O primeiro campeonato do Mundo de carros completamente elétricos arranca no sábado em Pequim, com a primeira de dez corridas em circuito citadino e regras novas, como um acréscimo de potência atribuído por votação do público a alguns pilotos.

Os 20 pilotos do novo Campeonato de Fórmula E – entre os quais o português António Félix da Costa (na equipa Amlin Aguri) – terão desde logo que se habituar a eventos de apenas um dia, ou seja, os treinos livres (45 minutos + 30 minutos), a qualificação (55 minutos) e a corrida (mais ou menos uma hora) decorrem todos no mesmo dia.

O primeiro é já no próximo sábado, em Pequim, ainda sem Félix da Costa, que estará a disputar o campeonato de Turismos da Alemanha, o DTM.

Na qualificação, cada piloto poderá usar apenas um dos dois carros à sua disposição, mas com potência máxima (200 kwatts, o equivalente a 270 cavalos de potência). O pelotão é dividido em quatro grupos de cinco pilotos, e os pilotos de cada grupo têm dez minutos para tentar conseguir a “pole position”, que lhe dá logo três pontos no campeonato.

Na corrida, a potência do carro é restringida a 150kwatts (cerca de 202 cavalos) e cada piloto terá obrigatoriamente que parar nas boxes para trocar de carro. Três pilotos, escolhidos por votação do público, terão à sua disposição um “FanBoost”, um acréscimo de potência de cinco segundos por carro por corrida (para 180 kwatts, ou 243 cavalos de potência).

A paragem nas boxes para troca de carros não dá direito às equipas de trocarem pneus (salvo em caso de furos) ou carregar as baterias dos carros.

A pontuação seguirá o sistema standard da FIA: 25 para o primeiro, 18 para o segundo e em ordem decrescente até ao 10.º classificado, que recebe um ponto. Por outro lado, o piloto que conseguir a “pole position” ganha três pontos e o autor da volta mais rápida em prova recebe dois pontos.

Quanto às especificações técnicas, a tarefa estará facilitada para os adeptos. Todas as equipas vão usar o mesmo carro, o monolugar Spark-Renault SRT-01E, com “chassis” da marca italiana Dallara, motores elétricos e eletrónica da McLaren e baterias da Williams.

Ao contrário dos monolugares de Fórmulas habituais, o Spark-Renault SRT-01E tem dois monocoques: um para proteger o piloto e outro para proteger o conjunto da bateria, um elemento altamente incendiável em caso de impactos.

Os pneus de todos os carros são da Michelin e têm ranhuras (como os carros tradicionais), enquanto as caixas de velocidades (de cinco velocidades) são todas da Hewland.

Quanto a performances, o SRT-01E atinge velocidades máximas de 230 quilómetros/hora e acelera dos 0 aos 100 quilómetros/hora em 2,5 segundos.

O campeonato é composto por 10 equipas de dois pilotos cada, incluindo pelo menos nove antigos pilotos de Fórmula 1 (Nelson Piquet [filho], Sébastien Buemi, Bruno Senna, Nick Heidfeld, Jarno Trulli, Jaime Alguersuari, Lucas di Grassi, Jean d’Ambrosio e Franck Montagny).

Juntando Nicolas Prost, o pelotão conta com dois filhos de antigos campeões do Mundo de F1 – Nelson Piquet e Alain Prost -, além de um sobrinho de Ayrton Senna.

A FIA escolheu dez circuitos citadinos por considerar que o carro elétrico é o veículo urbano do futuro, além de que um evento citadino de um dia só é mais barato para a organização.