Começou esta segunda-feira a audiência de sentença de Oscar Pistorius, no fim da qual se saberá qual a pena a aplicar ao atleta sul-africano, que em setembro foi considerado culpado de homicídio involuntário da namorada, Reeva Steenkamp. Na sessão, uma das testemunhas de defesa de Pistorius sugeriu que o atleta deveria cumprir pena domiciliária e trabalho comunitário em vez de tempo efetivo de prisão. A acusação não gostou do que ouviu e disse que a proposta era “chocantemente inapropriada”.

“Pistorius deveria fazer 16 horas de trabalho comunitário por mês”, afirmou Joel Maringa, trabalhador do serviço prisional sul-africano, que apresentou ao tribunal um relatório por si elaborado onde defende que Oscar Pistorius deve cumprir três anos de prisão domiciliária. “O acusado terá supervisão”, disse Maringa, para quem tal apoio dará a Pistorius uma “oportunidade de modificar o seu comportamento”. Uma das razões apontadas por este trabalhador para a prisão domiciliária é o facto de Pistorius querer retomar a sua carreira no atletismo, uma afirmação que, aliás, contraria outras testemunhas ouvidas no processo.

“Isto é chocantemente inapropriado”, reagiu Gerrie Nel, o procurador de acusação, que, no contrainterrogatório, conseguiu levar Joel Maringa a admitir que não conhecia em pormenor os detalhes do caso. Questionado diretamente pela juíza responsável pelo processo, Maringa especificou que, “basicamente”, o trabalho comunitário que aguardaria Pistorius seria “limpezas”.

Na sessão desta segunda-feira, antes ainda de Joel Maringa, foi chamada a depor a psicóloga Lore Hartzenberg, que acompanhou Pistorius em vários momentos ao longo do julgamento. Hartzenberg descreveu o atleta como “uma pessoa solitária” que é “respeitosa, atenciosa e bem-educada”. De todo o processo, “sobra um homem destroçado que perdeu tudo”, afirmou, acrescentando que é “pouco provável [que Pistorius] recupere completamente” algum dia. Durante as suas declarações, Lore Hartzenberg disse que Pistorius não tinha intenção de continuar a sua carreira no atletismo, uma afirmação que, mais tarde, foi contradita por Joel Maringa.

Oscar Pistorius foi considerado culpado em setembro de homicídio involuntário da sua namorada Reeva Steenkamp, modelo e advogada de 29 anos. O crime deu-se a 14 de fevereiro de 2013, Dia dos Namorados, depois de uma saída a dois. Pistorius declarou sempre que achava que se tratava de um intruso, quando disparou três tiros através da porta da casa de banho de sua casa.

A moldura penal que enfrenta pode ir de uma coima a uma pena de prisão de 15 anos, no máximo. As outras hipóteses passam por uma pena de prisão domiciliária com obrigatoriedade de apresentação às autoridades ou uma pena suspensa. A declaração de que a morte de Reeva Steenkamp foi um homicídio involuntário e não um homicídio de primeiro grau, como pretendia a acusação, pode ser um indicador de que a pena a aplicar será mais leve do que os familiares da modelo exigem.

A sessão continua esta terça-feira.