Gelo, limão, Coca-Cola e internet grátis. A multinacional de bebidas norte-americana quer facilitar o acesso à rede nas comunidades mais desfavorecidas, diz o Digital Trends, e a aposta começa na África do Sul, onde as máquinas de venda automática da Coca-Cola vão passar a ter uma ligação gratuita Wi-Fi.

A iniciativa que a Coca-Cola está a levar em conjunto com a empresa de telecomunicações British Telecom vai começar em duas localidades sul-africanas e os postos de venda localizam-se “estrategicamente” perto de escolas, centros comerciais e praças de táxis.

“Acreditamos que ao darmos acesso gratuito à internet através de Wi-Fi, vamos permitir que estudantes e crianças aumentem o seu conhecimento através da pesquisa e damos aos empreendedores e às pequenas empresas dessa comunidade a oportunidade de gerirem algumas partes do seu negócio online”, explicou David Visser, um dos responsáveis pela Coca-Cola África do Sul.

A Coca-Cola ainda não adiantou se a iniciativa vai estender-se a outros países, mas Tiago Lima, diretor de relações Externas da Coca-Cola Iberia, explicou ao Observador que a iniciativa é “de índole local”, pelo que algo do género não está previsto para Portugal.

Por enquanto, sabe-se que, na África do Sul, não vai ser obrigatório comprar uma bebida para ter acesso à rede. O objetivo é dar a quem não tem um smartphone com internet a possibilidade de navegar na web gratuitamente, mesmo que não bebam Coca-Cola.

Oliver Fortuin, diretor-geral da British Telecom na África Subsaariana adiantou que a empresa quer ajudar as pessoas a utilizarem a tecnologia para serem mais criativas e a explorarem as oportunidades que o mundo globalizado da internet lhes oferece.

Personalizar para subir vendas

As novas apostas da Coca-Cola andam a dar frutos. Pela primeira vez em 11 anos, as vendas da bebida que surgiu há 128 anos nos Estados Unidos da América (EUA) cresceram mais de 2% naquele país. Em causa, esteve a campanha lançada pela empresa em junho e que colocou nomes tão comuns como Margarida, João ou Pedro, nas latas e garrafas de Coca-Cola, Coca-Cola Dieta e Coca-Cola Zero.

Por cá, a campanha “Partilha uma Coca-Cola com…”, que além dos nomes próprios tinha termos como “amiga” ou “namorada” também foi “um sucesso”, como explicou Tiago Lima ao Observador.

“Medimos um impacto positivo nas vendas no nosso país. No entanto, o clima económico desafiante e um Verão atípico no que toca ao tempo – tornando um pouco menos apelativo o consumo de bebidas refrescantes – mantiveram as vendas de Coca-Cola em linha com o ano passado, estáveis, sem ganhar ou perder em relação ao mesmo período homólogo”, referiu.

A ideia por detrás da campanha era fazer com que os consumidores comprassem garrafas ou latas personalizadas não só para eles, mas também para amigos ou familiares. E parece ter resultado, ao travar a queda de uma década no consumo norte-americano.

A campanha foi pensada para ser temporária e os rótulos tradicionais começam agora a reaparecer no mercado. A Austrália foi o primeiro país a testar a ideia, em 2011, e a empresa avançou que, nesse período, o consumo de Coca-Cola aumentou 7% entre os jovens australianos. Depois da Austrália, a campanha alastrou-se a cerca de 80 países.