Qual é coisa, qual é ela, que nasceu em Paris e jogou o Campeonato do Mundo pelo Argélia? Mais uma pista: conta com 175 centímetros e 66 quilos, prefere o pé direito e tem no contrato uma clausula de rescisão de 50 milhões de euros. É isso: Yacine Brahimi. Este homem parece que nasceu para jogar no Dragão, tal é a naturalidade com que se entranhou nesta equipa. Velocidade, segurança, ginga, pé quente e inteligência. Este médio tem tudo. Esta quarta-feira marcou três golos no festival do FC Porto contra o BATE Borisov, num jogo a contar para a jornada inaugural da Liga dos Campeões.

A primeira parte mais pareceu um treino de ataque contra defesa. Aqueles em que se treinam as movimentações ao milímetro, as diagonais, as combinações, tudo. No papel, Lopetegui prometia uma equipa de ataque, e foi isso mesmo que tivemos. Adrián jogou perto de Jackson, enquanto Brahimi começou na esquerda, mas rapidamente decidia passear-se pelo campo todo. E ainda bem. Casemiro e Herrera seguravam o meio-campo e circulavam a bola. Danilo e o regressado Alex Sandro davam outra profundidade a esta equipa, algo que nunca se viu com Paulo Fonseca, por exemplo. Estes laterais são de alto gabarito.

Ricardo Quaresma não teve vida fácil, por vezes até parecia um corpo estranho entre os homens de azul. Estava ansioso, a querer impor-se, como que se estivesse com saudades do seu reinado, aquele que cessou. É que o FC Porto agora é um reinado compartilhado, onde todos merecem protagonismo. O ADN desta equipa não engana, tem cultura espanhola agrafada. Aquela que quer ser protagonista sempre. A defesa subida, a pressão a todo o campo e passar da bola rente à relva e com velocidade são as provas mais evidentes.

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O golo chegou cedo. Logo aos cinco minutos, um lançamento do guarda-redes Chernik caiu nos pés de Brahimi. O argelino ultrapassou o lateral Khagush e disparou uma bomba com o pé esquerdo. Não podia haver melhor arranque. O FC Porto estava tranquilo e colocava muitos homens à frente da linha da bola. Sem ela, via-se muitas vezes um 4-4-2, com Adrián a colar-se a Jackson na pressão. Mas nem sempre eram eficazes as linhas defensivas dos portugueses e o BATE quase aproveitou para empatar: valeu Fabiano com uma bela saída. Por esta altura, aos 25′, os portistas registavam 65% de posse de bola.

A partir daí só deu FC Porto. Jackson chutou ao poste. E à passagem da meia hora chegou o dois-zero. Por quem? Brahimi, pois claro. Uma arrancada espetacular pela esquerda deixou para trás o pobre Khagush, que já não podia ver o argelino pela frente. O médio depois apostou numa diagonal para o centro, beneficiando do movimento de arrastamento de Jackson, e chutou a bola para o fundo das redes, 2-0.

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Bastariam apenas cinco minutos para o terceiro da noite (36′) ser anunciado nas colunas do estádio. Herrera descobriu Danilo na direita e o brasileiro sacou um cruzamento perfeito para a cabeça de Jackson. O colombiano, que marcou cinco golos nos últimos quatro jogos (Paços, Lille, Moreirense-2, Vitória Guimarães), disse “sim senhor” e matou o jogo, 3-0. O intervalo chegaria pouco depois.

A segunda parte começou com menos ritmo, mas o dono foi o mesmo. O FC Porto esteve sempre sólido e o festival teria continuação dentro de momentos. O segundo tempo começou praticamente com mais um remate ao ferro de Jackson. Desta vez, o cruzamento chegou de Ricardo Quaresma. Talvez a torneira dos golos estivesse fechada…

Falso alarme. Brahimi voltou a levantar o Estádio do Dragão aos 56′, depois de um livre direto, a fazer lembrar o que marcou contra o Lille. Incrível exibição deste jogador. Julen Lopetegui decidiu dar uma folga aos bielorrussos e retirou o novo menino bonito dos portistas três minutos depois. O Dragão aplaudiu de pé, chamou o nome do médio e até a vénias teve direito.

manita, como dizem os espanhóis, não tardaria. E logo por um espanhol, curiosamente. Adrián López, que andou meio escondido e discreto durante toda a partida, aproveitou uma recarga a remate de Quaresma para empurrar o marcador para o cinco-zero. Que bela forma de começar uma Liga dos Campeões. “Guimarães é passado”, avisava Lopetegui antes do jogo, e com muita propriedade, está visto.

O suplício dos bielorrussos mais parecia uma daquelas novelas intermináveis. Pior ainda quando Lopetegui colocava em campo jogadores que têm tido menos tempo e que querem mostrar serviço. Exemplo disso é o reforço Aboubakar, que entrou a meia hora do fim para o lugar de Jackson. E seria precisamente o camaronês, de 22 anos, a marcar o sexto da noite. Tello, já na área, fez o que quis dos defesas, já derrotados, e ofereceu o bombom ao avançado ex-Lorient, 6-0.

O relógio caminharia para o minuto 90 sem que as redes voltassem a abanar. Exibição categórica dos portugueses, que ganham outro embalo para o dérbi contra o Boavista na próxima jornada da Liga Portuguesa. O FC Porto lidera isolado o Grupo H, beneficiando do empate sem golos entre Athletic Bilbao e Shakhtar Donetsk.