A Reserva Federal (Fed) norte-americana foi acusada nesta sexta-feira de ser permissiva com os principais bancos, em particular o Goldman Sachs, a quem permite contornar regras para evitar confrontos com os seus dirigentes. Um artigo pela organização de jornalismo de investigação Pro Publica mencionou gravações secretas feitas por uma antiga inspetora da Fed, que alegou ter sido despedida por ser demasiado exigente com o banco.

A inspetora, Carmen Segarra, disse que o seu trabalho sobre este importante banco de investimento, em 2011-2012, focado na obediência às regulações bancárias, detetou problemas, especialmente nas suas políticas de conflito de interesse. Mas os seus supervisores disseram-lhe que reduzir as críticas e, quando não o fez, despediram-na.

A queixa de Segarra contra o seu despedimento é conhecida. Em 2013, acusou o ramo da Fed em Nova Iorque, responsável pela supervisão dos principais bancos, por despedimento ilegal. A queixa foi rejeitada pelo tribunal. Mas o novo artigo forneceu detalhes das suas alegações sobre a supervisão da Fed, usando as gravações dos encontros que ela teve com dirigentes da própria Reserva Federal e do Goldman. No texto alegou-se que a Fed de Nova Iorque continuou a ser suave no controlo dos maiores bancos, apesar da crise financeira de 2008, que ilustrou a necessidade de uma supervisão mais exigente e apertada.

A Fed de Nova Iorque “rejeitou categoricamente as alegações” e o Goldman Sachs desvalorizou as críticas de Segarra, dizendo que tinha há muito “uma abordagem compreensiva para resolver conflitos potenciais” e rebaixando a ex-inspetora da Fed, adiantando que ela tinha sido rejeitada três vezes em candidaturas para o Goldman Sachs antes de conseguir o emprego na Fed.