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Conselho N. de Educação

Escolas portuguesas inflacionam notas internas para compensar notas dos exames

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O Conselho Nacional de Educação diz que as escolas promovem a inflação de notas dos alunos para não prejudicar os resultados das classificações e facilitar a entrada no ensino superior.

© Miguel A. Lopes/LUSA

O Conselho Nacional de Educação acusa no seu relatório sobre o “Estado da Educação 2013” as escolas de promoverem práticas como a inflação de notas dos alunos para não prejudicar os resultados das classificações e facilitar a sua entrada no ensino superior.

O presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação e Ciência (MEC), David Justino, identificou algumas práticas de escolas que levam os seus alunos a exames finais, sobretudo os do ensino secundário, fundamentais para o ingresso no ensino superior. “Quanto à avaliação interna raramente é motivo de crítica ou de polémica. E nem por isso o pouco que se consegue saber nos permite manter o silêncio”, declara o também ex-ministro da Educação.

A primeira preocupação identificada prende-se com as escolas que “tendem a aumentar a retenção dos alunos de forma a não fazer baixar as médias das classificações de exame”, ou seja, evitando levar às provas finais aqueles que não estarão capazes de garantir bons resultados. A outra preocupação tem que ver com a inflação das notas internas (resultantes do trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano), tanto pela positiva, como pela negativa.

David Justino defende que é tão preocupante o caso das escolas que baixam a exigência e nivelam a avaliação interna ‘por baixo’, ajustando os critérios ao perfil dos alunos, com tendência a favorecê-los nesta componente da avaliação, como o caso das escolas que elevam demasiado os seus padrões de exigência e, dessa forma, “prejudicam os seus alunos por atribuírem uma classificação muito inferior ao que os alunos merecem”.

O problema não seria grave se esta prática não tivesse consequências diretas. No caso do ensino secundário, essa classificação poderá ditar a entrada ou a exclusão em alguns cursos do ensino superior. Coloca-se portanto uma questão de justiça. Seria aconselhável que o MEC tentasse identificar estes casos e agisse em conformidade”, recomenda o presidente do CNE.

Justino revela ainda “sérias preocupações” com os resultados dos exames do 1.º ciclo. “Não é normal um tão elevado número de classificações negativas logo na primeira avaliação naquele que é o ciclo decisivo das aprendizagens estruturantes do conhecimento. Ou os testes não estavam devidamente calibrados ou a qualidade das aprendizagens no primeiro ciclo carece de atenção redobrada nos próximos anos para apurar se estamos perante um facto isolado ou perante um padrão estável”, alerta.

O presidente do CNE entende que o “principal desafio” do sistema de exames introduzido é o de “ganhar credibilidade junto da opinião pública e dos agentes educativos”, a par de garantir uma “estabilidade de critérios que permita a comparabilidade entre anos”. “Só assim poderíamos avaliar até que ponto as aprendizagens progridem ou regridem. Tem sido feito um esforço assinalável no sentido de ganhar essa credibilidade e de garantir a estabilidade de critérios, sem que entretanto o tema consiga isolar-se do mediatismo e das consequentes polémicas”, defendeu.

Justino deixa ainda elogios aos progressos do país nas avaliações internacionais dos alunos e do sistema de ensino nacional, referindo que “os resultados alcançados colocam Portugal mais perto da média da OCDE, quando outros domínios da atividade nacional dificilmente se aproximam dessa posição”.

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