Um vereador da oposição da Câmara Municipal de Alpiarça acusa o presidente daquele município de o ter ofendido durante uma reunião da edilidade e exige um pedido de desculpas formal, ameaçando levar o autarca a tribunal caso tal não suceda já esta sexta-feira, quando há nova reunião da autarquia. O presidente confirma ter havido “uma altercação”, mas atira as responsabilidades para cima do vereador.

O incidente deu-se já perto do fim da reunião camarária de 10 de setembro. A dada altura, “há um munícipe que faz uma intervenção”, recorda Francisco Cunha, vereador eleito pelo PSD e que foi o visado das ofensas. “Depois de várias trocas de palavras mais quentes mas não ofensivas” entre o presidente Mário Pereira e o vereador, diz, o autarca da CDU terá dito: “Vai para o c…!”

Mário Pereira replica: “Quem me ofendeu foi ele! Eu estava a responder a um munícipe e ele interrompe-me e chama-me mentiroso”. Francisco Cunha não nega. “Fale a verdade, pare de mentir”, disse ao presidente, que, por sua vez, suspendeu a reunião. “Devolvi-lhe o insulto”, afirma Mário Pereira, sem contudo se referir especificamente ao termo que o vereador do PSD o acusa de ter dito. “Talvez, não sei”, ri-se o autarca, preferindo falar numa “altercação de parte a parte”.

“Admito que tenhamos excedido as marcas, mas a responsabilidade é do vereador”, acusa Mário Pereira, para quem “a intenção [de Francisco Cunha] é causar instabilidade”.

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A reunião já não estava a ser muito pacífica. A tensão entre Mário Pereira – a cumprir o segundo mandato, para o qual foi eleito nas listas da CDU – e Francisco Cunha – vereador independente eleito pelas listas do PSD -, começara logo aos primeiros minutos de reunião, como é possível ver no vídeo oficial da reunião, publicado pelo município no YouTube.

No vídeo não é possível ver o momento em que a troca mais acesa de palavras ocorreu. “Ele cortou a parte onde teve essa triste intervenção”, acusa Francisco Cunha. Por alturas das 4h14m47s há um corte na gravação, justificado pelo presidente do município pelo facto de a reunião estar suspensa.

Após a discussão, “as coisas ficaram mais calmas”, relata Francisco Cunha, que garante:

“Amanhã, [16 de setembro], se ele não me apresentar um pedido de desculpas, vou para a Justiça. Se ele não pedir desculpa, vai ter de me ouvir.

Vou-lhe dizer: ‘Eu, no seu lugar, pedia desculpa. Ou só tinha uma coisa a fazer: demitir-me'”.

Mário Pereira diz não ter problemas em desculpar-se perante o vereador, mas só se Francisco Cunha fizer o mesmo. “Se ele me fizer um pedido de desculpas prévio, também lhe faço a ele”, assevera, acrescentando que “houve sempre bons relacionamentos” na autarquia, mas que, desde a chegada do vereador do PSD, tem havido “uma atitude provocatória” da parte deste.

Numa autarquia onde a CDU tem maioria, “apareceu uma pessoa que não tem medo de dizer o que pensa”, afirma Francisco Cunha sobre o seu trabalho, que, diz, já o levou a apresentar 27 queixas sobre o município a diferentes entidades: Direção Geral das Autarquias Locais, Inspeção Geral das Finanças, Ministério Público e várias entidades reguladoras, entre outras.

Em causa estão vários problemas: a recusa de fornecimento de informações da autarquia aos vereadores da oposição, a limitação do tempo de intervenção dos vereadores nas reuniões de câmara e ainda uma certa opacidade das atividades da câmara são algumas das acusações feitas por Francisco Cunha ao executivo de Mário Pereira.