António Costa tem 15 dias para pôr ordem na casa socialista. Até ao Orçamento do Estado, os socialistas vão apenas concentrar-se na organização interna, acelerar as movimentações e afinar a nova máquina, que não deixará de incluir alguns elementos da anterior liderança. Para já, no Parlamento não estão previstas iniciativas de grande relevo.

O primeiro passo é já esta sexta-feira com a consolidação da liderança da bancada parlamentar de Ferro Rodrigues e com a eleição dos restantes vice-presidentes. Na direção dos deputados, Costa quererá manter alguns deputados ligados à anterior liderança de António José Seguro.

É nessa integração que alguns apoiantes de Costa apontam. Os deputados apoiantes do candidato a primeiro-ministro e líder de nome, mas não oficial, estão agora mais reservados para que nada do que possam dizer em público faça correr mal a nova liderança. Acreditam na escolha de Costa para a liderança da bancada e esperam que isso signifique políticas e combate pela esquerda. Mas falar em consensos com outros partidos ainda é cedo, até porque com a liderança do BE por definir, qualquer conversa fica para mais tarde… para muito mais tarde.

Não é essa a prioridade do novo líder que se quer concentrar sobretudo na oposição ao Governo de Passos Coelho – aquilo em que acusou Seguro de ter sido fraco. E se no Parlamento não tem palco, terá tudo montado para mostrar o que vale nas cerimónias do 5 de outubro, que marcará o tom do novo líder da oposição até ao Orçamento. Nos últimos anos, Costa tem marcado as comemorações na Praça do Município com um tom que para muitos foi como de verdadeiro líder da oposição e desta vez não deixará passar a oportunidade — uma cerimónia em que apenas têm palavra o Presidente da República e o presidente da Câmara e não o primeiro-ministro.

No Parlamento, não está prevista a apresentação de projetos emblemáticos que marquem o início de uma nova era no PS. Os socialistas vão primeiro concentrar-se no combate ao Orçamento do Estado para 2015, que poderá ser o último de Passos Coelho enquanto primeiro-ministro. Apresentar agora projetos poderia desviar as atenções do Orçamento e para já os deputados socialistas não se querem dispersos. Contudo, assim que Ferro Rodrigues assumir oficialmente funções pode alterar estes planos.

E para este combate ao Orçamento do Estado de 2015, António Costa perdeu um dos deputados mais importantes na Comissão de Orçamento e Finanças, Pedro Marques. O deputado, especialista em Segurança Social, abandonou o Parlamento para voltar a trabalhar em consultadoria. A saída já tinha sido pensada há vários meses para depois das eleições europeias, mas o desafio de António Costa a Seguro fez com que atrasasse a saída da Assembleia da República.