António Marinho e Pinto, eurodeputado eleito para o Parlamento Europeu pelo MPT – Partido da Terra, anunciou, na quinta-feira, que ia criar um novo partido político para concorrer, em 2015, às eleições legislativas, em declarações ao jornal i. Mas, pelo que o Observador apurou, não avisou o MPT dessa intenção. Há uma semana, foi contrariado pela comissão política do partido e saiu “irritado” de uma reunião.

“Todas as minhas relações com o MPT terminaram no domingo passado”, escreveu Marinho e Pinto num email enviado ao presidente do MPT, John Baker Rosas, durante a madrugada de quinta-feira. Os membros da direção do MPT, presentes em Bruxelas ontem, onde se procedeu à integração do Partido da Terra na família política ALDE, Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa, tiveram conhecimento da nova incursão política do ex-bastonário da ordem dos advogados pelos meios de comunicação. Era “suposto” Marinho e Pinto ter estado presente nesta cerimónia.

Há duas semanas, foi discutida a filiação do MPT no ALDE, num conselho nacional do partido em que Marinho e Pinto esteve presente. “Nessa altura, também se discutiu a lista em que ele se apresentava como candidato às legislativas” portuguesas de 2015, contou José Inácio Faria, o segundo eurodeputado eleito pelo Partido da Terra para o Parlamento Europeu, ao Observador. Durante o evento, Marinho e Pinto “teceu vários elogios aos membros da comissão política”, sugeriu aumentar a comissão política de sete para nove pessoas e anunciou a intenção de “trazer pessoas de fora” para a lista.

Passada uma semana, membros da direção do MPT voltaram a reunir-se para discutir a forma como “ia ser estruturada a afiliação ao ALDE”, reunião a que Marinho Pinto chegou “um pouco atrasado”, contou José Inácio Faria ao Observador. Foi no decorrer desta reunião, ao que parece, que o ex-bastonário da Ordem do Advogados achou melhor “sair ” do MPT e fundar o seu próprio partido.

Para lá da junção ao ALDE, a reunião tinha um segundo ponto: marcar um novo congresso do partido. Marinho e Pinto surgiu na reunião com ideias diferentes das que tinha apresentado até então. “Quis afastar algumas pessoas da lista, membros históricos do partido, a quem tinha tecido largos elogios, na semana anterior. A comissão política não aceitou em peso essas alterações”, afirmou o segundo eurodeputado eleito pelo MPT para o Parlamento Europeu. Na opinião de José Inácio Faria, Marinho e Pinto “não gostou que lhe tivessem desobedecido”. “Saiu um pouco irritado” dessa reunião, mas nada que pudesse “prever esta mudança dramática.”

Depois do anúncio ao jornal i, John Baker Rosas, presidente do MPT, enviou um pedido de esclarecimento a Marinho e Pinto por email. “Sendo ele militante do MPT bem como chefe de delegação do MPT junto do Parlamento Europeu, aguardo um esclarecimento para poder consultar a minha Comissão Política a fim de poder tomar uma posição institucional”, escreveu John Rosas, numa publicação na sua conta pessoal do Facebook. A resposta chegou já de madrugada: “Todas as minhas relações com o MPT terminaram no domingo passado.”

De acordo com o jornal i, Marinho e Pinto está a preparar os requisitos necessários para fundar o seu partido. “Vou fazer a apresentação no final da próxima semana ou na outra a seguir”, afirmou, confirmando a intenção de criar um novo partido político. O ex-bastonário da Ordem do Advogados, muitas vezes descrito como “populista”, disse já estar a “trabalhar na preparação dos estatutos e princípios do partido”, em conjunto com outras figuras cuja identidade não quis revelar.

Logo que os estatutos estejam prontos, Marinho e Pinto vai ter de ir para o terreno recolher as 7.500 assinaturas obrigatórias para que possa formalizar junto do Tribunal Constitucional a formação do novo partido. “Com a quantidade de pessoas que se ofereceram para recolhê-las, isso vai ser o mais fácil”, declarou ao jornal i.