Expresso”, Carlos Moedas será entrevistado por Juncker na quarta-feira, no entanto, ainda não há uma pasta definitiva para Portugal. O Observador sabe que a pasta do secretário de Estado não está fechada e que ainda está a ser alvo de ajustes entre o gabinete do primeiro-ministro e Bruxelas. Carlos Moedas, candidato português a comissário europeu, deverá sair do Governo antes das audições públicas no Parlamento Europeu que deverão acontecer no final de setembro.

A equipa deverá ficar fechada e apresentada no início da próxima semana. Para isso Juncker vai ouvir os candidatos a comissários e determinar se a pasta decidida para cada país condiz com a figura enviada para Bruxelas. Quem parece já ter uma pasta garantida é Pierre Moscovici, antigo ministro das Finanças de François Hollande, que deverá ficar com a pasta do Euro, segundo avançou esta segunda-feira a agência Reuters. A supervisioná-lo de perto ficará o candidato finlandês Jyrki Katainen, que se tornará num super-comissário encarregue de coordenar todas as pastas ligadas à Economia.

Nesta equipa deverá ficar também Kristalina Georgieva, atual comissária da Cooperação Internacional e indicada pela Bulgária para continuar na equipa de Juncker, que nos próximos cinco anos estará responsável pelos orçamentos. A informação foi avançada por um antigo eurodeputado búlgaro e confirmada até certo ponto pelas declarações da comissária no domingo, em que disse aos jornalistas já conhecer a sua pasta e que será responsável por um tema “importante”.

O fim da crise das mulheres

No esforço final para fechar a equipa, Juncker está a receber nomeações de mulheres para a sua Comissão. Aliás, uma das primeiras entrevistas será Alenka Bratušek, antiga primeira-ministra eslovena. Da Dinamarca também veio a nomeação de uma mulher, Margrethe Vestager, ministra da Economia.

A nomeação de Federica Mogherini como Alta Representante para as relações externa da UE terá sido um alívio para Juncker que não vai conseguir uma comissão paritária e por isso precisa dar destaque às mulheres que tem na equipa, especialmente a uma socialista. No sábado, Martin Shulz, presidente dos socialistas no Parlamento Europeu e que se comprometeu a aprovar a equipa de Juncker, voltou a avisar que vai ser difícil reunir o apoio da maiorias dos eurodeputados.

“Todos têm que assumir as suas responsabilidades. Se a nova Comissão integrar menos mulheres do que a atual, há um grande risco de falhar a maioria no Parlamento”, Martin Schulz

Percebendo isto, a Polónia trocou a nomeação do ministro dos Negócios Estrangeiros pela possível indicação de Elzbieta Bienkowska, ministra das Infraestruturas e braço direito de Tusk, que estará agora a ser preparada para Bruxelas. Também a Roménia, antevendo a dificuldade do seu atual comissário manter a pasta da Agricultura, deu outra opção a Juncker com Corina Creţu, atual vice-presidente do Parlamento Europeu.