O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João jardim, disse este domingo “nada esperar” da comissão eventual de revisão constitucional aprovada na quinta-feira na Assembleia da República porque os quatro partidos “não querem alterar seja o que for”.

O parlamento aprovou na quinta-feira por unanimidade a criação de uma comissão eventual de revisão constitucional, na sequência da apresentação de dois projetos pelos deputados do PSD e do CDS-PP eleitos pela Madeira.

O projeto de deliberação, apresentado pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, foi aprovado por unanimidade, e visa dar sequência ao processo aberto pela entrega, de dois projetos de revisão constituição, a 26 de junho e a 27 de julho.

A comissão terá um prazo de funcionamento de 90 dias, prorrogáveis por decisão do plenário, e será constituída por 23 deputados, 11 do PSD, 7 do PS, 2 do CDS-PP, 1 do PCP, 1 do BE e 1 do PEV.

Alberto João Jardim considerou, em declarações proferidas à margem da Festa da Sidra do Santo António da Serra, que “o regime político português chegou a um buraco sem solução”. “Não espero nada porque os quatro partidos do regime nenhum quer alterar seja o que for”, disse.

Jardim sustentou que “esta apresentação da revisão constitucional só não tem o efeito que tem porque os quatro partidos do regime, nas redações da televisão, das rádios e dos jornais, deram instruções para que houvesse censura”. O governante madeirense ressalvou que o povo português “tem de saber” que a Madeira apresentou “uma coisa que é a solução para o país”.

“Os quatro partidos tradicionais vão chumbar a proposta da Madeira mas é isso mesmo que nós queremos porque, assim, teremos, depois, o pretexto para darmos o salto a seguir, que pode ser o recurso à comunidade internacional”, declarou.