A rendibilidade do sistema bancário português recuou no segundo trimestre deste ano em termos homólogos, com a rendibilidade do ativo (ROA) a situar-se em 1,25% e a do capital próprio (ROE) em 13,55%, divulgou esta quinta-feira o BdP.

De acordo com a análise trimestral do Banco de Portugal (BdP), o ROA registou uma quebra de 0,11 pontos percentuais e o ROE diminuiu 1,33 pontos, refletindo o aumento do ativo/capital próprio (contributo de -0,08/-1,01 pontos para o ROA e o ROE) e dos custos operacionais (-0,07/-0,79 pontos percentuais).

Por sua vez, a diminuição da margem financeira contribuiu em -0,02 e -0,23 pontos percentuais para a redução do ROA e do ROE, respetivamente, tendo o contributo dos outros resultados de exploração registado uma “magnitude semelhante ao da margem financeira”.

Segundo o banco central, a redução da margem financeira resultou da diminuição dos juros recebidos de empréstimos a famílias e empresas e de outros ativos, que mais do que compensou a redução dos juros pagos em depósitos de famílias.

Em sentido contrário, destacaram-se os aumentos das comissões recebidas (+0,05/+0,56 pontos percentuais) e dos resultados de operações financeiras (+0,01/+0,16 pontos percentuais).

O BdP detalha ainda que o aumento do ativo e dos custos operacionais, bem como a menor margem financeira, conduziram a uma diminuição homóloga de 0,14 pontos percentuais do resultado de exploração para 1,62% do ativo médio.

O aumento do ativo e dos custos operacionais, bem como a menor margem financeira, conduziram a uma diminuição homóloga de 0,14 pontos percentuais do resultado de exploração para 1,62% do ativo médio.

Já o custo do risco de crédito manteve-se estável em termos homólogos, em 0,10%, situando-se “em níveis reduzidos, refletindo o baixo risco de crédito percecionado pelos bancos”.

O rácio cost-to-income (custos face a receitas, que mede a eficiência operacional) subiu para 43,8% (+1,8 pontos percentuais face ao período homólogo), em resultado do aumento dos custos operacionais (contributo de +2,1 pontos), que mais do que compensou o acréscimo do produto bancário (-0,3 pontos).

Por sua vez, o aumento dos custos operacionais refletiu sobretudo o crescimento dos custos com pessoal e, em menor medida, das despesas com tecnologias de informação (+1,3 e +0,5 pontos percentuais, respetivamente).

Quanto à qualidade dos ativos, no segundo trimestre do ano o rácio de crédito malparado bruto (NPL – non performing loans na expressão técnica em inglês) manteve-se em 2,1%, enquanto o rácio de NPL líquido subiu 0,1 pontos percentuais, para 1,0%, e o rácio de cobertura de NPL por imparidades diminuiu em dois pontos percentuais, para 53,4%.

Os rácios de NPL brutos das empresas e das famílias no segmento de consumo e outros fins reduziram-se marginalmente, situando-se em 3,6% e 5,8%, respetivamente, enquanto nos empréstimos à habitação este rácio se manteve em 0,8%.

Já o ativo total do sistema bancário aumentou 1,8% no segundo trimestre, impulsionado pelo crescimento de 2,6% dos empréstimos a clientes, com um contributo de 1,4 pontos percentuais, em especial dos empréstimos à habitação e a empresas (contributos de 0,7 e 0,5 pontos, respetivamente), e, em menor grau, no aumento dos títulos de dívida (contributo de 0,9 pontos).

No que se refere à solvabilidade, o rácio de fundos próprios totais e de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) do sistema bancário nacional aumentaram para 20,9% (+0,1 pontos percentuais) e 18,2% (+0,2 pontos percentuais), respetivamente, face ao primeiro trimestre do ano.

Segundo o supervisor bancário, esta evolução refletiu principalmente o aumento dos fundos próprios principais de nível 1, embora a redução do montante total das exposições em risco tenha contribuído no mesmo sentido para a variação dos rácios.

O ponderador médio de risco reduziu-se em 0,6 pontos, para 40,6%, e o rácio de alavancagem manteve-se em 7,6%, permanecendo acima do requisito regulamentar mínimo de 3%.