A Federação dos Estudantes de Hong Kong (FEHK) recuou e cancelou as intenções de dialogar com o governo daquele país, conta o Wall Street Journal. Os estudantes acusam a polícia de nada ter feito para evitar a violência sobre os protestantes, que teve lugar esta manhã (de Lisboa).

“O governo e a polícia permitiram que criminosos e outras forças atacassem os protestantes pacíficos, o que colocou um ponto final na negociação. Eles têm de assumir a responsabilidade”, declarou a FEHK, numa publicação no Facebook. A organização estudantil colocou também algumas fotografias e apelos no Twitter. E a ameaça, que acabou por se concretizar: não haverá diálogo.

Segundo o Wall Street Journal, não é possível confirmar se foram grupos criminosos organizados a atacar os jovens protestantes, mas foram observadas múltiplas agressões por parte de indivíduos não identificados.

“O governo disse ontem estar disposto a conversar com os estudantes, mas perdeu a fé das pessoas hoje. (…) Enquanto o governo vai contra ele próprio, não temos outra alternativa que não seja cancelar as conversações”, explica o comunicado dos estudantes, que ainda assim mantém o apelo aos cidadãos para irem para a rua e manterem os locais de protesto.

LY Leung, o chefe executivo de Hong Kong, anunciou ontem a intenção de dialogar com os estudantes quando faltavam apenas 15 minutos para o deadline dado pelos mesmos, que exigiam a demissão do líder daquele país. A demissão foi rejeitada, mas Leung mostrou-se aberto a diálogos que abrirão a porta a outros diálogos, nomeadamente ao da reforma política, que tem estado no centro desta questão.

Os protestantes pró-democracia exigem o direito de escolher o chefe executivo do país sem que seja necessário o aval de Pequim, que até havia prometido essa situação para 2017. Mas voltou atrás, e a “Revolução dos chapéus-de-chuva” foi para as ruas de Hong Kong, pela mão de dois movimentos, o Occupy Central e o Scholarism, criado por Joshua Wong, um jovem hoje com 17 anos.